Esportes Gabriel Medina iguala Andy Irons, Tom Curren e Mick Fanning em temporada polêmica

Gabriel Medina iguala Andy Irons, Tom Curren e Mick Fanning em temporada polêmica

O tricampeonato mundial de surfe finaliza uma temporada de Gabriel Medina em que ele precisou lidar com o sucesso em cima da prancha, mas com polêmicas fora e até mudança em sua estrutura de competição. A começar pelo fim da parceria com Charles Saldanha, seu pai, com quem treinou a vida inteira até esta temporada.

Medina acabou se afastando um pouco de sua família após o casamento com a modelo Yasmin Brunet e agora ele viaja com ela para todas as competições. Sem Charles, ele escolheu o australiano Andy King para acompanhá-lo na perna australiana do Circuito Mundial de Surfe e essa parceria deu muito certo.

Os resultados foram aparecendo e o surfista pareceu estar mais leve nas disputas, sempre ao lado de Yasmin e ouvindo os conselhos de seu novo técnico. E foi assim que ele dominou as etapas uma após a outra e chegou à liderança do ranking mundial com grande folga sobre o segundo colocado, o brasileiro Italo Ferreira, campeão mundial em 2019.

Mas para quebrar a tranquilidade que os bons resultados trazia, o surfista ficou incomodado por não poder levar Yasmin para os Jogos de Tóquio. Ele tinha direito a levar uma pessoa de confiança como membro de sua comissão técnica, mas quando quis inscrever a mulher para ser credenciada já era tarde e não ocorreu a mudança.

Ele reclamou bastante da situação, acusou o Comitê Olímpico do Brasil (COB) de vetar Yasmin, e sua mulher foi ainda mais enfática nas reclamações. Fez uma boa competição olímpica, mas em uma bateria controversa, acabou sendo eliminado na semifinal para o japonês Kanoa Igarashi e reclamou das notas dadas ao adversário, que foi para a final e ficou com a prata. Já Medina saiu de Tóquio sem um lugar no pódio.

Depois, outra grande polêmica que tomou as redes sociais e envolveu seu nome foi em relação à imunização contra o novo coronavírus. O surfista disse que não iria disputa a etapa no Taiti (que depois foi cancelada) porque não tinha tomado a vacina contra a covid-19. Logo muitas pessoas começaram a acusar o surfista de se anti-vacina, mas ele tratou de explicar que não era o caso, que o imunizante era importante, mas que não tinha conseguido encaixar isso em sua agenda. Para muitos, o argumento não foi suficiente e ele passou a ter alguns 'haters' nas redes.

Mas após toda a polêmica, ele chegou para a disputa do WSL Finals e conseguiu mostrar todo o seu talento ao superar Filipinho. Teve um ótimo desempenho e chegou ao seu terceiro título mundial, alcançando o mesmo número de troféus de lendas como seu ídolo Mick Fanning (Austrália), Andy Irons (Havaí) e Tom Curren (Estados Unidos).

LÁGRIMAS APÓS TÍTULO - Medina se emocionou depois de garantir o título. "Não é todo dia que você realiza um sonho", afirmou o surfista brasileiro, bastante emocionado. "Trabalhei muito duro, não tem outra forma de vencer", completou, em sua entrevista após sair da bateria que lhe deu mais um título mundial. "Eu não sou muito bom de falar, prefiro falar com meu surfe. Precisei fazer muito disso para ganhar esse título", brincou e logo na sequência foi interrompido por Filipinho, que fez questão de dar mais um abraço em Medina.

"Ele disse que eu merecia esse título. Eu sempre respeitei esses adversários, Filipe, Italo, todos que estão no circuito. Por isso que aprendo muito e sei que preciso ser intenso. É muito duro uma disputa como essa, mas graças a Deus eu consegui", continuou o surfista, que fez uma ótima competição.

Na primeira bateria da final com Filipinho, Medina surfou melhor e ganhou por 16,30 a 15,70, ficando em vantagem na decisão. Na segunda bateria, Medina começou melhor, mas houve uma paralisação por causa da presença de um tubarão perto da área de competição. No retorno, o surfista de Maresias manteve o foco e ganhou por 17,53 a 16,36, acertando um lindo back flip.

Essa manobra ousada valeu uma nota bem alta e a garantia de que o título mundial não iria escapar mais. "A parte mental é a mais difícil. Eu tinha 11 mil pontos de diferença para meus adversários até chegar nessa decisão, mas sabia que precisava mostrar aqui também. Me sinto muito bem", comentou, feliz da vida.

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