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BRASILEIRO 2022

Jovem encontrado morto na Portuguesa era torcedor do clube e estava próximo de realizar sonho no Canindé

Corpo de Lucas Jesus dos Santos, do sub-17, estava na piscina. Laudo aponta asfixia

Futebol|Dado Abreu, do R7

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Lucas herdou a paixão do avô pela Portuguesa
Lucas herdou a paixão do avô pela Portuguesa

Por muito pouco o jovem Lucas Jesus dos Santos, do sub-17 da Portuguesa, não realizou o sonho dele e de dezenas de crianças que correm atrás de uma bola pelas ruas do Pari. Jogar com a camisa da Lusa no Estádio do Canindé, como fizeram Djalma Santos, Julinho Botelho, Enéas, Dener, Zé Roberto e outros ídolos da história rubro-verde.

Zagueiro, Lucas foi encontrado morto na piscina do clube na última quinta-feira (20), no dia seguinte a um churrasco para comemorar a classificação da equipe para as quartas de final do Campeonato Paulista da categoria. Na próxima rodada a Lusinha enfrentaria o Diadema, no Canindé, e Lucas estaria entre os titulares da equipe.


“Seria a primeira vez dele no estádio”, contou o amigo Kléber Eusébio, 31 anos, parceiro nas peladas no Serra Morena, time de várzea da região. “Encontrei com ele na segunda-feira e ele até brincou: ‘Quero ver todo mundo lá na minha estreia no Canindé’”.

No que dependesse da estima do garoto pelas ruas do bairro, a arquibancada provavelmente estaria com lotação máxima. Mais cheia, inclusive, do que nos jogos do combalido time profissional da Portuguesa. E lá estaria Ivan, o “Pescoço”, torcedor fanático da Lusa e avô de Lucas, responsável por passar a paixão ao neto, que também costumava frequentar o Canindé em dias de jogos da equipe principal.


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Lucão, como era conhecido, começou a despontar no Serra Morena. Ainda garoto, com cerca de 10 anos, já era escalado para jogar como centroavante no time dos marmanjos de 20. “Ele treinava com o Seu Badeco, ídolo da Portuguesa, e começaram a perceber que ele tinha potencial para ir mais longe. Foi quando começamos a fazer contato com o pessoal do clube e aí pintou a chance de ele ir para a base”, lembra Eusébio.

O amigo mais velho conta que o início foi bastante puxado. “Quando você sai de um time amador para um semiprofissional, como é a base da Portuguesa, é puxado, tem um trabalho físico muito forte. Ele sofreu no começo. Brincava que estavam arrancando o couro dele. Mas agora ele estava se destacando. Foi titular no sábado contra o Água Santa e jogou demais. Foi a melhor partida dele que eu já vi”.


Destro, magro e com 1,90m de altura, Lucas vinha se destacando na linha defensiva do sub-17. Pelo fino trato com a bola, atuava como uma espécie de líbero à frente da zaga. “Ele era nossa esperança, não tinha outro futuro que não o de jogador profissional. Era um grande zagueiro. Sem dúvida a morte dele é também um pecado para o futebol. Triste é que nós aqui [na Portuguesa] já estamos acostumados a viver esses pecados”, lembra Kléber Eusébio, emocionado, antes de se referir ao ídolo Dener, morto em um acidente de carro em 1994.

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