Judoca do time de refugiados do COI vai às lágrimas ao lembrar passado no Congo
Popole Misenga é um dos dez atletas do time de refugiados do COI

Quando fugia da violência vagando oito dias pelas florestas da República Democrática do Congo, o menino órfão Popole Misenga jamais poderia imaginar que anos depois disputaria uma edição dos Jogos Olímpicos. Na Rio 2016, o judoca será um dos dez atletas do time de refugiados do COI (Comitê Olímpico Internacional).
“Vim para o Brasil em 2013 disputar o Mundial e desde então fiquei por aqui. Passei a treinar no Instituto Reação [ONG criada pelo medalhista olímpico Flávio Canto] e quando recebi o convite para estar nas Olimpíadas eu não acreditei, nunca tinha visto um refugiado participar de uma competição tão grande”, lembra Misenga.
Ao lado da compatriota Yolande Makiba, Misenga é treinado por Geraldo Bernardes, ex-técnico da seleção brasileira.
“Eles já têm a medalha deles, a medalha da transformação, da humanidade. Participei de quatro edições dos Jogos Olímpicos como técnico do Brasil, ajudei o País a conquistar seis medalhas, e sei que a minha medalha agora já está no peito. A deles também”, afirmou Bernardes.
Refugiada entregou a vida à natação e agora está na Rio 2016
Com os nadadores sírios Yusra Mardini e Rami Anis, os dois judocas participaram de entrevista coletiva no último sábado (30), na Barra da Tijuca, quando falaram sobre o projeto do COI. Na ocasião, Misenga agradeceu ao Comitê por ter lhe “tirado a tristeza do coração” e se emocionou ao falar sobre os irmãos que deixou para trás.
“Esqueci a cara deles. Se puderem me ver pela televisão nas Olimpíadas para saber que o irmão dele está lutando... quem sabe um dia consigam pagar a passagem para ficar aqui junto comigo. Beijo para eles onde estiverem, o irmão deles está aqui lutando”, disse o judoca, sem controlar as lágrimas.
