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'Palmeiras quer caminhar com as próprias pernas', diz presidente Paulo Nobre

Com conquista da Copa do Brasil em 2015, cartola faturou o primeiro título no Verdão

Futebol|Do R7

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Presidente ergueu a taça da Copa do Brasil junto com Zé Roberto
Presidente ergueu a taça da Copa do Brasil junto com Zé Roberto

Aliviado, mas não relaxado. Assim Paulo Nobre inicia 2016 no comando do Palmeiras. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o presidente do clube projetou a próxima temporada e afirmou que não pretende pedir ajuda à Crefisa, patrocinadora do clube, para contratações. Para manter as finanças equilibradas, o dirigente evita falar em contratações caras para disputar a Copa Libertadores.

O Palmeiras vai fazer grandes contratações para 2016?

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O conceito grande nome é algo particular para cada um. O que eu digo é que todo jogador que é uma estrela, um dia não foi. A gente não pretende trabalhar com irresponsabilidade financeira pelo simples fato de estar na Libertadores. O Palmeiras precisa ser forte sempre e vamos atrás de quem julgarmos necessário em posições que gostaríamos de estar mais reforçados.

Tem se falado que a relação entre Palmeiras e Crefisa não está boa. É verdade?

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A relação patrocinador e patrocinado cabe só às duas partes. Estou muito satisfeito e agradecido a todos os patrocinadores. Sem eles, dificilmente a gente teria chegado às conquistas.

A Leila Pereira (presidente da Crefisa e da FAM) falou que espera que o Palmeiras passe nomes para ela tentar contratar. Quando será feito isso?

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Eles pagam pontualmente um patrocínio maravilhoso. Não é porque eles têm muito dinheiro que têm a obrigação de investir no clube. Enquanto o Palmeiras conseguir caminhar com as próprias pernas, não é justo pedir ajuda.

As obras na Academia de Futebol (construção de um hotel para os atletas se concentrarem) que estavam sendo pagas pela empresa estão paradas. Por quê?

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Inicialmente, essa obra seria bancada pela Ambev. Os patrocinadores deram uma alavancada grande na obra, mas repito: eles não têm obrigação nenhuma. Ajudaram demais. Se terminarem a obra, será excelente. Caso contrário, vamos terminar no nosso ritmo.

Como está a saúde financeira do clube?

O Palmeiras equacionou todas suas dívidas de curto prazo e isso permite planejar o futuro. Não estamos nadando em dinheiro. Ainda temos muitas dívidas, mas conseguimos em 2015 não ter aporte do presidente, andar com as próprias pernas, começar a devolver o dinheiro emprestado e ser campeão. Provamos que é possível fazer futebol sem populismo e com responsabilidade.

O fato de ter as finanças equilibradas faz com que o assédio dos empresários aumente?

O Palmeiras é um dos primeiros clubes que os empresários procuram oferecendo jogadores, bem diferente do que acontecia nos últimos anos. O que não pode é entrar no oba-oba e querer o jogador a qualquer preço. Já ouvi que o jogador vale o que a torcida acha que ele vale. Isso é uma das maiores imbecilidades que pode se falar em administração de futebol. Jogador vale o quanto ele pode dar de retorno.

A WTorre tem repassado o valor dos shows e demais eventos que são realizados na arena?

Bom, situações entre Palmeiras e WTorre a gente trata na arbitragem. Não quero correr o risco de atrapalhar qualquer situação sobre esse tema.

Um tema polêmico é o fato de crianças menores de cinco anos terem de pagar ingresso nos jogos na arena, ao contrário do que ocorre em vários outros estádios. Isso deve ser revisto?

O Palmeiras não tem a liberdade de falar como cada pai tem de educar seu filho, mas temos um conceito. É um assunto que existe divergência na diretoria, mas enquanto eu for presidente, vou fazer valer uma coisa: se acontecer um tumulto com crianças no meio, a imagem que estará em risco é a do Palmeiras. Se o pai quer levar o filho em campo, não podemos proibir, mas não vamos incentivar. Sei que esse assunto gera discussão, mas o Palmeiras não cresce com torcedores de estádio. O que precisamos ter é um time competitivo, que orgulhe os mais de 16 milhões de torcedores.

O Palmeiras passa pouco na TV aberta. Como melhorar isso?

A TV não tem preferência para o clube A ou B, mas pela audiência. O Santos, na época do Neymar, passava direto porque o público queria ver o Neymar. Conversas existem constantemente e a gente pede para passar mais jogos na TV, mas para acontecer isso, o Palmeiras precisa ter mais interesse do grande público. A maior audiência de futebol em 2015 foi a final de Palmeiras x Santos, na Copa do Brasil. Isso pode ser reflexo para 2016.

O Palmeiras foi o único clube grande que não aderiu ao Profut (Programa de Responsabilidade Fiscal). Qual o motivo?

Essa questão não envolveria apenas minha administração, mas as futuras também. Conversamos com o COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) e eles acharam que não valia a pena entrar porque caso você não cumpra as exigências, perde tudo que tem hoje.

Como vê a crise no futebol brasileiro. É hora de os clubes se unirem e tentar mudar o rumo?

Tenho um relacionamento pessoal com o Marco Polo (Del Nero, presidente licenciado da CBF). Estudei com a filha dele e foi pelo Marco Polo que eu acabei entrando no clube, em 1983. Gosto dele e ponto final. Quanto mais transparência tiver, melhor para todo mundo. Os clubes de São Paulo se reuniram e decidimos votar em bloco. Fora isso, não adianta ficar fazendo escândalo e não ser efetivo. Não adianta querer dar golpe.

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