Pandemia expõe diferença entre futebol feminino e masculino

Segundo Andressa Alves, atleta da Roma e da seleção brasileira, disparidade de investimentos entre modalidades influenciou no retorno do esporte

Andressa Alves é meia-atacante da Roma e da seleção brasileira

Andressa Alves é meia-atacante da Roma e da seleção brasileira

Daniela Porcelli/CBF

Alguns dias após a temporada de futebol masculino ser encerrada na Europa e a retomada no Brasil, as mulheres voltaram aos gramados na semana passada. A meia-atacante Andressa Alves, que atua na Roma e na seleção brasileira, já havia dito, no início de maio, que o retorno do futebol feminino dependeria da volta do masculino. Segundo ela, em decorrência da disparidade de investimentos entre as modalidades.

"É um investimento muito maior (no masculino), principalmente nas questões de logística. Eles consegue viajar em voos fretados. Essas coisas que o futebol feminino, no Brasil, não consegue ainda oferecer", explicou a jogadora, em entrevista ao Estadão.

Mesmo na Europa, onde as competições femininas estão em níveis organizacionais e financeiros superiores às que ocorrem no Brasil, a disparidade de investimentos entre as categorias veio à tona. Na Itália, a competição nacional de futebol feminino foi encerrada antes das rodadas remanescentes serem concluídas. Por outro lado, o campeonato masculino foi restabelecido e pôde chegar ao fim.

"O masculino voltou porque sabemos que o investimento é muito maior, então, por isso, eles tiveram um controle superior e uma tranquilidade maior para jogar", explica a brasileira.

Coincidemente, na última quarta-feira (2), Rogério Caboclo, presidente da CBF, anunciou que as diárias entre homens e mulheres na seleção brasileira serão iguais. Segundo o dirigente, não haverá mais diferença de gênero. A informação foi divulgada durante uma coletiva de imprensa que também contou com a apresentação de Aline Pellegrino e Duda Luizelli, as novas coordenadoras de futebol feminino da entidade.

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Por outro lado, o futebol feminino brasileiro pode ser beneficiado. Isso porque os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para 2021. Desta forma, a seleção brasileira terá mais tempo para se familiarizar com a treinadora sueca Pia Sundhage e buscar uma medalha de ouro inédita na categoria.

"O tempo que teremos a mais para treinar será muito importante porque teremos ainda mais entrosamento com a Pia. Assim, ela conseguirá aprimorar nosso jogo ao estilo dela. Treinar seleção é difícil pelo pouco tempo que temos juntas, então o trabalho tem de ser muito bem feito para o resultado aparecer", explica a meia-atacante.

Durante o período de paralisação das competições, Andressa se casou com a medalhista olímpica Fran. As duas fizeram questão de mostrar o momento em que selaram o laço matrimonial em suas redes sociais. Andressa afirma que, como figura pública, sempre lutará contra a homofobia.

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"A homofobia está presente na sociedade, é uma luta constante que precisamos enfrentar, assim como o racismo. Eu sei que vai demorar para as pessoas entenderem, mas vou lutar sempre. Um dia os preconceituosos vão entender que o importante é ser feliz, estar com quem ama, ser do bem, não fazer mal a ninguém. Como figura pública, vou lutar sempre por essas causas", disse a atleta.

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