Herói em 2003, Magrão relembra sofrimento na Série B e diz que passagem pelo Timão "manchou" sua trajetória
Volante classificou a campanha anterior do time paulista na Série B como “inesquecível”
Futebol|Aline Küller, do R7

O Palmeiras está bem próximo de confirmar seu retorno à elite do futebol brasileiro. Neste sábado (26), o clube alviverde precisa de apenas um empate com o São Caetano no Pacaembu para sacramentar sua vaga na Série A em 2014.
Líder absoluto da segunda divisão com 68 pontos, o Verdão teve uma campanha tranquila, deixando o torcedor aliviado. Cenário bem diferente de 2003, quando o acesso veio em um campeonato disputado em três fases e apenas a uma rodada do final do torneio.
Saiba por onde andam os heróis palmeirenses da Série B de 2003
O volante Magrão, que atualmente defende as cores do América-MG, foi um dos protagonistas palmeirense em 2003 e autor do primeiro gol na vitória por 2 a 1 contra o Sport (partida que garantiu o retorno), afirma que dez anos atrás o acesso foi mais sofrido.
— A fórmula do Campeonato é diferente. Essa fórmula acaba beneficiando quem faz o melhor trabalho. E o Palmeiras fez o melhor trabalho. Mas aquele foi mais sofrido, não é que foi mais fácil ou mais difícil, mas foi mais sofrido. Tivemos que jogar a primeira fase, depois dois quadrangulares... Eu lembro que jogamos umas quatro vezes contra o Sport.
A Série B do Campeonato Brasileiro é disputada em sistema de pontos corridos desde 2008. Porém, Magrão não acredita que o formato beneficie os chamados clubes grandes.
— Os pontos corridos beneficiam quem faz o melhor trabalho, quem se preparou melhor. O Palmeiras fez isso, então é merecido. É justo.
Para o volante, o segredo do sucesso do Palmeiras em 2003 foi o elo entre torcida e time, que contava como jovens revelações, como Diego Souza e Vagner Love, ingredientes que tornaram a “campanha inesquecível”.
— A união entre torcida e jogador [fizeram a diferença]. Todo mundo comprou a mesma ideia. A gente começou um ano com muitos jogadores consagrados, mas começamos a temporada mal, depois demos oportunidades para os mais novos. Acho que para quem participou foi uma campanha inesquecível.
Apesar da identificação da torcida palmeirense com Magrão, que era admirado pela sua raça e vontade dentro de campo, a relação ficou estremecida quando o marcador acertou com o Corinthians em 2006 e foi taxado de traidor por uma parcela alviverde.
— Eu sempre comento que não sei se faria de novo, a vida é feita de erros e acertos. Teve coisas boas no Corinthians e no Palmeiras, mas eu não sei se faria de novo porque eu acabei manchando uma história linda que eu tive no Palmeiras, logicamente que não toda, mas manchei um pouco. Eu tentei voltar [para o Palmeiras], mas a diretoria negou, fiquei revoltado e apareceu a proposta do Corinthians, acabei aceitando. Não me arrependo, mas não se faria de novo.
Magrão retornou ao futebol brasileiro neste ano depois de quatro anos e meio no mundo árabe e confessou que sentiu saudades do glamour da modalidade no País.
— Fiquei quatro anos e meio fora do Brasil e voltei mais para a família, não sei se foi a melhor opção, mas tenho dois filhos que moram aqui e senti que precisava voltar. Jogar fora é financeiramente muito bom, mas você perde um pouco do glamour que é jogar no Brasil, do prestígio da torcida. E lá como o assédio é menor, o desgaste também, então dá jogar mais um pouco.
Aos 34 anos, o volante disse que ainda não pensa em aposentadoria e revela que ficou surpreso com a estrutura do América-MG, a qual classifica muito melhor que de alguns clubes de Série A.















