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Ancelotti ignora pressão popular e aposta em amadurecimento de Endrick na seleção

Treinador vê atacante como protagonista do futuro, mas evita tratá-lo como solução imediata para os desafios do Brasil na Copa do Mundo

Jogada 10

Jogada 10|Do R7

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Endrick é o mais pedido pela torcida do Brasil para entrar no time titular Rafael Ribeiro/CBF

O debate em torno de Endrick ganhou força após a estreia do Brasil na Copa do Mundo, quando o atacante permaneceu no banco de reservas diante do Marrocos. Contudo, enquanto parte dos torcedores pede mais espaço para o jovem de 19 anos, Carlo Ancelotti adota uma postura cautelosa e resiste à ideia de transformá-lo em salvador da equipe.

A estratégia do treinador italiano não é novidade. Antes dele, Dorival Júnior também preferiu administrar a ascensão do atacante. Há dois anos, durante a Copa América disputada nos Estados Unidos, o então comandante da Seleção demorou a dar sequência ao jogador, mesmo após o impacto imediato causado nos amistosos contra Inglaterra, Espanha e México.

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Naquela ocasião, Endrick só ganhou protagonismo nas quartas de final, quando substituiu o suspenso Vini Júnior diante do Uruguai. A atuação discreta coincidiu com a eliminação brasileira nos pênaltis e reforçou a percepção de que o desenvolvimento do atacante exige tempo.

Os números ajudam a explicar a cautela. Desde a estreia pela Seleção principal, em 2023, Endrick disputou 17 partidas. Apenas duas vezes começou entre os titulares. Em uma delas, contra o Paraguai pelas Eliminatórias, sequer voltou para o segundo tempo. Ao todo, soma 534 minutos em campo, com quatro gols e uma assistência.

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Mesmo assim, o atacante segue cercado de expectativa. Em março, precisou de pouco mais de 15 minutos em campo para convencer Ancelotti e assegurar presença na lista para a Copa do Mundo. Ainda assim, o treinador já deixou claro que enxerga sua evolução dentro de um processo mais amplo.

Cobranças vão além dos gols

A visão de Ancelotti também remete aos tempos de Real Madrid. Mesmo quando o brasileiro decidiu partidas na Copa do Rei e chamou atenção pela eficiência ofensiva, o técnico evitava lhe oferecer sequência imediata entre os titulares.

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Nos bastidores da seleção, a avaliação segue a mesma linha. A comissão entende que o atacante precisa ampliar sua participação em diferentes momentos do jogo, contribuindo não apenas dentro da área, mas também na construção das jogadas, na pressão sem bola e nos aspectos táticos.

Outro ponto frequentemente discutido internamente é a capacidade de manter concentração durante períodos mais longos da partida. A cobrança existe, embora seja tratada como algo natural para um jogador que ainda atravessa as primeiras etapas de sua carreira profissional.

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Curiosamente, avaliações semelhantes já apareceram em outros ambientes. No Lyon, onde Endrick viveu boa fase, o técnico português Paulo Fonseca chegou a afirmar que esperava mais do brasileiro mesmo diante dos números positivos.

CBF busca reduzir peso sobre Endrick

Além das questões técnicas, existe uma preocupação dentro da CBF com o tamanho da expectativa criada em torno do jogador. A ideia é evitar que uma eventual entrada na equipe venha acompanhada da obrigação de resolver problemas coletivos ou carregar o ataque brasileiro sozinho.

A confiança no talento de Endrick permanece alta. Internamente, não há dúvidas de que ele terá espaço ao longo da competição e poderá ser importante em diferentes momentos. O cuidado está justamente em não acelerar etapas que poderiam aumentar a pressão sobre um atleta ainda em formação.

Durante a Copa do Mundo, inclusive, o comportamento do atacante tem recebido elogios. Integrantes da delegação destacam a maturidade com que ele lida com a concorrência e com o desejo de atuar. A percepção é de um jogador mais leve, integrado ao grupo e confortável no ambiente da seleção.

Por isso, entre o clamor popular e a paciência defendida pela comissão técnica, Ancelotti mantém sua convicção. O treinador acredita que Endrick será útil para o Brasil, mas dentro de um contexto favorável ao seu crescimento. E a expectativa é que o próximo capítulo dessa trajetória aconteça já nesta sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), quando a Seleção enfrenta o Haiti pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo.

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