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BRASILEIRO 2022

Kim Jong-un está amando o futebol feminino da Coreia do Norte; o que impulsiona seu sucesso notável?

Com novo treinador, equipe principal se prepara para disputar a Copa do Mundo Feminina no Brasil, em 2027

Futebol|Andrew McNicol e Gawon Bae, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Kim Jong Un celebra o sucesso do futebol feminino da Coreia do Norte, destacando conquistas continentais e mundiais.
  • O Naegohyang Women's FC venceu a Liga dos Campeões da Ásia e a equipe sub-17 conquistou a Copa da Ásia, sob o olhar de Kim Jong Un.
  • A academia de futebol de Pyongyang, fundada em 2013, desempenha papel crucial no desenvolvimento de talentos juvenis, como Kim Kyong Yong.
  • A preparação física e a disciplina tática são pontos fortes das jogadoras norte-coreanas, que buscam agora sucesso na Copa do Mundo Feminina no Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Jogadoras norte-coreanas são conhecidas por sua resistência física, disciplina e técnica Chung Sung-Jun/Getty Images via CNN Newsource

Kim Jong-un liderou as comemorações, e as jogadoras choraram de alegria, enquanto as mais novas campeãs do futebol feminino de clubes asiáticos brindavam a uma conquista continental que coroa uma sequência notável para as jogadoras de futebol da Coreia do Norte.

O Naegohyang Women’s FC, com sede em Pyongyang, ergueu o troféu da Liga dos Campeões da Ásia no mês passado, em solo inimigo na Coreia do Sul. Sua nação reclusa também é a atual campeã mundial no futebol feminino sub-17 e sub-20.


Em uma partida de exibição comemorativa na semana passada na capital, sob o olhar atento do líder supremo, o Naegohyang enfrentou a equipe sub-17, que acabou de adicionar uma Copa da Ásia à sua impressionante coleção de troféus, goleando o Japão por 5 a 1 na final.

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Elas foram aclamadas como “mulheres confiáveis” e “filhas orgulhosas da pátria”.


De acordo com a agência de notícias oficial KCNA (Agência Central de Notícias da Coreia), as jogadoras do Naegohyang “enfatizaram que o cuidado amoroso e a benevolência do respeitado camarada Kim Jong-un” estavam “incentivando todas elas a mais sucessos esportivos notáveis”.

O próximo passo para muitas dessas jogadoras é a Copa do Mundo Feminina principal no Brasil. E alguns especialistas estão se perguntando se uma chance de glória global poderia estar nos planos das atletas de Kim.


Kim, que adora esportes, renovou seu compromisso com o desenvolvimento do talento atlético como uma ferramenta para promover a Coreia do Norte internacionalmente, de acordo com um relatório do Ministério da Unificação da Coreia do Sul.

E, embora a natureza secreta do país torne difícil saber exatamente o que impulsiona seu prolífico programa de futebol feminino, a CNN Internacional conversou com treinadores e jogadoras que trabalharam com suas equipes — e jogaram contra elas — para montar um quadro de como eles fazem isso.


Começando desde jovens

Quando a capitã Kim Kyong Yong marcou o gol da vitória contra o Tokyo Verdy do Japão na final da Liga dos Campeões no mês passado, foi o seu passo mais recente em uma jornada que começou há mais de uma década na Escola Internacional de Futebol de Pyongyang.

Fundada em 2013 para cumprir as ambições esportivas de Kim Jong Un, a academia juvenil de elite já treinou centenas de meninas e meninos com idades entre 7 e 17 anos, muitos dos quais representariam o país em nível internacional, de acordo com a agência de notícias estatal KCNA.

Entre eles está Han Kwang Song, um atacante da seleção nacional masculina, que jogou por um tempo na Itália.

Agora, com 24 anos, Kim Kyong Yong é um produto modelo do sistema de desenvolvimento juvenil altamente controlado: começou no futebol aos 10 anos; representou sua nação em várias categorias de base; tornou-se uma atacante estrela da equipe principal; e liderou seu clube a um troféu continental.

“Embora nossas jogadoras ainda careçam de experiência em competições internacionais de nível principal, nós crescemos significativamente como equipe”, disse Kim após receber o prêmio de Jogadora Mais Valiosa na Liga dos Campeões deste ano.

“Por meio desta competição, trabalharemos duro para superar nossas falhas e alcançar resultados fortes em futuras competições de classe mundial.”

O treinador britânico Stephen Constantine, um dos poucos instrutores da Fifa (Federação Internacional de Futebol) convidados em 2018 para instruir treinadores na Coreia do Norte, notou a resistência física de suas jogadoras.

“Quando você olha para as equipes norte-coreanas, a coisa que mais te impressiona é que elas são muito, muito agressivas e muito, muito trabalhadoras”, disse Constantine, agora técnico da seleção masculina de Ruanda, à CNN Internacional.

“Em alguns casos, o que eu achava um pouco extremo, eles faziam alguém carregar outro nas costas – correr da linha de fundo até a linha da grande área com essa pessoa nas costas, deixá-la lá e depois dar um pique até a outra grande área. Era uma loucura.”

A aptidão física das jogadoras norte-coreanas era clara, mas os treinadores estavam cientes de suas deficiências técnicas e táticas.

Os instrutores da academia de elite começaram a traduzir os dados e técnicas mais recentes da ciência do esporte, analisando partidas de classe mundial do exterior para melhorar suas jogadoras, de acordo com a mídia norte-coreana.

‘Treino, treino, treino’

“Tecnicamente elas são muito boas, por isso conseguem superar a maioria das equipes nessas faixas etárias por meio de pura fisicalidade, habilidade técnica e velocidade”, disse Colin Bell, ex-técnico da seleção feminina da Coreia do Sul com experiência em enfrentar equipes norte-coreanas.

Tendo estudado a equipe sub-20 na recente Copa da Ásia, ele explicou que os norte-coreanos eram extremamente disciplinados e dominavam o jogo em sequências “simples”.

“Não é física quântica, mas é muito bem executado, e o QI de futebol delas é muito alto para essas faixas etárias”, disse Bell.

“Eu assisti cada jogadora correr. Todas correm com o mesmo estilo. Honestamente. É treino, treino, treino desde muito cedo, e você simplesmente não consegue competir com elas no nível juvenil.”

Rielly Chesna, defensora do Ho Chi Minh City Women’s FC, que perdeu para o Naegohyang nas quartas de final da Liga dos Campeões, também comentou sobre a coreografia fluida da equipe.

“Dava para notar que elas sabem exatamente para onde devem ir, e simplesmente fluíam. O passe delas no chão e a movimentação eram perfeitos. Definitivamente era difícil acompanhá-las”, disse a americana à CNN Internacional.

As jogadoras têm uma vantagem ainda maior mentalmente, de acordo com Bell.

“Você consegue ver que não é um jogo normal para elas. Há uma certa quantidade de desespero na maneira como jogam. Elas têm que ser bem-sucedidas, e você consegue sentir isso”, disse ele.

“Obviamente, a maneira como o país provavelmente é governado leva a isso. Todo mundo sabe que haverá certas partes que estão indo bem, mas uma grande parte da sociedade na Coreia do Norte é muito pobre. Portanto, o esporte é uma opção muito grande para essas jovens ajudarem suas famílias no futuro. É assim que elas jogam. Você não pode simular o desespero.”

O antigo instrutor da Fifa Kwok Ka-ming, que treinou técnicos na Coreia do Norte quatro vezes entre 2013 e 2019, acrescentou: “No nível juvenil na Europa, os países não estão tão concentrados nos resultados, mas no desenvolvimento de jogadores. Na Ásia, eles precisam obter resultados para que lhes digam que são bons.”

“Se você for campeão, Kim Jong Un vai te encontrar no aeroporto”, disse o cidadão de Hong Kong. “Isso é crucial.”

As atenções em breve se voltarão para a Copa do Mundo Feminina do próximo ano no Brasil, o retorno da equipe principal ao cenário global após anos no deserto esportivo.

Depois de vencer a Copa da Ásia Feminina três vezes durante o início dos anos 2000, as coisas começaram a dar errado na Copa do Mundo de 2011, em que cinco jogadoras falharam nos exames de doping, o que atribuíram à medicina tradicional chinesa, que utilizava glândulas de almíscar de cervo, para tratar os efeitos de terem sido atingidas por um raio.

Elas foram multadas e proibidas de participar da Copa do Mundo seguinte e das eliminatórias, interrompendo qualquer progresso.

Depois, a equipe, por razões desconhecidas, retirou-se do Campeonato do Leste Asiático em 2019, e perdeu a Copa do Mundo de 2023, citando a pandemia de Covid-19.

Mas elas ressurgiram no início deste ano com um novo treinador principal e quase metade do elenco substituído por rostos novos, para garantir sua vaga no grande espetáculo global.

Elas tiveram um desempenho forte na Copa da Ásia Feminina deste ano, mas perderam uma disputa apertada nas quartas de final para as anfitriãs da Austrália, cujo técnico Joe Montemurro chegou a reconhecer que as norte-coreanas eram “a melhor equipe do torneio. Elas jogam um ótimo futebol.”

À medida que a Coreia do Norte continua a abastecer sua equipe principal com graduadas comprovadas das equipes juvenis, suas perspectivas no futebol feminino parecem brilhantes, disse Gina Bagnulo, jornalista freelancer que cobre o futebol asiático.

“As pessoas que tiveram desempenhos de destaque em seu elenco, ou pelo menos começaram a fazer sua estreia na Copa da Ásia Feminina da AFC (Confederação Asiática de Futebol), muitas delas tinham acabado de sair do sistema de base, então estamos vendo isso acontecer”, disse Bagnulo, apontando Kim Kyong Yong como uma jogadora a ser observada.

Com jovens promessas provavelmente incluídas na lista para a próxima Copa do Mundo, a pergunta é: as profissionais conseguirão reproduzir o sucesso de suas juvenis contra as melhores do mundo? Ainda há muito a provar.

“O futebol juvenil tem sido uma grande vantagem, por isso será muito interessante ver como elas se sairão no próximo ano”, disse Bell. “Será que elas serão capazes, em algum momento, de dominar o futebol nacional principal? Não tenho certeza se conseguem.”

Bagnulo observou que a competição será feroz.

“Estamos falando de seleções como, você sabe, o Brasil, que é o anfitrião, os EUA, até mesmo... Mas eu realmente acho que elas provavelmente vencerão pelo menos algumas partidas, mesmo que seja apenas na fase de grupos.”

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