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Os segredos da Espanha e o que a campeã pode ensinar ao Brasil

Fúria venceu a Argentina por 1 a 0 na final da Copa, conquistando seu segundo título mundial

Jogada 10

Jogada 10|Do R7

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Espanha bateu a Argentina na final por 1 a 0 e conquistou o bicampeonato mundial Mike Segar/Reuters - 19.07.2026

A Espanha se consagrou bicampeã mundial neste domingo (19), após superar a Argentina por 1 a 0, com gol de Ferran Torres no segundo tempo da prorrogação da final. A conquista do bicampeonato espanhol aconteceu de forma silenciosa. Ao longo da Copa do Mundo, enquanto os holofotes estavam direcionados para o domínio da França e centrados nas dramáticas viradas da Argentina, a Fúria foi passando pelos adversários até conquistar a tão sonhada taça.

No percurso pelo bi, a Roja eliminou seleções de peso, como Uruguai, Portugal, Bélgica, França, além da Argentina na decisão. Mas, afinal, qual é o segredo desta potência futebolística e o que a bicampeã pode ensinar a um Brasil que se despediu dos Estados Unidos nas oitavas?


Antes das táticas, escalações e de assumir um estilo de jogo, o país ibérico começou o trabalho por uma filosofia, priorizando a mentalidade coletiva. A RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) entregou, então, esta cartilha nas mãos de Luis de la Fuente, técnico que plantou sementes nas categorias inferiores da Espanha (sub-19, sub-21 e sub-23) antes de colher os resultados como comandante da seleção principal. Afinal, em 2024, ele ganhou a Eurocopa e, agora, repetiu a façanha de Vicente Del Bosque, campeão mundial (2010) após ganhar o Velho Continente (2008) pela Fúria.

Família De La Fuente

No elenco da Espanha não há vaidades. O ambiente nos treinamentos durante a Copa era sempre leve e extremamente descontraído. Nem parecia que aqueles atletas disputariam uma decisão de Copa do Mundo nas próximas horas, conforme os jornalistas ibéricos ressaltaram em conversa com a reportagem.


“Você os vê treinar e parece uma família. Parece um grupo de amigos na risada, na zoeira. Estão na final de um Mundial e fazem piada em um bobinho. Eles quase não falam de futebol. Para mim, é isso. Vão todos juntos. Se você vê o jogo contra a França, custa destacar um jogador. Mesmo tendo Lamine Yamal, um dos melhores jogadores do mundo, custa destacar um craque. Eles vão todos juntos, pressionam lá em cima e compram a ideia do treinador. A força do coletivo é a grande virtude da Espanha”, colocou Adrian Herrero, repórter da RTVE, o maior grupo audiovisual daquele país.

‘Amor al balón’

A outra grande característica reside justamente na base, onde os futebolistas, ainda meninos, aprendem o estilo de jogo para aprimorá-lo no futuro. Esta compreensão de futebol, aliás, é mais importante do que os títulos nas inferiores. A Fúria, por exemplo, perdeu, em 2021, o ouro olímpico para o Brasil. No entanto, formou vários jogadores que estão no time profissional, fiéis a um estilo. Ao contrário da seleção brasileira de Carlo Ancelotti e dos seus 34% contra a Noruega, a Espanha não abre mão da posse de bola e de ser protagonista durante os jogos, independentemente do oponente do outro lado: pode ser a França de Mbappé, Cabo Verde de Vozinha ou a Argentina de Messi.


“Estenderia a ideia, inclusive, aos diferentes clubes. Trabalha-se, desde muito cedo, com a bola. E, a partir daí, tentar dominar os jogos e ainda ser um time vistoso. A Espanha entende que controlar a bola é uma forma de defender e também de tornar o esporte mais atraente. É quase uma ideia de escola, que vai de cima a baixo: nasce nas primeiras equipes de formação e termina na seleção principal”, avaliou Javier Lázaro, da Rádio Marca, em conversa com a reportagem.

“A Espanha é uma equipe sólida, que precisava rodar os jogadores durante a Copa até virar uma fortaleza de competir, apesar de não ter começado o Mundial bem. Pouca gente tem batido nesta tecla. Mas a seleção sofreu apenas um gol em sete jogos, pois não permite ao rival ficar com a bola”, acrescentou David Álvarez, do jornal El País.


Bicampeões

Yamal, Rodri, Pedri, Merino e Olmo repetiram os passos daquela Espanha de Xavi e Iniesta, os grandes executores do tiki-taka da época de Pep Guardiola no Barcelona (2008-2012). Na África do Sul, em 2010, com o título mundial e a ótima fase do Barça, a Espanha galgou parâmetros e passou a ditar a regra no futebol internacional: uma estratégia dinâmica de movimentação constante, passes curtos, precisos e, claro, posse de bola com porcentagens elevadas.

No futebol, porém, não há unanimidades. O estilo espanhol também angariou “haters”. Gente que considera a seleção monótona e cansativa. Goste ou não, a Fúria defendeu a sua ideia até o último segundo da grande final contra os hermanos.

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