Benfica cancela coletiva de Mourinho e promove entrevista sem citar caso de racismo
Para evitar desgaste após posicionamento envolvendo Vini Jr., clube se limita a falar de jogo do Campeonato Português
Jogada 10|Do R7
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Em uma tentativa de esfriar o clima no Estádio da Luz após o caso de racismo envolvendo Vini Jr., o Benfica adotou a tática da blindagem para o próximo jogo, este sábado (21), contra o AFS, pelo Campeonato Português.
O clube, porém, simplesmente cancelou a tradicional entrevista coletiva na véspera do jogo e levou ao ar em sua TV oficial, a BTV, uma entrevista com o técnico José Mourinho de poucos minutos, sem sequer fazer menção ao grave fato.
Mais cedo, o clube anunciou que está colaborando com as investigações e que já teria identificado alguns torcedores que proferiram insultos racistas.
A postura de José Mourinho no caso de racismo envolvendo Vini Jr. provocou forte reação de ex-jogadores e treinadores. O treinador, inclusive, questionou a forma como o jogador do Real Madrid comemorou um dos gols e sugeriu que o atacante poderia ter evitado a situação.
Reações imediatas
Em seguida, diversas vozes influentes do futebol criticaram o técnico. O treinador Vincent Kompany classificou a declaração como um “erro de liderança”. Ele afirmou que o foco deveria estar na gravidade da denúncia, não no comportamento da vítima.
O ex-zagueiro francês Lilian Thuram, reconhecido por sua atuação no combate ao racismo, acusou Mourinho de minimizar um problema estrutural do futebol europeu. Assim, para Thuram, líderes precisam assumir responsabilidade e agir com firmeza diante de episódios dessa natureza.
Inclusive, ex-jogadores como Wayne Rooney e Clarence Seedorf também reprovaram publicamente a postura do treinador. Eles destacaram que figuras de grande influência no esporte devem reforçar mensagens claras contra qualquer forma de discriminação.
Veja a íntegra da entrevista de Mourinho
Como está a equipe depois do jogo com o Real Madrid?
“O jogo foi verdadeiramente exigente em todas as suas facetas. Até ao minuto 50 foi um grande jogo, muito exigente do ponto de vista físico, tático e de concentração. A partir do minuto 51 até agora – e não vai acabar com esta conversa- não tem sido fácil gerir emocionalmente tudo o que aconteceu e continua a acontecer. No entanto, há jogo importante amanhã. Para as nossas ambições e objetivos é fundamental ganhar. Temos de nos focar para estarmos ao mais alto nível”.
Sobre o time do AFS:
“Esperamos um adversário mais próximo do que venceu o Estoril e do que discutiu 120 minutos contra o Sporting na Taça de Portugal. Acredito mais neste AFS e que o João Henriques mudou e mudou para melhor. A equipe joga melhor e está bem organizada defensivamente. Tem jogadores perigosos nas saídas e é uma equipe que vem como muitas à Luz: defendendo muito e tentando criar perigo nos contra-ataques. Se queremos olhar para o Sporting e para o Porto e não para o Gil Vicente e o Braga, temos de vencer este jogo.”
Mudanças na equipe além de Prestianni?
“Alguma coisa farei. O Prestianni está castigado (suspenso por cartão amarelo) e o Aursnes vai ter de parar para termos alguma esperança que possa jogar em Madri. Não está nas mínimas condições para jogar amanhã (sábado) e vamos ter de mudar algo, mas sempre com a noção de que o jogo é difícil e que temos de o ganhar.”













