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José Maria Marin já foi governador de São Paulo, defensor da ditadura e aliado de Paulo Maluf

Ex-presidente da CBF é acusado de corrupção e será extraditado aos Estados Unidos

Futebol|Do R7

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José Maria Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2014, após mandato de Ricardo Teixeira
José Maria Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2014, após mandato de Ricardo Teixeira

A prisão de José Maria Marin com um grupo de outros seis executivos da Fifa, na madrugada desta quarta-feira (27), é apenas mais uma polêmica para o extenso currículo do cartola. Ao longo da carreira, Marin, de 83 anos, já foi ativo defensor do regime militar, foi governador de São Paulo e presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Nascido em Santo Amaro, zona Sul de São Paulo, o dirigente teve uma tímida carreira como jogador de futebol. Enquanto tentava a sorte nos gramados, se dedicou aos estudos de direito na tradicional faculdade do Largo de São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo).

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Sua trajetória política está intimamente ligada ao regime militar que imperou entre as décadas de 60 e 80 no Brasil. Em janeiro de 1964, aos 31 anos, Marin iniciava seu primeiro mandato de vereador, meses antes do golpe. Em 1966, se filiou à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido pró-militares. Sua ascensão na carreira foi sempre apoiada por integrantes do alto escalão do governo.

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Mais tarde, Marin rompeu com seus aliados — mas se manteve fiel aos militares. O objetivo era se juntar a Paulo Maluf, então prefeito de São Paulo e candidato ao governo estadual. A traição foi relatada em um documento do SNI (Sistema Nacional de Informação), criado pelos ditadores para ser o serviço de inteligência brasileiro.

Da aliança, Marin virou vice-governador de São Paulo, cargo que ocupou entre 1979 e 1982. Com a renúncia de Maluf, em 14 de maio de 1982, o cartola assumiu a liderança do Estado.

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Morte de Herzog

Enquanto esteve na política, Marin fez inúmeros discursos defendendo ou elogiando a atuação dos militares e repressores do regime. Em 1975, dois pronunciamentos do cartola questionando a TV Cultura, dizendo que ela não retratava o governo corretamente, são apontados como o estopim da morte de Vladimir Herzog — o jornalista da Cultura era comunista, foi preso, torturado e assassinado na sede do DOI-Codi, órgão ligado ao Exército Brasileiro.

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A vida de cartola começou na Federação Paulista de Futebol, que presidiu entre 1982 e 1988. Na CBF, foi vice-presidente e sucessor de Ricardo Teixeira, e comandou o COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014.

José Maria Marin, em seu gabinete, como governador de São Paulo, em 1982. Ao fundo, a foto com o aliado Paulo Maluf
José Maria Marin, em seu gabinete, como governador de São Paulo, em 1982. Ao fundo, a foto com o aliado Paulo Maluf

Como comandante do futebol brasileiro, posição que ocupou entre 2012 e 2014, Marin enfrentou pressões políticas e de movimentos de torcedores pedindo sua renúncia. As reações foram após o nome do cartola ser citado pela Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes cometidos na ditadura. Segundo o grupo, além do caso de Herzog, o político também teria ligações com a tortura do então deputado Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff e militante de esquerda durante o regime militar.

Medalha no bolso

Outra polêmica futebolística de Marin foi em 2012, na final da Copa São Paulo, no Pacaembu. O cartola foi flagrado por câmeras da TV Bandeirantes colocando uma medalha no bolso durante a cerimônia de premiação do Corinthians, vencedor da competição daquele ano. Nas imagens, Marin enrola a fita nos dedos, embolsa a premiação e pega uma nova medalha para entregar aos jogadores.

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À época, William, capitão da equipe corintiana, promoveu uma campanha contra Marin nas redes sociais e disse que o goleiro do time terminou a premiação sem receber medalha. A Federação Paulista de Futebol defendeu o cartola e disse ter errado a contagem das honrarias para a festa.

Vaidade

Em 2014, ainda sob o comando do ex-governador, a CBF inaugurou sua nova sede no Rio de Janeiro. O prédio, de arquitetura moderna e vidros espelhados, foi batizado de José Maria Marin, ou seja, com o nome do próprio dirigente. 

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