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BRASILEIRO 2022

Um (inédito) técnico estrangeiro na seleção brasileira?

Futebol|Luís Calvozo

Última partida da seleção brasileira foi a derrota para a Argentina por 4 a 1 Rafael Ribeiro/CBF

Quando o assunto é seleção brasileira a pergunta do momento é: qual técnico estrangeiro devemos escolher? Porque parece superada a pergunta anterior: se deve ser mesmo um técnico estrangeiro. É quase unânime entre comentaristas, ex-jogadores e até na torcida pelo país afora, que deve ser um gringo.

Para quase todos essa seria a única forma de conseguirmos o tão sonhado hexa, já que os nossos treinadores desaprenderam, não servem, estão superados. E ninguém se importa mais com aquele dado interessante, nada desprezível, talvez até fundamental de que jamais uma seleção foi campeã mundial com técnico estrangeiro. Não lembrava disso?

Pois é, nunca aconteceu e mais: das 22 finais de copa do mundo acontecidas, em apenas duas havia uma seleção com técnico estrangeiro. E eles perderam. Em 1958 a Suécia, com o lendário técnico inglês George Raynor foi goleada pelo Brasil de Vicente Feola, por 5x2 — aquele mundial que viu o surgimento de Pelé. E em 1978 a Holanda, na segunda edição da laranja mecânica, com o austríaco Ernest Happel, foi derrotada pela Argentina de César Menotti — naquele mundial organizado e assediado pela ditadura do nosso país vizinho.

Nas vinte outras decisões de Copa do Mundo, as seleções em campo tinham técnicos nascidos no próprio país. Ou seja: comentaristas, jogadores, ex-jogadores e população brasileira estão apostando em um acontecimento duplamente inédito! Duplamente porque o Brasil jamais apostou nisso. Junto com a Alemanha, são os únicos dos oito países já campeões mundiais que nunca se arriscaram em uma Copa com técnico estrangeiro. Uruguai, Itália, Argentina e França já tentaram uma vez. Inglaterra e Espanha tentaram três vezes cada. Mas só conseguiram alguma coisa com técnicos feitos em casa, como vimos.


São sempre diferentes as circunstâncias que fazem as federações locais apostarem em mudanças radicais como essas. Num momento tão importante, entregar a responsabilidade pela maior glória a “um de fora”, desprezando os cinco títulos mundiais e todo o conhecimento e experiência que já existem em casa, mostra mesmo um desejo de jogar fora alguma sabedoria acumulada e com isso arriscar um salto no desconhecido. Mas o que fizeram (ou não fizeram) os técnicos brasileiros para merecerem esse desprezo?

Quando uma Copa do Mundo se aproxima o movimento do futebol planetário tem sido exatamente o oposto a este que a opinião pública brasileira quer fazer. Se uma seleção quer surpreender no mundial e pretende um técnico estrangeiro, os mais procurados são justamente os brasileiros. Ao longo das 22 disputas havidas, de 1930 a 2022, foram 39* os técnicos brasileiros presentes, mais que qualquer outra nacionalidade. Bem abaixo aparecem os argentinos, 32 vezes, os alemães, em 30, os franceses, 27 vezes e os outros, mais abaixo ainda.


Número de técnicos em Copas do Mundo, segundo a nacionalidade (top 10)

Brasil 39* Itália 25

Argentina 32 Espanha 22


Alemanha 30 Holanda 16

França 27 Uruguai 15

Inglaterra 26 Escócia e Suécia 13

*Contando as duas Copas de Alexandre Guimarães com a Costa Rica, nascido no Brasil, mas costa-riquenho desde garoto. Se comandasse o Brasil não seria estrangeiro.

O Brasil clama pela primeira Copa do Mundo sem um técnico brasileiro (que imaginamos ser o caminho mais fácil para a primeira Copa de um estrangeiro campeão mundial, etc, etc, como dizem os números). E pode ser também a primeira vez de Guardiola comandando uma seleção. Ou de Ancelotti. Ou de Jorge Jesus. Tem muita coisa aí que precisa acontecer pela primeira vez, que tem que dar certo, para consertar tudo o que está errado.

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