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EXCLUSIVA AFP: Técnico do México diz que pressão pode derrubar Brasil na Copa

Futebol|Do R7

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O técnico da seleção mexicana, Miguel "Piojo" Herrera, disse nesta quarta-feira em entrevista exclusiva à AFP que as chances de sua equipe na Copa do Mundo do Brasil-2014 estão sendo subestimadas e que a seleção brasileira pode sofrer com a pressão da torcida.

O carismático e temperamental técnico, de 46 anos, foi convocado com urgência em outubro para classificar o México na repescagem e evitar a primeira ausência da seleção 'Tricolor' em uma Copa em 24 anos. Por ironia do destino, quando ainda era jogador, Herrera não foi convocado na última hora e não pôde participar do Mundial dos Estados Unidos-1994.


- Parece que, para o México, superar as oitavas de final de um Mundial se tornou uma obsessão. Você concorda?

"Isto se tornou uma obsessão porque não fomos mais longe e estamos sempre pensando nesta famosa quinta partida. É claro que se chegarmos a esta quinta partida, vamos começar a pensar mais alto".


- O que esta seleção tem de bom que poderia fazer com que superem este objetivo?

"Vejo nos veteranos o desejo e a fome de que seus nomes transcendam a história do futebol mexicano e os jovens já ganharam uma medalha olímpica (ouro em Londres-2012) e muitos foram campeões do mundo Sub-17. A mentalidade do futebol mexicano mudou".


- Não ser favorito, estar correndo por fora na Copa, pode ser benéfico?

"Isto nos beneficia porque ninguém nos vê como uma equipe tão sólida. Acredito que algumas pessoas até nos subestimam e isso pode nos ajudar a mostrar que estamos bem e que podemos surpreender qualquer equipe".


- A estreia no Mundial será contra Camarões. Tendo em vista os outros rivais do Grupo A (Brasil e Croácia), seria também a partida mais importante?

"É muito importante, porque se nos concentrarmos em vencê-la, temos muitas chances de dar um passo importante rumo à próxima fase".

- Quais são os pontos fortes e fracos da seleção brasileira?

"O Brasil é o favorito. Todos esperam que seja campeão em casa, o que não conseguiu ainda (vice-campeão em 1950). O Brasil fez uma grande Copa das Confederações, vimos uma equipe sólida. Eles têm também dois grandes treinadores (Scolari e Parreira) e jogadores de grande qualidade. O que podemos fazer é tirar a bola dos pés dos jogadores brasileiros, fazer o tempo passar para que os torcedores comecem a se desesperar e pressionem o time. A pressão pode ser o ponto fraco".

- Esta pressão pode pesar ainda mais em Neymar, por causa de sua juventude e por ele ser o grande nome do Brasil?

"A pressão está em cima de Neymar porque todo mundo acredita que ele pode ser o grande nome do Brasil na Copa".

- Você acha que ele precisa de mais experiência para ser a referência da equipe?

"Eu acredito que sim. Vimos que ele jogou muito bem na Copa das Confederações e está no processo de se tornar uma grande referência".

- Além dos confirmados Rafa Márquez (León) e Oribe Peralta (Santos), quais são os outros nomes garantidos na sua lista de convocados?

"Na minha cabeça tenho muita gente certa. Não quero adiantar nomes".

- Giovani dos Santos (Villarreal, da Espanha) e Javier "Chicharito" Hernández (Manchester United, da Inglaterra) são nomes certos?

"Nomes certos talvez, mas titulares eu não sei".

- A recente lesão de Robin Van Persie, atacante do Manchester United, pode ajudar o "Chicharito" a jogar mais antes do Mundial...

"Já vimos Van Persie, Wayne Rooney e Danny Welbeck lesionados antes e, mesmo assim, o "Chicharito" não apareceu. Vários jogadores entraram no lugar, mas ele só entrava no segundo tempo. Espero que o técnico perceba que "Chicharito" é um jogador que faz gols".

- Não ficaram claros os motivos pelos quais Carlos Vela (Real Sociedad-ESP) decidiu não jogar pelo México, algo quase inédito no mundo. Você recebeu uma explicação?

"Ele me disse: 'não estou concentrado, não quero ir, minha cabeça não está focada na Copa. Se você me convocar, o mais certo é que as pessoas vão se irritar comigo e não vou poder render os 100% que você espera de mim'".

- O que você teria feito para poder jogar a Copa de 1994?

"Eu estava na lista e na última hora me tiraram. Jogar uma Copa do Mundo como jogador é algo para poucos. Nem passa pela cabeça das pessoas não querer representar seu país na maior competição futebolística do mundo".

- Que resultado na Copa faria com que você não permanecesse como técnico da seleção mexicana até o Mundial da Rússia-2018?

"Não superar a fase de grupos ou não ganhar partida alguma. Não importa se você jogar bem; se não vencer ninguém, você volta como um fracassado".

gbv/ol/am/dm

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