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Flamengo faz acordo com Guerrero após acusação de ‘vingança’

Clube e atacante chegam a entendimento para encerrar disputa judicial que envolvia cobranças de aproximadamente R$ 2 milhões

Jogada 10

Jogada 10|Do R7

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O centroavante deixou o Flamengo com 43 gols em 115 partidas Gilvan de Souza/Flamengo

Flamengo e Paolo Guerrero chegaram a um acordo para encerrar uma disputa judicial que se arrastava há oito anos. O clube informou à Justiça do Rio de Janeiro, na segunda-feira (14), que acertou os termos com o ex-atacante para colocar fim a dois processos que, somados, envolviam cobranças de aproximadamente R$ 2 milhões.

Os valores e demais detalhes do acordo foram mantidos em sigilo. Entretanto, o entendimento aconteceu poucos dias depois de Guerrero apresentar uma manifestação na Justiça, na qual acusou o Flamengo de tentar se “vingar” dele por não ter conseguido renovar seu contrato antes da transferência para o Internacional, em 2018.

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Em uma das ações, o Rubro-Negro cobrava R$ 200 mil por danos morais de Guerrero e também acionava a Federação Peruana de Futebol. Já no outro processo, o clube buscava a devolução de R$ 1,8 milhão referente ao período em que o centroavante esteve suspenso por doping.

Guerrero acusou Flamengo de agir por ‘vingança’

Em agosto, a defesa de Guerrero apresentou uma manifestação dura contra o Flamengo. Segundo os advogados do peruano, o clube tentava atribuir ao atacante uma série de prejuízos econômicos decorrentes do período em que ele esteve suspenso.

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Entre os impactos citados pelo Flamengo estavam perda de premiações, redução no número de associados, queda nas vendas, prejuízos com ingressos e efeitos sobre contratos de patrocínio.

A defesa do atacante, porém, sustentou que a cobrança tinha como objetivo uma “vingança” pela saída do jogador. Além disso, acusou o Flamengo de tentar transferir para Guerrero riscos relacionados à própria atividade econômica do clube.

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“Com mera intenção de ‘se vingar’ de sua frustração por não ter obtido sua renovação com o atleta”, afirmou a defesa em um trecho da manifestação.

Ainda segundo os representantes do peruano, a conduta do Flamengo configuraria “absoluta e inequívoca má-fé”.

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Flamengo cobrava R$ 200 mil por danos morais

Em uma das ações, o Flamengo pedia uma indenização de R$ 200 mil por danos morais. Além de Guerrero, a Federação Peruana de Futebol também figurava como ré no processo.

Entretanto, a tramitação enfrentou dificuldades ao longo dos anos. Como os endereços dos réus estavam no Peru, houve demora para que as citações fossem realizadas. Por isso, o clube apresentou diferentes pedidos à Justiça peruana para que os procedimentos determinados no Brasil fossem cumpridos.

Na segunda-feira, porém, os advogados rubro-negros comunicaram ao tribunal que o acordo havia sido fechado. Com isso, o Flamengo desistiu de prosseguir com a ação.

Outra ação envolvia cobrança de R$ 1,8 milhão

Já o segundo processo envolvia uma quantia significativamente maior. Nele, o Flamengo cobrava aproximadamente R$ 1,8 milhão de Guerrero.

O clube alegava que o valor correspondia a gastos realizados durante os 120 dias em que o atacante permaneceu suspenso. Além disso, sustentava que Guerrero havia prejudicado a imagem do Flamengo e impedido o clube de usufruir dos direitos de imagem previstos no contrato.

Entretanto, o Rubro-Negro sofreu derrotas em diferentes instâncias. Além disso, acabou condenado a pagar 10% do valor da causa em honorários advocatícios ao jogador, o equivalente a aproximadamente R$ 180 mil.

O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. No fim de agosto, porém, Flamengo e Guerrero apresentaram uma petição conjunta informando que negociavam um acordo e pediram a suspensão do julgamento.

Agora, com o entendimento entre as partes, a disputa também caminha para ser encerrada definitivamente.

Caso começou após suspensão por doping

A origem da briga está relacionada à suspensão de Guerrero por doping enquanto ainda defendia o Flamengo.

O atacante testou positivo para um metabólito da cocaína e, posteriormente, recebeu uma suspensão de 14 meses da Corte Arbitral do Esporte. Durante parte do processo, entretanto, conseguiu atuar graças a um efeito suspensivo.

A defesa do peruano sustentou ao longo da disputa que a ingestão da substância proibida não ocorreu de maneira intencional. Segundo essa versão, Guerrero tomou um chá indicado por uma nutricionista ligada à Federação Peruana durante período em que estava com a seleção.

Além disso, os advogados argumentaram que o próprio Flamengo reconheceu, em determinado momento, que a responsabilidade pelo episódio estaria relacionada à estrutura da federação.

Guerrero deixou o Flamengo em 2018

Guerrero deixou o Flamengo em agosto de 2018, depois de não renovar seu contrato, e acertou com o Internacional. A saída ocorreu justamente em meio às consequências esportivas e jurídicas do caso de doping.

Pelo Rubro-Negro, o centroavante disputou 115 partidas e marcou 43 gols. Além disso, conquistou o Campeonato Carioca de 2017.

Posteriormente, pelo Internacional, entrou em campo 72 vezes e marcou 32 gols, mas não conquistou títulos.

Agora, oito anos depois do início das disputas judiciais, Flamengo e Guerrero chegam a um entendimento para encerrar definitivamente um capítulo conturbado da relação entre o clube e o atacante peruano.

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