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Com a benção de ídolos, John amplia história de goleiros negros do Botafogo

Após Manga, Wagner, Jefferson e cia, goleiro deve estrear neste sábado pelo Botafogo e mantém resistência contra o racismo na posição...

Jogada 10

Jogada 10|Do R7


Foto: Vitor Silva/Botafogo
Foto: Vitor Silva/Botafogo Jogada 10

Uma das maiores manchas do futebol brasileiro é a sustentação do racismo velado contra os goleiros. E o Botafogo, afinal, é um dos raros clubes que joga na contramão e segue investindo em negros para a posição. John é a bola da vez e deve fazer sua estreia neste sábado, contra o Sampaio Corrêa, às 16h, no Estádio Nilton Santos. Antes dele, vieram nomes que se tornaram ídolos, como Manga, Wagner e Jefferson.

A lista no Glorioso, no entanto, é muito mais longa: passa por Max (titular na Série B de 2003), Renan (fez mais de 100 jogos até 2011), Diego Loureiro (destaque em 2021 e ainda sob contrato), além de tantos outros que não se firmaram nos profissionais, como Saulo, Luís Guilherme e Andrey. Pode parecer pouco, em comparação com o alto número de atletas negros de linha (acima de 50% do total), mas há clubes que praticamente não tem um camisa 1 desta etnia em sua história ou não deram sequência a nenhum.

Em sua apresentação, John, revelado pelo Santos, disse que gostaria de conhecer Jefferson, maior ícone do Botafogo no gol e uma das maiores vozes na luta contra o crime de racismo no futebol, antes e depois da aposentadoria.

“Não tive contato com ele (Jefferson), mas quero muito ter. Espero que tenha essa oportunidade. Acompanhei a carreira dele quando era mais novo. É um goleiro que teve uma história linda aqui no Botafogo, quero poder fazer igual”, disse.

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Racismo tirou Jefferson da Seleção

Na reta final de sua carreira, Jefferson revelou que sofreu racismo na Seleção. Na esperança de ser convocação para uma competição sub-20, o goleiro, então no Cruzeiro, ficou frustrado com a ausência na relação. Depois, recebeu uma ligação dizendo que “a pessoa que barrava goleiros negros saiu da CBF” e que ele poderia voltaria a ser chamado.

“Eu senti na pele. Eu costumava dizer que enquanto as pessoas tinham que matar um leão, eu tinha que matar dois, três por dia para poder realmente sobressair e mostrar o meu talento. É o que a gente sente na pele e isso não é somente no esporte. No dia a dia a gente vê aí a dificuldade. Vemos pessoas negras talentosas, pessoas negras que tem um profissionalismo excelente, mas, na hora da escolha, infelizmente entra o preconceito, o racismo, e acaba tirando a oportunidade dessas pessoas”, declarou Jefferson, anos atrás.

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Caso de polícia com Aranha

O Peixe, antigo clube de John, também tem momento importante nessa batalha. Afinal, em 2014, o goleiro Aranha interrompeu o jogo contra o Grêmio para denunciar uma mulher que o chamava de macaco e fazia gestos sobre a cor da pele. O episódio ganhou força nacionalmente, foi parar na polícia e causou um desgaste muito grande para o próprio goleiro, que disse ter prejudicado depois disso.

Há diversos casos semelhantes com jogadores de qualquer posição e que se tornam públicos toda semana. Inclusive, com garotos da base. Recentemente, o volante do Vasco, Lucas Eduardo, relatou ter sofrido racismo após a eliminação da equipe na Copinha, no interior de São Paulo. Não bastasse o ato, o homem ainda atirou uma garrafa em sua direção.

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O clube carioca, então, agiu rapidamente e entregou a medalha Pai Santana ao jovem jogador, como forma de apoio e de reforçar sua luta contra a discriminação no esporte, um marca que ultrapassa 100 anos em São Januário. Afinal, em 1924, o clube enviou uma carta à Federação e aos rivais, conhecida como “Resposta Histórica”, em que reforçava que não abriria mão de utilizar seus jogadores negros. Na ocasião, por sinal, apenas homens brancos eram permitidos no futebol carioca, em um tempo abertamente elitista e racista.

A maldição em Barbosa em 1950

Após superar parcialmente essa fase, a discussão social recomeçou quando Barbosa falhou no gol decisivo na final da Copa de 1950, contra o Uruguai, no Maracanã. A partir daí, as frases “goleiro negro dá azar” e “goleiro negro não presta” foram repetidas frequentemente na mídia e pelo público. Isso parece ter sido levado ao pé da letra, afinal, após o goleiro do Vasco, Manga, do Botafogo e do Internacional, também foi muito criticado na Seleção na década de 1960, embora tenha sido reserva no Mundial de 1966.

“No Brasil, a pena máxima é de 30 anos, mas pago há 40 por um crime que não cometi”, declarou Barbosa, na década de 90.

Depois dele, quase quarenta anos depois é que um jogador negro voltou a assumir a camisa 1 canarinho, com Dida. Logo após o ex-goleiro do Milan e do Corinthians, Jefferson herdou essa vaga e brilhou na mesma época em que se tornou ídolo do Botafogo (disputou 445 partidas). Porém, perdeu espaço para os concorrentes e não entrou em campo na Copa de 2010. Em 2014, ficou fora da lista.

Os (poucos) goleiros negros nas últimas décadas:

Helton, revelado pelo Vasco em 1999 e destaque no Porto posteriormente Gomes, revelado pelo Cruzeiro e titular no título do Brasileirão de 2003 Bruno, revelado pelo Atlético-MG e campeão brasileiro com o Flamengo em 2009 Aranha, revelado pela Ponte Preta e destaque do Santos entre 2012 e 2015 Jaílson, revelado pelo Campinense e titular do Palmeiras em três títulos Everson, revelado pelo e titular de Santos e, hoje, Atlético-MG

Além desses nomes, alguns outros tiveram algum espaço, mas não se firmaram em seus clubes e saíram sob críticas, como Diogo Silva (Vasco), Sidão (São Paulo e Vasco) e Hugo (Flamengo).

John, pelo Santos e agora pelo Botafogo, quer mudar essa história.

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