Agora no Corinthians, Seedorf já quis mudar hino do Botafogo; entenda
No Brasil, holandês teve passagem com bons resultados em campo e polêmicas
Lance|Do R7

Novo técnico do Corinthians, o holandês Clarence Seedorf chegará ao Brasil nos próximos dias para iniciar sua segunda trajetória no país. A primeira delas começou em 2012, no Botafogo, e marcou a transição da carreira de jogador para a de técnico, no início de 2014. A primeira passagem foi marcada por bons resultados em campo, mas também por polêmicas fora dele — o que incluiu incômodo com o hino do clube.
Era 30 de junho de 2012 quando Seedorf foi anunciado como novo reforço do Botafogo. A contratação rendeu grande repercussão e, tal qual agora envolvendo o Corinthians, surpreendeu o Brasil todo. Afinal, o holandês havia acabado de deixar o Milan e, aos 36 anos, ainda era um astro de nível mundial.
Dentro de campo, a contratação de Seedorf traria bons frutos ao Botafogo. Em 2013, ele comandou o time na conquista das Taças Guanabara e Rio, o que deu ao clube o título antecipado do Campeonato Carioca daquele ano. O holandês também teve papel fundamental na campanha alvinegra no Brasileirão Série A daquele ano, quando o Botafogo encerrou na sétima colocação, suficiente para classificar o time à Libertadores do ano seguinte, algo que não acontecia há 18 anos.
Seedorf chegou a pedir mudanças no hino do Botafogo
Fora de campo, contudo, a passagem de Seedorf pelo Botafogo não foi exatamente tranquila. Com carreira toda na Europa, o jogador tentou implantar mudanças nos clubes, que iam desde questões de estrutura até de comportamento. E isso gerou incômodo em alguns integrantes do elenco.
Capitão do Botafogo naquele período, o ex-goleiro Jefferson lembrou alguns episódios em entrevista ao Lance!, em 2018.
— A gente se dava muito bem. A questão é que ele vem de uma cultura muito diferente. É muito inteligente e tinha muito a passar para nós. Só que era muita informação junta, podemos dizer assim. E tinha certas coisas que eu, como capitão e um dos líderes do elenco, falava que tinha que ir devagar. Tanto que o Seedorf, às vezes, quis interferir no hino do Botafogo, nas cadeiras da preleção ou até no tipo de meia que os garotos tinham que usar, colocar a camisa para dentro do calção…
Sobre o hino, escrito por Lamartine Babo, Seedorf não gostava do trecho que diz “não podes perder, perder pra ninguém”. O holandês considerava que o trecho trazia conotação negativa, e chegou a sugerir a mudança ao presidente do clube na época, Maurício Assumpção. O caso não foi adiante.
No dia a dia, o então jogador queria que os atletas almoçassem e jantassem sempre juntos. Conta-se que ele chegou a pedir mudanças na alimentação, como a proibição de feijão antes dos jogos.
Seedorf tinha contrato com o Botafogo até meados de 2014, mas encerrou a carreira como jogador em janeiro daquele ano para assumir como técnico do Milan.
— Vou parar de jogar futebol depois de 22 anos. Foi uma noite difícil, mas estou satisfeito com o que fiz na minha carreira, com o que fiz com o Botafogo — declarou em entrevista coletiva na tarde de 14 de janeiro daquele ano.
E, depois, acrescentou:
— O Brasil, que me abraçou, não vou esquecer nunca mais. Acho que dei algo importante, que fiz isso e, por isso, estou tranquilo para fechar.
Quase 13 anos depois de deixar o Botafogo, Clarence Seedorf retorna ao país com a missão de ajudar o Corinthians, agora como técnico.










