Futebol Próxima sede do Pan, Chile já estuda locais de disputas e futuras obras

Próxima sede do Pan, Chile já estuda locais de disputas e futuras obras

Daqui a quatro anos, o já tradicional canto "chi-chi-chi-le-le-le" será ainda mais ecoado pelos eufóricos torcedores nas ruas, em ginásios, campos e nos mais diversos locais de provas. Pela primeira vez na história, o Chile receberá uma edição dos Jogos Pan-Americanos e o país já começou a contar os dias para a competição, que acontecerá em Santiago entre outubro e novembro de 2023.

Os preparativos já tiveram início. Além do logo do Pan, lançado no mês passado, o presidente da República, Sebastián Piñera, apresentou no final de 2018 a Corporación Santiago 2023, que será responsável pela organização do evento. O grupo é formado nove membros e conta com ex-atletas, como Fernando González, medalha de ouro no tênis na Olimpíada de Atenas (2004), além de representantes dos Comitês Olímpico e Paralímpico do Chile, e profissionais do ramo da administração de projetos esportivos.

"Até dezembro, vamos avaliar os locais que possivelmente receberão as competições e também criaremos um calendário de provas. Com isso feito, 2020 será de implementação, de início das obras", afirma Karl Samsing, presidente da Corporación Santiago 2023.

A maioria das competições ocorrerá em Santiago, mas algumas delas vão acontecer em cidades que estão a até 90 km de distância da capital chilena. É o caso das litorâneas Valparaíso e Viña del Mar, que deverão receber provas de vela e triatlo, e de Los Andes, sede da canoagem.

Santiago receberá mais de 70% das disputas. O Parque Estádio Nacional será a casa da natação, do tênis e do atletismo. O local, que já foi palco da Copa do Mundo de 1962 e da Copa América 2015, entre outras, também contará com as finais do futebol e as cerimônias de abertura e encerramento.

De acordo com a ministra do Esporte, Paulina Kantor, como muitas instalações esportivas já existem, elas passarão apenas por reformas e adequações. Um exemplo é a Arena Movistar, situada no Parque O’higgins. Ela abrigará as partidas de basquete. "Sobre as novas construções, já anunciamos o campo de hóquei, que será muito importante, pois não temos campos públicos no Chile", diz Paulina.

O Pan também é visto como oportunidade para o Chile atacar problemas que assolam a população. O país sofre com sérios problemas de obesidade entre os seus habitantes. Um informe da ONU, de julho, mostra que quase 4 milhões de adultos chilenos são obesos. É a segunda maior taxa da América Latina.

"Os Jogos Pan-Americanos podem ir além do evento. Queremos que eles ajudem a criar no país uma consciência da importância de se fazer atividade física, praticar um esporte, e que isso seja incorporado como um valor no cotidiano de cada um em prol da melhor qualidade de vida. Esse é o legado que queremos deixar", afirma a ministra.

ECONOMIA - Sede do próximo Pan, o Chile pretende ser econômico em suas obras de infraestrutura. O orçamento previsto é de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão). "Alguns podem dizer que é pouco, mas nós, do governo, avaliamos que é o necessário, pois já contamos com algumas instalações esportivas e elas necessitam apenas de reformas", afirma a ministra do Esporte.

A Vila Pan-Americana de Santiago será fruto de uma parceria público privada e o seu custo, de US$ 200 milhões (R$ 788 milhões), não está incluído no orçamento do governo. Com um total de 2.028 apartamentos divididos em 24 torres, será construída no Parque Bicentenário de Cerrillos.

Após a competição, os apartamentos da Vila deverão ser destinados a atletas chilenos, se for aprovado projeto de lei da ex-corredora Érika Oliveira, que esteve em cinco Pans e hoje é deputada. "No Chile, os esportistas não são considerados trabalhadores. Portanto, não são permitidos a eles os subsídios habitacionais, como o crédito hipotecário, porque não têm como justificar a renda. Por isso propus esse PL", explica a ex-maratonista, ouro no Pan de Winnipeg (1999) e bronze em Santo Domingo (2003).