Travaglini viveu experiência única durante Democracia Corintiana
Treinador dividiu várias decisões do Timão com outros funcionários e jogadores
Futebol|Do R7

Falecido na noite desta quinta-feira (20) em decorrência de um câncer cerebral, o ex-técnico Mario Travaglini podia se gabar de ter vivido uma experiência única em sua carreira. Ao assumir o Corinthians em 1982, ele foi um dos eixos da experiência da Democracia Corintiana, movimento político dentro do clube que é lembrado até hoje.
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Ao contrário do que se espera de um técnico de futebol, Travaglini tinha pouco comando sobre decisões de bastidores, como o local de concentração, a chegada de reforços e até a escalação da equipe. Isso porque a Democracia preconizava que todas as decisões seriam tomadas através de votação, cujos eleitores abrangiam desde o presidente até o roupeiro, passando, claro, por jogadores e pelo próprio Travaglini.
Muitos não aceitariam este modelo de “autogestão”, mas Travaglini abraçou a ideia e os resultados apareceram: depois de uma temporada desastrosa em 1981, quando foi 26º no Campeonato Brasileiro e 8º no Paulistão, o Timão se tornou bicampeão estadual em 1982 e 1983, além de ter suas contas sanadas.
A Democracia, porém, começou a acabar em 1984, com as saídas de Sócrates e Casagrande do clube. O golpe final foi a vitória de Vicente Matheus nas eleições de 1985.
Vale lembrar que, apesar da identificação com o Corinthians, Travaglini é querido por outras grandes torcidas graças às suas façanhas, como o Campeonato Paulista em 1966 e a Taça Brasil em 1967 pela “Academia” do Palmeiras, o Nacional de 1974 e o “descobrimento” de Roberto Dinamite pelo Vasco e o Carioca de 1976 pelo Fluminense.














