'Não façam mais isso', pede vigia chamado de macaco em clássico

Segurança foi alvo de ataque racial durante jogo entre Cruzeiro e Atlético, no Mineirão, neste domingo (10), em BH. 'Olha sua cor', disse torcedor

Segurança diz que não esperava passar por isto

Segurança diz que não esperava passar por isto

Reprodução / Record TV Minas

Um dia após ouvir a frase “olha a sua cor” e ser chamado de “macaco” durante o jogo entre Cruzeiro e Atlético, neste domingo (10), em Belo Horizonte, o segurança Fábio Coutinho fez um desabafo direcionado aos autores do ataque: “não façam mais isso. Não é legal”.

Em um vídeo gravado no local, é possível ver ao menos quatro torcedores xingado os guardas que trabalhavam no estádio Mineirão. Um deles, mais exaltado, diz a Coutinho: “olha a sua cor!”.

O guarda explica que a confusão aconteceu após policiais militares controlarem um tumulto na área dos torcedores atleticanos, do outro lado do espaço onde estavam. Segundo o vigia, neste momento, alguns torcedores tentaram invadir a área destinada a jornalistas, que fica próxima à torcida cruzeirense, mas os guardas teriam impedido a entrada.

Torcedores envolvidos na confusão alegaram que as saídas de emergência haviam sido bloqueadas e que mulheres e crianças teriam ficado encurraladas. Coutinho, contudo, nega.

— Permitimos sim [a passagem] de alguns pais com seus filhos e alguns idosos – inclusive a vovó do Atlético, retiramos ela do local. Alguns torcedores estavam retirando as cadeiras e arremessando para parte inferior.

O vigia, que é natural do Rio de Janeiro e em Minas torce para o Galo, conta que as agressões foram além dos ataques verbais, já que torcedores também teriam cuspido nele.

— Um deles cuspiu na minha face e colocou o dedo no meu rosto.

Com voz embargada por choro, o vigilante desabafou à equipe da Record TV que jamais imaginou passar por situação como esta na profissão. Coutinho diz que vai procurar a polícia para denunciar o caso e que, mesmo assim, perdoa os agressores. Até o momento, os torcedores envolvidos no caso não foram identificados.

— Eu não guardo rancor, mas que sirva de lição.

Brigas

O clássico pelo Brasileirão, que terminou em zero a zero, foi marcado por briga entre torcedores antes, durante e após a partida. Ao menos 47 pessoas foram detidas. Um grupo foi detido com bolas de sinuca, pregos, pólvora, e armas caseiras. A Polícia Militar deve divulgar, nesta segunda-feira (11), um balanço das ocorrências.

Posicionamentos

A reportagem fez contato com representantes das torcidas organizadas citadas, mas ainda não teve retorno. Procurada, a Polícia Civil informou que está tomando as medidas necessárias para identificar o autor das ofensas ao segurança da Minas Arena e vai aguardar a manifestação do injuriado, conforme prevê a lei.

Em nota, a Minas Arena confirmou que ocorreram vários confrontos entre torcedores, de forma simultânea, e em diferentes pontos do estádio e destacou que tanto a segurança privada, como a Polícia Militar, atuaram para garantir a segurança no Mineirão. A concessionária afirma ainda que os confrontos não tiveram relação com o inédito número de faltas no efetivo de homens que trabalhariam na partida e que o setor de segurança se esforçou para remanejar os profissionais em serviço. Ainda segundo a Minas Arena, não houve atendimentos no posto médico do estádio decorrentes de brigas entre torcedores.

O Clube Atlético Mineiro declarou que “repudia veementemente qualquer ato de violência, incluindo racismo, injúria ou ofensa moral, seja no estádio ou fora dele. As diversas imagens que circulam em redes sociais são lamentáveis e devem ser objeto de rigorosa apuração”.

Já o Cruzeiro lamentou a confusão e informou que tomou todas as medidas exigidas de acordo com o Estatuto do Torcedor. O clube destacou ainda que está levantado todos os boletins de ocorrências gerados na confusão e imagens de circuito interno de segurança do estágio para identificar os torcedores envolvidos.

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