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BRASILEIRO 2022

Opinião: os melhores goleiros que eu vi jogar

No dia do goleiro, uma homenagem àquele que que faz defesas tão importantes quanto gols

Futebol|Eugenio Goussinsky, do R7

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O italiano Buffon é um dos melhores goleiros da história
O italiano Buffon é um dos melhores goleiros da história

Nunca concordei com a tese, muito em voga até os anos 90, de que o goleiro brasileiro não sabia sair do gol. Já tivemos excelentes goleiros muito firmes neste quesito, como Gylmar , Castilho e Manga. Sem contar que, para mim, sair bem do gol é um fator secundário para a avaliação de um goleiro.

Essa característica, por exemplo, nunca atrapalhou a imagem do goleiro Leão. Este não era daqueles que corriam pela área, atravessando uma floresta de zagueiros, se sobrepondo a eles para agarrar a bola catapultada como uma bomba por um ponta ou lateral. E nem por isso deixou de ser um goleiro excepcional.


Lá de trás, comandava a equipe aos gritos, às vezes exagerados e, aí sim, tinha as qualidades fundamentais que fazem de um goleiro o fator decisivo no futebol: elasticidade e reflexo.

Que lindo é ver um goleiro saltar como um acrobata e ir buscar a bola num ponto qualquer lá no alto, cair com o quadril amortecendo o impacto, como se desabasse reconfortado em uma cama. Para mim, a defesa bem feita é tão emocionante como um gol. Pura técnica, iniciativa repleta de ousadia e coragem.


Lembro-me de que ficava fascinado com aquelas chamadas “pontes” praticadas pelos arqueiros. Um dia, quando criança, ao saber que o jogo entre Corinthians e Palmeiras fora 0 a 0, não desanimei e perguntei: e o Jairo, fez alguma defesa bonita?

Fui ver o videoteipe, na transmissão dominical da TV Cultura, e só esperava o momento do grandalhão corintiano dar o salto no escuro, se arriscar naquilo que para mim era uma aventura fantástica.


Então, somente no segundo tempo, Jairo pulou e segurou ela com as duas mãos, o que para mim foi uma comoção. Vendo o lance hoje novamente, senti que a defesa nem foi tão impactante assim, mas, para um goleiro, e para quem o vê atuando, o que vale é o momento.

Somente entende uma defesa difícil quem a vivenciou naquele instante mágico, de puro reflexo, com toda a agitação do campo, a rapidez da jogada, a pressão da torcida. Sob chuva ou calor intenso. Uma defesa de Taffarel na semifinal contra a Holanda, na Copa de 1998, também me pareceu espetacular no momento e nem tanto na reprise.


Casillas, há alguns dias contra o Dortmund, se embrenhou no meio dos zagueiros para afastar uma bola que rebatera e...chegou antes para dar um tapinha providencial, salvando o Real Madrid. Quanta humildade mostra um goleiro em busca da recuperação de um erro.

Sinto falta de quando, em programas de TV, se valorizava, no final do domingo, a defesa da rodada. Coleciono em minha memória uma série de pulos, encaixadas, desvios sutis e crucias, espalmadas (que tipo de defesa linda...), rebatidas e depois recuperadas, por entre chuteiras e lascas de grama.

Também são bonitas aquelas defesas cruciais, quando, aí sim, o goleiro se transforma em algo além do acrobata. Ele vira o herói abnegado, o último combatente a manter vivo o sonho de um time, de uma nação. Exemplo foi a defesa do corintiano Cássio na semifinal da Libertadores de 2012, contra o Vasco, diante de um Diego Souza livríssimo para finalizar.

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Cássio e Jairo não são considerados os melhores goleiros que já existiram. Mas, para mim, fizeram defesas que me encantaram. Como tantos outros desconhecidos. Às vezes até preencheram vazios de uma partida sem gols.

Já Leão, este sim, está na lista dos maiores da história. E, na minha opinião, não só do Brasil. Ele se junta a nomes como Preud'homme, Maier, Zenga e Carrizo, que implantou as luvas de goleiro, entre outros. Goleiros assim são tão importantes que, somente pela presença e temperamento, dão o ritmo à equipe, podem mudar o jogo com um olhar.

Gostaria um dia que uma equipe entrasse em campo só com goleiros. Eu já teria a minha, com os melhores que eu vi. Rodolfo Rodriguez; Taffarel, Fillol, Raul e Preud'homme; Manga, Schmeichel e Leão; Buffon, Marcos e Petr Chech. Técnico: Valdir de Moraes, o que mais entendeu a alma de um goleiro. Mesmo se não saísse vencedor, pelos menos seria um time que iria saltar aos olhos.

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