Diário de bordo: êxtase na chegada e festa pós-título do Fla: 'Ah, é R7!'
Torcedores formaram uma verdadeira família no ônibus que deixou Rio de Janeiro rumo a Lima para assistir à final da Copa Libertadores 2019
Futebol|Raian Cardoso, da Record TV

No último dia do Diário de Bordo do El Camino Rubro-Negro, você acompanha tudo sobre o sexto e último dia de viagem dos torcedores do Flamengo. A saga para chegar a Lima, no Peru, terminou com festa por tudo. Rendeu até um ‘ah, é R7. Ah, é R7’.
O repórter Raian Cardoso, da Record TV, foi o encarregado de acompanhar os torcedores do Fla em um ônibus. Os perrengues foram contados aqui neste diário. Veja como foi.
6º dia de viagem
Eis que, às 7h30, um dos motoristas vai até nós e anuncia que estávamos chegando próximo a Miraflores, que era a cidade onde 90% dos torcedores se hospedariam. Mais um dilema surge, a empresa responsável pela viagem deu uma ordem para deixar todos no estádio. Um torcedor levanta e grita: "Mas vamos até lá para voltar, não tem lógica". Não tinha mesmo!
Até que dez minutos depois começa o maior alvoroço da viagem. Até mais do que no embarque. Eram os torcedores pegando suas coisas para descerem. Eu peço desesperadamente para sair primeiro para filmar os torcedores descendo. Em vão! O êxtase, a ansiedade, o alívio eram tantos que ninguém quis me esperar. Mas também desci.
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Ao descer percebi a mistura de sentimentos estampado no rosto de cada um. Começa uma agitação, um pega o telefone do outro, outro vai rotear a internet para um e assim chamar um carro de aplicativo. Ao olhar toda aquela agitação, eu comecei a fazer uma retrospectiva de tudo que passamos.
Pensei comigo, ficamos tão íntimos nesses dias, praticamente moramos na mesma ‘casa’ por cinco dia. Viramos amigos, irmãos. Será que é isso? Acabou? Não nos veremos mais? Cada um seguirá seu rumo em Lima? Confesso que deu um aperto no peito, afinal, contar a história de cada um, saber da vida de todos, o que fizeram e passaram para estar ali, tudo isso nos fez mais que amigos.
Cadê aquela família%3F
A maioria dos torcedores realmente desceu em Miraflores e seguiu seu rumo. Os outros dez foram direto para o estádio. Alguns tinham perdido suas vagas em hostels, outros nem lugar para ficar tinham. E assim acabava toda história, assim acabava o El Camino. Olhando todos seguirem, fiquei eu ali, com a sensação de dever cumprido, de que eu posso ir além, como aqueles torcedores.
Segui para meu hotel. Fui assistir ao jogo. No estádio encontro dois torcedores do busão. Na saída encontro com mais 25. Sob o coro de "Ah, é R7", que foi como fiquei conhecido, fui calorosamente recepcionado. Para não perder o costume, gravei uns vídeos com eles. Assim fomos passando a noite, juntos, hora e outra chegava mais um do busão, deixando quase o time completo, se não por um ou outro.
Até que o momento da despedida chegou. Uns voltariam no mesmo ônibus no dia seguinte, outros de avião dois dias depois, mas todos foram para seus devidos destinos. Eu também fui para o meu. Com a bagagem cheia de incríveis lembranças, memórias que jamais esquecerei, porém, o maior legado que levarei dessa viagem são os amigos que ali fiz, trabalhando, contando suas histórias, mas que não teve como conter a sintonia com todas aquelas pessoas.
Sim, foi uma viagem inesquecível.
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