Histórico! Refugiado ganha luta no judô e emociona Arena Carioca 2
Popole Misenga é um dos dez membros do Time Olímpico de Refugiados (ROT, em inglês)

O judoca Popole Misenga — nascido na República Democrática do Congo, mas vivendo no Brasil como refugiado desde 2013 —, conseguiu um feito histórico nesta quarta-feira (10) nos Jogos Olímpicos do Rio. Ele venceu sua primeira luta na categoria até 90 kg e avançou para a segunda fase. Foi a primeira vitória de um refugiado na história das Olimpíadas.
Misenga esteve à frente do indiano Avtar Singh durante toda a luta, derrotando-o por um yuko (golpe de pontuação mais baixa) e dois shidos (advertência).
Na segunda fase, ele enfrentou o sul-coreano Donghan Gwak, atual campeão mundial. Misenga foi derrotado no minuto final, por ippon.
"Ganhei uma luta, e isso já foi sensacional. Perdi a segunda, mas sei que já entrei para a história", disse o judoca congolês ao site oficial da Rio 2016.
— Eu treinei pouco. Vou treinar mais e vou pegar ele. Preciso de mais apoio e patrocínio para poder participar de mais competições e crescer mais.
Na mesma categoria competiu o brasileiro Tiago Camilo, medalhista de prata em Sidney-2000 e bronze em Pequim-2008. Ele venceu sua primeira luta, por ippon, mas perdeu a segunda e deu adeus aos Jogos Olímpicos.
Refugiados
Em 2013, Popole Misenga e outra judoca congolesa, Yolande Bukasa, receberam asilo no Brasil e apoio para treinar no projeto Reação, o mesmo lugar onde treina a brasileira Rafaela Silva, medalhista de ouro do Brasil. Yolande também estreou hoje nos Jogos, mas perdeu para a israelense Linda Bolder e foi eliminada na categoria até 70kg.
Criado em 2003 por Flávio Canto, medalhista de bronze nos Jogos de Atenas, o projeto Reação tem como objetivo formar “faixas pretas dentro e fora do tatame”.
“O Flávio Canto me ajudou e sou agradecido a ele”, disse Misenga em coletiva da equipe de refugiados antes dos Jogos.
A Equipe Olímpica de Atletas Refugiados é uma iniciativa do Comitê Olímpico Internacional que tem apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur). A equipe é composta por dez refugiados de quatro países, sendo dois nadadores sírios, os dois judocas da República Democrática do Congo e seis corredores africanos – um da Etiópia, maratonista, e cinco do Sudão do Sul.
Todos os atletas tiveram que deixar seus países devido a conflitos, perseguições e violações dos direitos humanos, e encontraram refúgio na Alemanha, Bélgica, no Brasil, em Luxemburgo e no Quênia.
No Parque Aquático da Barra, a nadadora síria Yusra Mardini, que já disputou uma prova esta semana, volta às piscinas nos 100 metros estilo livre, a partir das 13h. O nadador sírio Ramis Anis, de 20 anos, disputou ontem (9) uma das eliminatórias dos 100 metros livres. Na sexta-feira (12), os refugiados sul-sudaneses correrão nas pistas do Estádio Olímpico, disputando as provas de 400, 800 e 1.500 metros.
