Novo pedido de anulação de partida põe em xeque credibilidade do Campeonato Brasileiro
Ex-árbitro, no entanto, alerta para preocupante falta de apoio e preparo dos homens do apito
Futebol|Do R7

O Brasileirão 2016 está perto de virar um campeonato dos tribunais. Na última terça-feira (18), Fluminense e Figueirense entraram com pedidos no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) para pedir a anulação de suas partidas pelo que consideram erros graves de arbitragem. Pelo sim ou pelo não, as diferentes interferências externas põem em xeque o resultado de campo da principal competição de futebol do País.
Pela manhã, o Fluminense enviou ao STJD um pedido de impugnação da partida contra o Flamengo, ainda pela 30ª rodada da competição. Os tricolores consideram que o árbitro Sandro Meira Ricci obteve ajuda externa, provavelmente de alguém que estava assistindo ao jogo na TV, para confirmar a anulação do gol do Fluminense no clássico. Como resultado imediato, a partida foi suspensa e os pontos do Flamengo, por enquanto, retirados.
Horas depois da atitude do Fluminense, foi a vez do Figueirense entrar com pedido de anulação de sua partida contra o Palmeiras, desta vez, pela 31ª rodada da competição. O departamento jurídico do clube alega “erro de direito” na cobrança de lateral que originou o segundo gol do Palmeiras.
O próprio histórico do Fluminense gerou desconfiança na validação de suas partidas. Em um misto de brincadeira e preocupação, torcedores de diversos times chegaram a manifestar seu descontentamento com a competição nacional. O time cairia para a Série B em 2013, mas, também nos tribunais, conseguiu permanecer na Série A. Naquela ocasião, a Portuguesa perdeu pontos pela escalação irregular do meia Héverton e acabou rebaixada.
Peter Siemsen, que havia acabado de assumir a presidência do clube naquele episódio, disse na última terça, em entrevista ao Sportv, que não tem “prazer em buscar anular jogos”.
— O Fluminense está apenas seguindo a previsão da legislação existente. Esta previsão na legislação não foi escolhida pelo Fluminense, não tivemos qualquer envolvimento. Infelizmente, é a legislação aplicável e a medida cabível para a interferência externa. O Fluminense, obviamente, não poderia ficar inerte.
Falta (de preparo)
Árbitro da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por quase 15 anos, Eduardo César Coronado alertou para uma preocupante falta de cuidado com os homens do apito. Segundo o ex-árbitro de primeira divisão, com experiência em copas e cursos internacionais, os juízes brasileiros estão abandonados. A Federação Paulista de Futebol (FPF) ainda fornece algum tipo de auxílio como, por exemplo, acompanhamento psicológico.
— Mudaram a Comissão, mas o quadro dos árbitros continua o mesmo. O que está havendo é uma falta de qualidade e de preparo de cada um. Não acho que há falta de credibilidade dos árbitros. Mas e a credibilidade do jogador? Como que fica quando o jogador põe a mão na bola? A gente tem que ver os dois lados. A honestidade é do ser humano. Os erros acontecem. Tanto que muitos times estão reclamando.
O processo do Fluminense ainda não tem data prevista para julgamento no Pleno do STJD. Já o caso do Figueirense ainda precisa ser analisado pelo presidente da entidade Ronaldo Botelho Piacente. Ainda não há data definida para o julgamento.















