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Jogador é morto por sequestradores após cair em golpe de falso teste de futebol

Assassinato do jovem goleiro reacende o alerta sobre redes criminosas

Jogada 10|Do R7

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Cheikh Touré era um jovem goleiro senegalês Reprodução/

O Senegal amanheceu de luto na última terça-feira (21) após a confirmação da morte de Cheikh Touré, jovem goleiro senegalês encontrado morto em Gana. Tratado como crime transnacional, o caso envolve um golpe praticado por falsos agentes de futebol e mobiliza autoridades dos dois países.

Touré viajou a Gana com a expectativa de participar de testes profissionais em um clube local, após receber o contato de um suposto olheiro. Contudo, acabou sequestrado no momento em que desembarcou em território ganês e ficou mantido em cativeiro por um período.

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Os criminosos envolvidos no caso entraram em contato com familiares do jovem goleiro para exigir o pagamento de sua libertação. Diante da impossibilidade da família em reunir o valor solicitado, apesar das tentativas, o jovem acabou assassinado.

Segundo o Ministério da Integração Africana e Relações Exteriores do Senegal, o episódio configura uma “tragédia nacional”.

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Promessa do futebol senegalês

Cheikh Touré tinha o sonho de tornar-se jogador profissional fora de Senegal e recebeu, na abordagem golpista, oferta para testes e oportunidade de ascensão na carreira esportiva. Convencido da autenticidade da proposta, o jovem deixou a capital senegalesa, Dakar, e partiu para Kumasi, cidade ganesa onde encontraria os supostos empresários.

A família ajudou o jovem a financiar a viagem, o que, inclusive, impediu a somatória da quantia de resgate posteriormente. Em entrevista à People 221 TV, emissora local, a mãe de Cheikh relatou que chegou a contribuir com cerca de 300 euros para jornada do filho.

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“Tentei perceber a segurança da proposta porque é o meu único filho. Dei-lhe dinheiro para cortar o cabelo, comprar uma roupa nova. Rezei muito por ele e pedi-lhe para ter cuidado porque ele é a coisa mais importante do mundo para mim”, afirmou.

Pedido de resgate e desfecho trágico

A mãe do jovem recebeu a primeira mensagem de resgate quatro dias após a chegada de Cheikh em Gana. No texto, os criminosos, que ainda se passavam pelo goleiro, pediam 850 mil francos africanos (cerca de 1.300 euros) como garantia de participação nos testes.

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Desesperada, a família conseguiu levantar, com amigos e conhecidos, apenas 760 euros. O valor, porém, não satisfez a exigência dos sequestradores. Àquela altura, os pais do jovem já sabiam que se tratava de um crime.

Sem conseguir arrecadar a quantia, a mãe recebeu, pouco depois, uma ligação informando sobre um suposto acidente do filho. Em seguida, recebeu um vídeo que confirmava a morte do goleiro com imagens do corpo com sinais evidentes de tortura.

Autoridades locais localizaram o corpo do jovem dias depois, em circunstâncias ainda sob investigação.

Inquérito internacional

O governo senegalês, por meio do Ministério da Integração Africana e Relações Exteriores, confirmou a abertura de uma investigação em colaboração com as autoridades de Gana. O objetivo é identificar e responsabilizar os autores do crime, além de desmontar a rede criminosa envolvida no golpe.

O caso expõe uma prática recorrente no futebol africano: jovens promessas são aliciadas por falsas promessas de sucesso na Europa ou em centros menores do futebol internacional. A falta de mecanismos seguros de intermediação e a vulnerabilidade socioeconômica tornam esses jovens alvos fáceis para golpistas.

Tráfico de sonhos no futebol africano

O assassinato de Cheikh Touré reacende o alerta sobre redes criminosas que operam sob o disfarce de agências de captação de talentos. Diversas ONGs e instituições esportivas têm denunciado a proliferação dessas quadrilhas, que atuam em vários países do continente africano.

O modus operandi é quase sempre o mesmo: promessas irreais, cobranças indevidas, abandono e, em casos extremos, violência.

A Federação Senegalesa de Futebol ainda não se pronunciou oficialmente, mas dirigentes de clubes locais lamentaram a morte do jovem atleta, que era conhecido no circuito amador de Dacar e apontado como uma promessa no gol.

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