Futebol Vampeta lamenta a morte do amigo Rincón: 'Ele viria ao Brasil e me pediu para buscá-lo no aeroporto'

Vampeta lamenta a morte do amigo Rincón: 'Ele viria ao Brasil e me pediu para buscá-lo no aeroporto'

Os dois formaram uma das maiores duplas de volantes da história do Corinthians e conquistaram quatro títulos para o clube

  • Futebol | Roberto Thomé, da Record TV

Vampeta jogou ao lado de Freddy Rincón em um dos melhores times da história do Corinthians. Uma era vitoriosa no fim dos anos 1990 e começo dos 2000. Foi parceiro do colombiano dentro de campo e amigo fora dele. Abatido com a notícia da morte de Rincón, que chegou de Cali, na Colômbia, Vampeta lamentou a perda: "Por incrível que pareça, hoje faz uma semana que liguei pro Freddy. Ele me falou que viria para o Brasil daqui a dois meses e perguntou se eu podia receber ele no aeroporto. A gente se falava sempre, pelo menos uma ou duas vezes por mês". 

Vampeta diz que era um dos jogadores mais chegados a Rincón. "Talvez do nosso time de 1998, 1999 e 2000, eu e o Dinei tivéssemos mais contato com o Freddy. Foi uma coisa muito triste. E lembro de muitas coisas boas também. A gente sabe que nasce para morrer, mas foi uma surpresa para todo mundo."

A parceria de Vampeta e Rincón rendeu quatro títulos ao Corinthians: dois Campeonatos Brasileiros, o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000, e o Campeonato Paulista de 1999. A parceria dentro e fora de campo rendeu várias histórias. "Quando ele conheceu a ex-esposa, com quem teve um filho, chamado Sebastian, nós dois estávamos juntos em um pagode", recorda. 

Vampeta lembrou com emoção o encontro dos dois dentro de campo em Bogotá, cada um defendendo a seleção do seu país. "Ele estava com a camisa 8 da Colômbia, eu com a 8 do Brasil. A gente dividiu uma bola, e a foto do lance saiu no dia seguinte nos jornais. Foi muito legal porque dois dias depois a gente já estava junto defendendo o Corinthians, e isso me marcou muito."

O Corinthians, da esquerda para Direita, em pé) Dida, Kléber, Fabio Luciano, Vampeta, Rincón e Adilson; (agachados) Luizão, Índio, Ricardinho, Marcelinho Carioca e Edilson antes da partida em que o Corinthians se sagrou campeão do primeiro Mundial de Clubes da Fifa em 2000

O Corinthians, da esquerda para Direita, em pé) Dida, Kléber, Fabio Luciano, Vampeta, Rincón e Adilson; (agachados) Luizão, Índio, Ricardinho, Marcelinho Carioca e Edilson antes da partida em que o Corinthians se sagrou campeão do primeiro Mundial de Clubes da Fifa em 2000

Otávio Magalhães/Estadão Conteúdo - 14.01.2000

Além do grande futebol, feito de muita técnica e raça ao mesmo tempo, Rincón era um líder que empurrava o time e cobrava os companheiros. Muitas histórias, envolvendo principalmente Edilson e Marcelinho Carioca, entraram para o folclore do futebol brasileiro. 

"O Marcelinho queria tirar o Freddy do time e colocar o Amaral de titular. Eu falei pra ele que ia dar problema. Mesmo assim, ele foi em frente e chamou o Edilson, que também gostava do Amaral. Só que o Edilson reagiu e retrucou: 'Voce é louco, o negão joga pra caramba'. Mas o Marcelinho não desistiu e deu entrevistas dizendo que o Freddy tinha que sair do time. Foi uma confusão. O Freddy fez uma reunião, pegou o Marcelinho pelo pescoço, levantou ele do chão com a língua saindo pela boca e disse: 'Você vai se arrepender do que tá fazendo'. A turma do deixa disso, sempre alerta, entrou em ação rapidamente para acalmar os ânimos. E o colombiano, claro."

Outro episódio lembrado por Vampeta: "O Edilson errou um passe num jogo importante da Libertadores e foi repreendido pelo Freddy, que gritou: 'Edilson, toca a bola!'. Bocudo, o Edilson respondeu: 'Você, como reserva do time, quer falar o quê?'. E soltou um palavrão. O Freddy chegou no vestiário espumando, chutando água e tudo o que encontrava pela frente, indo na direção do Edilson. Sentindo o que poderia acontecer, eu pedi calma pra ele. 'Eu não vou bater nele, só quero conversar.' Antes de encarar o Freddy, o Edilson falou: 'Pô, Rincón, você só está batendo nos pequenos, briga com o Vampeta, que é do seu tamanho'. Eu, que não sou bobo nem nada, falei: 'Calma aí, Edilson, que o cara é meu amigo, não me joga contra ele, não'. E saí do meio da confusão, com todo mundo dando risada".

Histórias como essas, viagens pelo mundo, concentração — foram tantas passagens que criaram um vínculo muito forte entre Vampeta e Rincón. Por isso o lamento pela perda do ex-companheiro e amigo: "A gente estava sempre junto, isso marca muito a gente. É muito triste perder um amigo como o Freddy".

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