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Oficializado como membro do COI, Parsons aponta desafios para Jogos de Tóquio

Futebol|Do R7

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Oficializado como membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), o brasileiro Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) conversou com o Estado e contou sobre seus planos, os preparativos para os Jogos de Tóquio e os pilares que dão o rumo para sua gestão de um ano e um mês na principal entidade paralímpica mundial, que tem um orçamento de 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 87 milhões) por ano.

Você acaba de se tornar membro do COI. Qual será seu papel lá?

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Eu já fazia parte de algumas comissões, tenho participação grande no movimento olímpico, obviamente que me tornar membro isso se amplia, e no Brasil automaticamente eu viro membro da assembleia do comitê olímpico local que é o COB. Já falei com o Paulo Wanderley sobre isso no passado, ele sempre deixou o espaço aberto para eu participar e ajudar. Acho que fiz um bom trabalho no Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e acredito que possa contribuir com novas ideias e conceitos.

Qual a sua avaliação dos Jogos Olímpicos da Juventude até agora?

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O bom dos Jogos da Juventude é poder experimentar, é ser ousado em coisas que talvez você não pudesse fazer nos Jogos Olímpicos. Achei interessante a abertura no meio da cidade, foi criativa, e fazer isso foi muito corajoso do Comitê Organizador daqui. É importante testar novos formatos, novas modalidades, conceitos, e despertar o interesse do esporte no jovem, se comunicando com ele numa linguagem que ele entenda.

É possível criar os Jogos Paralímpicos da Juventude?

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Na minha campanha me comprometi trazer esse diálogo. Ajudei a criar os Jogos ParaPan de Jovens, que vai para sua quinta edição. Mas os membros do IPC não querem Jogos Paralímpicos da Juventude, eles querem evento regionais e continentais, que são mais próximos dos países.

Como está a organização dos Jogos de Tóquio?

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Vai bem. Eu fiz parte da avaliação dos Jogos de 2020 e conheço bem o projeto, desde 2013. A gente vem acompanhando o progresso. É um parceiro muito sólido do ponto de vista financeiro e tem uma visão do que eles querem dos Jogos muita clara. O Japão é um país que a legislação para deficientes é muito avançada, mas você não vê deficientes na rua. Existe uma cultura de super proteção de não estimular as pessoas com deficiência a trabalharem, a irem para a rua, a exercitar cidadania.

Então qual será o desafio de vocês?

O sistema de transporte é bastante acessível, principalmente em Tóquio, então é um contrassenso. No Japão, o fundamental é a cabeça das pessoas. Estamos implementando programas nas escolas, com experimentação, para criar uma nova geração de japoneses que vão respeitar, mas não vão super proteger. O bom é que o Comitê Organizador e as autoridade de Tóquio reconhecem isso. Nosso maior legado lá é esse. Queremos que os Jogos sejam um sucesso.

Você foi eleito para o mandato no IPC e quer implementar cinco prioridades. Quais são elas?

1 - DESENVOLVER OS MEMBROS

Desenvolvimento dos membros, principalmente comitês paralímpicos nacionais de países em desenvolvimento. Quando entrei no CPB em 1997 a gente tinha orçamento zero e quando saí já tinha um orçamento robusto, centro de treinamento, o Brasil se consolidou no top 10, o que não é fácil, então penso ter a experiência para apoiar outros países. A ideia é levar todos para um próximo nível de desenvolvimento. A gente tem concentração grande de medalhas nos top 20 do mundo e queremos mudar um pouco essa ordem. No fim das contas, eles que oferecem os programas e as estruturas para os atletas.

Também pretendo trazer mais junto e ser mais pró-ativo nessa relação. Quero ir ao países para fazer isso. No meu primeiro ano fui a 30 países e essa conta vai aumentar em 2018. Fui para os EUA, mas fui para o Malavi, Cingapura, Malásia... Vou para a Eslovênia, Armênia, Azerbaijão, Geórgia. A ideia é entender melhor as realidades dos países e construir relacionamento.

2 - RELACIONAMENTO COM O MOVIMENTO OLÍMPICO

Firmamos acordo com o COI até 2032 e garantimos a estabilidade financeira do movimento paralímpico internacional. A gente busca patrocinadores em conjunto, recebe contribuição financeira direta do COI. O IPC está mais alinhado com as novas normas e agenda 2020 e queremos tornar os Jogos mais racionais, mais baratos, porque temos a preocupação com a possível falta de candidatos a receber os Jogos no futuro, principalmente a Olimpíada de Inverno.

3 - CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL

Pode ser o nosso calcanhar de Aquiles, mas pode ser a joia da Coroa. É isso que permite nosso movimento funcionar, ou seja, equilibrar o nível de deficiência do atleta para que a gente possa ter uma competição justa. Quero profissionalizar esse sistema, os classificadores são voluntários no mundo. Trazer mais ciência para o esporte, tirar a classificação das competições, para diminuir a pressão sobre os atletas, e criar centros de referência no mundo.

4 - POSICIONAMENTO

É uma soma de elementos como marca, mas também com as causas e organizações que a gente se associa. Você vai ver o IPC se aproximando cada vez mais de uma agenda de direitos humanos.

5 - FUNDAÇÃO AGITOS

É o nosso braço de fomento, tem uma área para levantar recursos, para desenvolver o esporte em várias partes do mundo. Além disso, temos esse papel de federação internacional para 10 modalidades e vamos ter de tomar uma decisão crucial sobre esse modelo. Nesse momento estamos num processo de revisão de nossa estrutura de governança.

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