Futebol Tiago Nunes tem parte da culpa, mas não merece ser demitido

Tiago Nunes tem parte da culpa, mas não merece ser demitido

Treinador falha no comando da equipe no segundo jogo, mas é competente e busca um futebol corajoso. O Corinthians não arrumaria hoje nada melhor

Corinthians, Libertadores, eliminação

Pedrinho (foto) foi expulso com justiça e Cássio falhou no gol do time paraguaio

Pedrinho (foto) foi expulso com justiça e Cássio falhou no gol do time paraguaio

Amanda Perobelli/Reuters - 12.2.2020

Corinthians dois, Guaraní do Paraguai um, na Arena Corinthians, pela Copa Libertadores 2020.

Apesar do triunfo, o Timão, com a derrota por um a zero na partida de ida, está, uma vez mais, fora da Libertadores na fase prévia da competição.

Não seria justo, no entanto, que a eliminação custasse o cargo ao treinador Tiago Nunes.

As poucas partidas deste início da temporada, incluindo as duas da Libertadores, foram suficientes a constatação de que o Corinthians de Nunes propõe um futebol mais combativo, vistoso, corajoso e digno do tamanho do clube do que o visto sob a batuta dos anteriores Fábio Carille, Jair Ventura e Oswaldo de Oliveira.

Esse negócio de obrigação no futebol é cascata pura. Pressupõe que algo está decidido antes de ser jogado – e, se for assim, não seria necessário haver jogo. Dito isso, é preciso reconhecer que o Corinthians perdeu, antes de tudo, para suas falhas técnicas, táticas e de planejamento na partida, o que inclui uma parcela para o treinador.

Fez dois a zero com facilidade aos 31 minutos da primeira etapa.

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Teve uma hora para, empurrado pela torcida, pressionar o adversário e arrumar o terceiro gol salvador. Mas, apesar de todo o conforto do placar e do ambiente, não demonstrou coragem e estratégia para apertar os paraguaios em busca do objetivo tão importante para a temporada.

Tomou o gol aos sete da segunda etapa. Técnico e jogadores tiveram, portanto, mais de 40 minutos, incluindo os descontos, para acalmar os nervos e encontrar a saída. E isso contra uma equipe que exibe grandes fragilidades e inconstâncias, apesar de ainda não ter perdido no Paraguai neste início de temporada.

Os dois cartões amarelos e o vermelho que tiraram Pedrinho do jogo foram justos. E Cássio chegou na bola, chegou a tocar nela, mas falhou na firmeza para afastá-la.

Tiago Nunes falhou.

Esteve longe de mostrar a frieza e a habilidade de comando exibidas até o ano passado no comando do Athletico-PR, que renderam à equipe paranaense uma Copa do Brasil, entre outras conquistas. Mas, ainda assim, merece continuar seu trabalho.

O treinador se esforçou claramente para trazer reforços de peso, mas foi impedido, fundamentalmente, pela incapacidade de investimento do Corinthians neste momento de cofre vazio.

Por isso, o correto é dividir o custo da eliminação entre jogadores, cartolas e o técnico.

Provavelmente com a menor parte da conta para o treinador, que é correto, competente e ainda tem coisas boas a oferecer ao clube.

Mesmo porque, diante do que o mercado tem a oferecer no momento, o Corinthians não teria como arrumar coisa melhor.

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