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BRASILEIRO 2022

Para institutos europeus, maior vexame do Brasil na Copa foi fora de campo

Em levantamento, entidades avaliaram torneio de forma negativa para o País

Futebol|Do R7

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No campo, Brasil ficou lembrado por massacre da Alemanha
No campo, Brasil ficou lembrado por massacre da Alemanha

Três meses depois do final da Copa do Mundo, um estudo encomendado por entidades europeias alerta que o Brasil "perdeu o Mundial" fora de campo. Um levantamento realizado pela instituição suíça Solidar, em parceria com a entidade alemã Institut Heinrich Böll concluiu que cidades-sede aumentaram suas dívidas e o estado foi obrigado a arcar com parte importante dos custos do Mundial, enquanto a Fifa deixou o País com um lucro recorde e sem pagar impostos.

Em novembro, a Fifa voltará ao Brasil para uma reunião para avaliar o impacto da Copa. Se não existe dúvida de que, em campo, o Mundial foi um sucesso, a avaliação sobre o impacto para o País divide opiniões entre especialistas e governo, que destaca o fluxo de torcedores e o impacto positivo para a imagem do País. Para membros da Fifa, o impacto real da Copa no Brasil apenas será conhecido em um prazo de cinco anos.


Mas essa não é a avaliação das entidades sociais europeias. Segundo a Solidar, entidade com 70 anos e que trabalha no campo do desenvolvimento social, o País pagou caro com a realização do torneio.

— O apito final foi dado há três meses. Mas foi o Brasil quem perdeu. Os brasileiros pagaram um preço alto pela Copa. Foi o Mundial mais caro de todos os tempos — US$ 13,3 bilhões — aproximadamente R$ 33 bilhões — e afetado por violações de direitos humanos.


De acordo com o levantamento, os investimentos do setor privado não conseguiram atender aos projetos inicialmente propostos, principalmente no setor de transporte. O resultado foi "uma redução dramática" no número de iniciativas.

— Vários projetos de construção foram anulados - especialmente um terço dos projetos de transporte público previstos — ou ficaram para depois da Copa.


O documento também mostra que o endividamento das cidades-sede chegou a aumentar em 51%. Mesmo cidades que não receberam jogos tiveram um aumento da dívida de 20%.

No que se refere aos estádios, a constatação do levantamento é de que o preço médio das arenas ficou duas vezes superior aos estádios da Alemanha em 2006 e África do Sul em 2010. Por assento, a Copa custou em média R$ 15,41 mil no Brasil. Na Alemanha, ela saiu por R$ 8,95 mil e R$ 8,2 mil na África do Sul.


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O estudo também acusa os organizadores de terem erguido quatro "elefantes brancos".

— São estádios superdimensionados e praticamente inutilizados.

O impacto sobre os vendedores ambulantes teria sido importante. Dos 350 mil vendedores nas 12 cidades que acolheram jogos, apenas 4 mil deles puderam trabalhar nas redondezas das arenas. O estudo também estima que 250 mil pessoas em todo o País foram desalojadas durante sete anos de obras, "frequentemente sem compensação".

— Os mais pobres no Brasil perderam sua fonte de renda.

Outro aspecto foi a "repressão contra manifestantes".

— A militarização fez parte das tristes consequências deste Mundial.

FIFA

Diante de um "resultado desastroso", as entidades querem que a Fifa modifique a forma de organizar os torneios no futuro.

— A Fifa obteve um lucro recorde e solicitamos à entidade de assumir no futuro de forma séria suas responsabilidades na qualidade de instituição organizadora.

Segundo o levantamento, a Fifa teria uma renda recorde que poderá variar entre R$ 10 bilhões e R$ 12,5 bilhões por conta do Mundial. Os lucros seriam de cerca de R$ 7,5 bilhões. Para Joachim Merz, representante da Solidar Suisse, a Fifa precisa exigir que os países sejam mais colaborativos com os direitos humanos em futuros mundiais.

— É escandaloso que a Fifa consiga fazer com que os custos sejam assumidos pelo estado brasileiro, mas que mantenha os lucros. É preciso que os próximos Países-sedes possam se comprometer e respeitar os direitos humanos, as normas internacionais de trabalho, acabar com privilégios fiscais e considerar os trabalhadores do setor informal.

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