Valendo uma vaga na Copa, Argélia e Burkina Faso se enfrentam em clima tenso
Futebol|Do R7
Cerca de 5.000 policiais ficarão responsáveis por garantir a segurança do duelo entre Argélia-Burkina Faso em Blida, pela repescagem africana para a Copa do Mundo-2014, em confronto que ficou mais tenso após a polêmica vitória por 3-2 dos burquinenses na ida.
"Na volta, vamos acabar com eles", prometeu o jornal esportivo argelino Le Buteur no dia seguinte a vitória do Burkina Faso, marcada pelos dois pênaltis duvidosos a favor dos mandantes.
Diante da crescente tensão que envolve o jogo, a Federação de futebol de Burkina Faso (FBF) cogitou não levar torcedores a Blida, mas decidiu finalmente que cerca de 50 deles ganhariam ingressos para viajar até o local da partida.
De acordo com o presidente da FBF, Sita Sangaré, a questão é "se precaver e não expor nossos torcedores a um cenário tão nocivo" que estará esperando pela delegação burquinense.
"Nós já sabemos como será a atmosfera e não é a primeira vez que vivemos tal situação. Os jogadores sabem o que é pressão, e já passaram por isso na fase de grupos em Niamei contra o Níger e em Pointe-Noire contra os Diabos Vermelhos do Congo", garantiu o ministro dos Esportes de Burkina Faso, Yacouba Ouédraogo.
A febre da seleção local está crescendo na Argélia. Os argelinos precisam vencer para conquistar a vaga, em busca da quarta participação em uma Copa do Mundo para o país após 2010, 1986 e 1982. Para Burkina Faso, a classificação seria um feito inédito.
A cidade de Blida, 50km ao sul de Alger, foi invadida há vários dias por torcedores dos "Verdes" cantando sem parar o famoso grito de guerra da seleção: "one, two, three, viva a Argélia!".
Sem importar-se com a chuva e o frio que assolam o norte do país há mais de uma semana, os torcedores, usando a bandeira nacional como cobertor, lotaram desde sábado as bilheterias do estádio para tentar conseguir um dos 40.000 ingressos postos à venda.
Mais de 50 pessoas ficaram feridas no sábado após uma confusão entre torcedores que se revoltaram quando não conseguiram comprar um ingresso e a polícia precisou intervir na tentativa de dispersá-los, de acordo com jornais locais.
Em meio aos tumultos, alguns torcedores foram atingidos por tiros de bala de borracha e pedras.
O estádio Mustapha Tchaker é um local mítico para os argelinos, onde a seleção jogou 19 vezes desde 2009 sem jamais ser derrotada.
Na seleção argelina, a frustração com a partida de ida ainda não desapareceu. "Ainda não consegui engolir a derrota de Ouagadugu. A injustiça da qual minha equipe foi vítima por parte do árbitro me deixou furioso", disse o exaltado técnico da Argélia, Vahid Halilhodzic, na última sexta-feira em coletiva de imprensa.
Remando contra a maré, o presidente da Federação argelina de futebol, Mohamed Raouraoua, pediu aos torcedores para que respeitem o 'Fair Play' e a execução do hino nacional do Burkina Faso", mas é improvável que isto seja feito.
"Será um clima quente, mas vamos fazer nossa parte", comentou Charles Kaboré, capitão de Burkina Faso. "Estamos conscientes que não será fácil. Isto é normal, no futebol moderno e profissional, nada é fácil. Nós jogamos partidas talvez ainda mais difíceis que esta. Não é necessário colocar pressão em nós mesmos de maneira desnecessária", completou.
O treinador burquinense, Paul Put, não quis falar do clima da partida, preferindo se restringir a comentar o que acontecerá dentro de campo. "Será difícil para as duas equipes. A equipe que estiver melhor preparada mentalmente vencerá".
Além de Argélia e Burkina Faso, as seleções de Gana e Egito também disputam nesta terça-feira uma vaga na Copa do Mundo do Brasil de 2014. Gana, porém, está virtualmente classificada já que venceu a primeira partida por 6-1 em casa.
No último fim de semana, Nigéria, Costa do Marfim e Camarões foram as primeiras seleções africanas a se classificarem para o Mundial brasileiro.
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