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Prandelli: "a Itália tem tudo para fazer uma grande Copa"

Futebol|Do R7

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Mesmo sem contar com muitos craques consagrados como os outros candidatos ao título na Copa do Mundo do Brasil-2014, a seleção italiana aposta no seu novo estilo de jogo ofensivo e na sua "grande força coletiva", declarou à AFP o técnico Cesare Prandelli.

Em entrevista realizada no Centro de Treinamento de Coverciano, perto de Florença, ele reconheceu que a 'Nazionale' faz parte do "segundo escalão dos favoritos", mas acredita no potencial da sua equipe para "fazer uma grande Copa".


- Por que sua seleção venceu apenas 4 dos 17 amistosos que disputou desde agostos de 2010?

"Enfrentamos a Alemanha, a Espanha, a França a Inglaterra, a Argentina... Foram jogos equilibrados. Por exemplo, contra a França (derrota por 2 a 1, em novembro de 2012), fizemos uma boa partida, eles também. O que me interessa é o que mostramos em campo, para procurar melhorar sempre. Realmente, não posso contestar os números, talvez tenha algo a melhorar na nossa forma de encarar os amistosos".


- Com a Itália já classificada para a Copa, vocês vão encarar os últimos jogos das eliminatórias (contra Dinamarca, nesta sexta-feira e Armênia, na próxima terça-feira) como amistosos?

"De jeito nenhum, temos que confirmar a nossa quarta posição no ranking da Fifa e manter a nossa invencibilidade".


- Você vai testar novos jogadores, como Marco Verrati, que vem sendo apresentado como o novo Pirlo?

"Sim. No PSG, ele foi usado em outra função, não apenas na frente da defesa, mas também como meia. Estou interessado em vê-lo jogar nesta posição. Para preparar o pós-Pirlo, temos que trabalhar com antecedência. Marco foi muito elogiado na sua primeira temporada. Agora, ele está sendo mais cobrado, não é mais um novato".


-Você já criticou a falta de progressão de jovens jogadores...

"Não estava me referindo a Marco especificamente, mas aos jovens em geral. Havia muitos há um ano, jovens promessas, e parece que ele é o único que bate na porta do time titular. Os outros estão mostrando mais dificuldade, na exceção de Lorenzo Insigne (atacante do Napoli)".

-A Itália tem apenas três craques de classe mundial, dois veteranos, Gianluigi Buffon e Pirlo e um jovem inconstante, Mario Balotelli. Você concorda com esta análise?

"Essa imagem parece justa, mas de qualquer forma, a força da nossa equipe é coletiva. Você pode ter estrelas, mas sem um conjunto de grandes jogadores, não consegue obter bons resultados. Eu estou convicto de que posso contar com atletas que, mesmo sem ter o status de estrelas mundiais desses três, são ótimos jogadores".

-Então, a estrela seria o técnico?

"Óbvio que não. Essa equipe entendeu a importância de criar não somente um espírito, mas também um estilo de jogo. Procuramos desenvolver um jogo que exalte as caraterísticas dos nossos jogadores, pensando sempre no resultado, porque sem o resultado seria apenas conversa fiada. Fizemos boas partidas, e o nosso mérito foi o fato de sempre tentar produzir um jogo vistoso. Às vezes enfrentamos adversários muito fortes, como na Copa das Confederações, mas procuramos jogar bem. Contra a Espanha (na semifinal) usamos uma linha de cinco na defesa, e foi a primeira vez que vimos a Espanha esperar o erro do adversário para chutar a gol. Fomos parabenizados. Os resultado não veio (a Itália perdeu nos pênaltis), mas a ideia estava lá.

-De onde vem a força tática, marca registrada da seleção italiana?

"Não sei dizer. Primeiro, é preciso explicar uma vez por todas o que é a tática, senão as pessoas vão achar que a Itália só faz tática o tempo todo. Ter tática significa 'saber o que pode acontecer', mas depois, os grandes jogadores sempre podem trazer algo a mais. A tática não ensina a Francesco Totti o tempo do passe ou do drible. A tática pode ajudar as equipes que não têm muita qualidade técnica, que não têm talentos individuais capazes de interpretar situações de jogo. É preciso ter uma base a partir da qual desenvolvemos o nosso jogo".

-A Itália pode ser considerada uma das favoritas da Copa?

"Meus jogadores interpretaram muito bem o nosso potencial. Gigi Buffon está certo quando diz que fazemos parte do segundo escalão dos favoritos, e gosto da visão de Giorgio (Chiellini), que diz que precisamos compensar a falta de individualidades com a nossa força coletiva. Se encararmos a competição com estes pensamentos, tenho a convicção que temos tudo para fazer uma grande Copa. Temos que sonhar grande, sem especificar qual é o nosso sonho"

Entrevista realizada por Emmanuel Barranguet

eba/jgu/lg

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