Futebol Patrocínio na camisa dos clubes sofre forte abalo com pandemia

Patrocínio na camisa dos clubes sofre forte abalo com pandemia

Relatório de auditoria aponta que receita comercial e patrocínio tiveram queda, para clubes europeus, estimada em US$ 160 milhões (R$ 904 milhões)

  • Futebol | Eugenio Goussinsky, do R7

Empresas têm revisto patrocínio nos clubes

Empresas têm revisto patrocínio nos clubes

Daniele Mascolo/Reuters/21-09-19

Os prejuízos financeiros sofridos pelos clubes com a pandemia causada pelo novo coronavírus retratam toda a engrenagem da economia, direcionada ao futebol.

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Entre as empresas que mais patrocinam clubes estão as companhias aéreas, as redes hoteleiras e alimentares. O patrocínio delas, neste momento, está sendo drasticamente reduzido, em termos de valores.

"O que acontece é que essa pandemia causou perdas ainda mais graves do que as da quebra da bolsa de Nova York em 1929. É uma questão de saúde, por isso ainda mais delicada. Não dá para dizer que seja muito difícil outra ocorrer, mas é um caso atípico. Mesmo assim, a partir dela, as empresas deverão se precaver mais quando assinarem contratos. Isso vale para os patrocinadores dos clubes de futebol", diz o consultor esportivo Antonio Afif.

A Emirates patrocina clubes como Milan, Arsenal e Real Madrid. A empresa suspendeu seus voos comerciais e reduziu de forma ampla os salários, por causa da pandemia. Desta forma, já pleiteia uma diminuição nos valores pagos pelo patrocínio a esses clubes.

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A AFP informou ainda que a rede de restaurantes francesa Bistro Régent suspendeu temporariamente seu contrato com o Bordeaux, do qual é o principal patrocinador, desembolsando até então US$ 1,5 milhão (R$ 8,5 milhões) por ano. A opção pela interrupção foi porque "não há benefício", segundo disse o diretor da empresa, Marc Vanhove, à agência.

Já o milionário  PSG, agremiação com maior poder financeiro do mundo, segundo a Soccerex,  pode ter alguns pontos revistos na parceria com a Accor.

"Quando você é patrocinador, o que você quer é visibilidade", disse o CEO do grupo Accor, Sébastien Bazin, à emissora francesa Europa 1. O clube aproveitou a oportunidade para, em vez do nome da marca, estampar a mensagem "All United", para arrecadar fundos para o combate à covid-19.

Segundo a assessoria da empresa, o grupo "permanecerá ao lado do seu parceiro enquanto leva em consideração o desenvolvimento dessa dramática situação e a retomada da temporada."

Relatório da empresa de auditoria internacional KPMG estima que a receita total das cinco principais ligas europeias - liga inglesa Premier, liga espanhola, Bundesliga alemã, Serie A da Itália e Ligue 1 da França - sofreu perdas de cerca de US$ 4,33 bilhões (R$ 24,3 bilhões). Na área de receita comercial e de patrocínio a queda foi em torno de US$ 160 milhões (R$ 904 milhões).

Nesta paralisação, os conceitos de economia e de como se dá a estrutura dinâmica de uma sociedade ficaram completamente desnudados. Como se estivessem expostos para análise.

Em outras palavras, se não há jogo, não há plateia. Não há patrocínio. E, indo mais além, no caso de uma companhia aérea, se não há clientes, não há voo e não há motivo para expor a marca. A engrenagem do futebol e do mundo está parada.

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