‘Olimpíada do doping’ promove disputas sem restrições a substâncias proibidas; entenda
Iniciativa desafia regras históricas do esporte, reúne investidores ligados a Trump e mira novo mercado bilionário
Futebol|Do R7
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Entre os dias 21 e 24 de maio de 2026, Las Vegas, no Estados Unidos, será palco de um controverso e inovador evento: o Enhanced Games. Os jogos permitem, de forma aberta e regulamentada, o uso de substâncias proibidas para impulsionar marcas e quebrar recordes mundiais. Não à toa, o evento já ganhou o apelido de “Olimpíada do doping”.
A competição será realizada no Resorts World Las Vegas e terá provas de natação (50 m e 100 m livre, 50 m e 100 m borboleta), atletismo (100 m rasos e 100 m/110 m com barreiras) e levantamento de peso. A lista oficial de inscritos ainda é curta, com pouco mais de 30 atletas, mas inclui nomes conhecidos, como o nadador britânico Ben Proud e o velocista americano Fred Kerley, campeão mundial e medalhista olímpico nos 100 m.
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Por trás da proposta está o empresário australiano Aron D’Souza, que idealizou o projeto em 2022. Ele critica o modelo atual de controle antidoping e defende que a proibição apenas empurra atletas para o uso clandestino. A ideia dos “Jogos Aprimorados”, segundo ele, é tornar o processo transparente, assumido e supervisionado, transformando a “inovação biomédica” em espetáculo esportivo.
Filho de Trump entre financiadores
O financiamento também chama atenção. O projeto recebeu aportes de investidores de peso, como o bilionário Peter Thiel, cofundador do PayPal e um dos primeiros investidores do Facebook. Em 2024, a 1789 Capital, empresa que tem Donald Trump Jr. como sócio, anunciou participação no negócio. O filho do presidente dos EUA declarou que o evento representa “competição real, liberdade real e recordes reais”, associando a iniciativa ao discurso de inovação e liderança americana.
Mas os Enhanced Games vão além do esporte. A competição faz parte de uma estratégia maior de negócios baseada na chamada “medicina de performance”. Inspirado no impacto econômico de medicamentos como o Ozempic, usado para emagrecimento, o projeto aposta na ideia de que substâncias voltadas ao aprimoramento físico, se testadas e monitoradas, poderiam se tornar produtos amplamente comercializados.
A lógica defendida pelos organizadores é que atletas, ao levarem o corpo ao limite sob supervisão científica, ajudariam a identificar doses consideradas seguras. O discurso é o de autonomia corporal, liberdade científica e otimização da saúde por meio de biomarcadores.
Se a promessa é quebrar recordes, a controvérsia já foi superada antes mesmo da largada. Entre defensores da inovação e críticos que enxergam riscos éticos e médicos, a chamada “Olimpíada do doping” coloca em xeque um dos pilares do esporte moderno: a ideia de competição livre de substâncias proibidas.













