Futebol Superliga: decisão judicial reabre ideia de polêmico projeto que pode substituir a Liga dos Campeões

Superliga: decisão judicial reabre ideia de polêmico projeto que pode substituir a Liga dos Campeões

O Real Madrid e o Barcelona são os principais entusiastas da competição, que gera dúvidas sobre o futuro do futebol europeu

  • Futebol | Do R7, com informações da AFP

Presidente do Real Madrid é um dos entusiastas da Superliga

Presidente do Real Madrid é um dos entusiastas da Superliga

Angel Díaz/EFE - 17.12.2019

A Justiça europeia decidiu nesta quinta-feira (21) que as regras da Uefa de 2021 contra a Superliga, polêmico projeto concorrente da atual Liga dos Campeões, são contrárias à lei. A decisão parece reabrir a disputa sobre o futuro do futebol europeu.

"As regras da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) que sujeitam qualquer projeto de uma nova competição de futebol de clubes, como a Superliga, a sua autorização prévia e que proíbem clubes e jogadores de participar dela, sob pena de sanções, são ilegais", afirmou em um comunicado o tribunal, com sede em Luxemburgo.

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), que se pronuncia sobre as regras da Fifa e da Uefa em vigor em 2021, momento do início do procedimento, avalia que os poderes dessas duas organizações não foram acompanhados de "critérios que permitam garantir a sua transparência, objetividade, não discriminatória e proporcional", razão pela qual considera que "estão abusando de sua posição dominante".

A instância judicial afirma, no entanto, que a decisão não significa que o projeto da Superliga "deve necessariamente ser autorizado", ressaltando que se pronuncia de forma geral sobre as regras da Fifa e da Uefa, e não sobre este "projeto específico".

Clique aqui e receba as notícias do R7 Esportes no seu WhatsApp
Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp
Compartilhe esta notícia pelo Telegram
Assine a newsletter R7 em Ponto

Imediatamente após o anúncio, a empresa A22, criada para organizar a Superliga, anunciou um novo projeto de torneio com 64 clubes, "sem nenhum membro permanente", dividido em três categorias, com sistema de acesso e rebaixamento, e prometeu sua transmissão por uma plataforma de streaming, mas sem especificar as datas nem quais clubes participarão.

O presidente da A22, Bernd Reichart, havia publicado na rede social X que o "monopólio da Uefa acabou. O futebol é livre", reagiu.

Em oposição, a poderosa Associação Europeia de Clubes (ECA, na sigla em inglês) saiu em defesa da Uefa, garantindo que o futebol europeu está "mais unido do que nunca contra as tentativas de alguns indivíduos" de organizar torneios privados, segundo um comunicado.

Gigantes espanhóis apoiam, mas são minoria


O Real Madrid e o Barcelona são dois dos principais atores do futebol europeu que continuam a apoiar o projeto da Superliga. Os clubes se pronunciaram por meio de seus canais oficiais.

"A partir de hoje os clubes serão os donos do seu destino. Os clubes reconhecem o nosso direito de propor e promover competições europeias que modernizem o nosso esporte e atraiam fãs de todo o mundo. Definitivamente, hoje a Europa das liberdades voltou a triunfar, e hoje o futebol e os seus adeptos também triunfaram. O futebol europeu não é e nunca mais será um monopólio", comemorou o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez.

Na mesma linha do seu histórico rival, o Barcelona também acenou positivamente ao projeto.

 “Acreditamos que chegou a hora de os clubes, e mais ainda, aqueles que são propriedade dos seus sócios, como é o caso do FC Barcelona, ​​terem maior controle sobre o seu destino, o seu futuro e a sua própria sustentabilidade", declarou Joan Laporta, presidente do clube catalão.

Segundo a imprensa europeia, o Napoli, atual campeão italiano, é um dos gigantes do continente que também apoiam a criação do projeto, que conta com a ampla rejeição dos fãs do esporte.

No entanto, dezenas de clubes do Velho Continente se posicionaram contrariamente à Superliga. A dupla de Manchester — United e City —, o Chelsea, o PSG, o Bayern de Munique, a Inter de Milão e o Atlético de Madrid foram apenas alguns que emitiram comunicados em que rejeitam o novo modelo.

Apesar da notícia, a Uefa, entidade que rege o futebol euripeu, minimizou a decisão e reforçou que ela se refere a "um aspecto técnico" que já tinha sido reconhecido e corrigido em junho de 2022, com novas regras.

"Essa derrota não significa uma aprovação ou validação da chamada Superliga. Em vez disso, ressalta uma lacuna pré-existente" nos regulamentos da Uefa, afirmou a associação esportiva, expressando sua "confiança" na legalidade das novas normas.

Outras entidades reagiram à decisão do TJUE ao reafirmar sua posição contra a Superliga.

A Liga Espanhola de Futebol (La Liga) também destacou nas redes sociais o caráter "egoísta e elitista" que a Superliga teria por ser "um modelo fechado", organizado por uma série de clubes ricos, sem acesso dos restantes.

Já a associação de torcedores Football Supporters Europe considerou que "não há espaço no futebol europeu para uma Superliga separatista".

Superliga gerou 'motim' em 2021

A ameaça de uma divisão parcial dos clubes mais poderosos, que sonham com um modelo lucrativo como o das ligas fechadas no esporte americano, embora mantendo-se em seus respectivos campeonatos nacionais, paira sobre o futebol europeu há duas décadas.

Em abril de 2021, 12 grandes clubes do continente anunciaram a criação de uma competição privada, com um enorme potencial econômico, apenas algumas horas antes de a Uefa apresentar um projeto de reforma na Liga dos Campeões, o principal torneio do futebol europeu e rival direto de uma hipotética Superliga.

Após a surpresa inicial, a Uefa e a Fifa ameaçaram punir os clubes que aderissem à iniciativa.

A forte oposição das torcidas, em especial na Inglaterra, levou nove clubes do projeto a desistir publicamente de continuar na competição. O "motim" foi reprimido em menos de 48 horas.

Dois anos mais tarde, o Real Madrid e o Barcelona continuam se recusando renunciar ao torneio alternativo, que, sem a presença de outros grandes clubes no projeto, parece chegar a um beco sem saída.

Real Madrid arrecada R$ 7,1 milhões por publicação nas redes sociais; veja o ranking

Últimas