Exclusivo: Lingard abre o jogo sobre Diniz, torcida, Memphis e dois meses de Corinthians em 1ª entrevista exclusiva
Astro inglês completa dois meses de Timão nesta quarta-feira (6), e diz que nunca teve um técnico parecido com Fernando Diniz. O próximo sonho é vencer a Libertadores
Desimpedidos|Clara Valêncio, Lucas Faraldo, e Matheus Braga
O começo da trajetória de Jesse Lingard no Corinthians parece um roteiro de cinema. Em apenas dois meses, que completa nesta quarta-feira (6), o meia inglês viveu a intensidade completa do futebol brasileiro: de protestos da torcida e troca de comando técnico à euforia de uma sequência invicta que só foi interrompida no último domingo, no revés por 2 a 1 contra o Mirassol. Em entrevista exclusiva ao #DesimpedidosNoR7, o camisa 77 abriu o jogo sobre sua nova vida no Parque São Jorge e o impacto de Fernando Diniz em seu futebol.
O “Efeito Diniz”: Liberdade e tática
Desde a chegada de Fernando Diniz, o desempenho de Lingard deu um salto. O inglês, que já trabalhou com nomes como Sir Alex Ferguson e José Mourinho, destacou a abordagem única do treinador brasileiro, focada no lado humano e na liberdade criativa. O técnico costuma pedir que os atletas joguem como se fossem crianças, com alegria e sem amarras, algo que ressoou profundamente com o meia.
“Especialmente comigo, ele tem sido ótimo. Ele tem me dado muita confiança para jogar e aproveitar. Ele sempre diz para jogarmos como anos atrás, para jogarmos como crianças, jogar livre, aproveitar, sorrir. Ele diz que família é importante e é sempre bom mantermos as pessoas certas conosco. Taticamente, ele é bem diferente de outros treinadores que tive no passado. Temos treinado semana após semana diferentes ideias táticas e, como eu disse, os caras têm entendido as instruções bem rápido e podemos ver isso nos jogos. Estamos evoluindo, estamos aprendendo. Mas é uma temporada longa e voltamos ao caminho certo no momento”, diz Lingard.
Apesar do rótulo de “maluco” que por vezes acompanha o treinador, Lingard enfatiza que a evolução tática é nítida. O comando é próximo e a porta de Diniz está sempre aberta para o diálogo, o que tem facilitado a compreensão das instruções e a execução das novas ideias dentro de campo, mesmo em uma temporada longa e desgastante. “Eu sinto que, especialmente comigo, ele consegue extrair o melhor de mim”, completa o inglês.
Recorde histórico e o nível do futebol brasileiro
Ao balançar as redes contra o Peñarol, na vitória pela Libertadores que antecedeu o duelo contra o Mirassol no Brasileirão, Lingard atingiu uma marca histórica: tornou-se um dos primeiros jogadores a marcar gols em três competições continentais diferentes, somando suas passagens pela Europa League, Champions da Ásia e agora a Libertadores.
Sobre o nível do futebol praticado no Brasil, o meia refutou a ideia de que o país está distante da elite europeia ao destacar que o jogo por aqui possui um nível alto e exige uma adaptação muito rápida. Para o inglês, o futebol é quase o mesmo globalmente e, embora diferentes ligas apresentem variações de intensidade e propostas táticas, o cenário brasileiro não está tão atrás dos principais centros do mundo.
“Eu sempre joguei nos maiores níveis e foi por isso que eu vim. Eu posso ver nos dias de jogos o quão intenso é o jogo e é preciso se adaptar bem rápido, pra ser honesto. Mas eu tenho aproveitado meu futebol, estou feliz e sorrindo, o que é o mais importante.”
O fator Memphis e a sintonia com a Fiel
Um dos temas centrais da conversa foi a parceria com Memphis Depay. Lingard não escondeu o desejo de que o holandês permaneça no clube após o ciclo da Copa do Mundo, classificando-o como um líder fundamental que ajuda o time dentro e fora das quatro linhas. Sobre a possibilidade de um “quarteto fantástico” com Garro e Yuri Alberto, o inglês acredita que, no futebol, tudo é possível com o trabalho duro que o elenco vem apresentando.
A adaptação de Lingard também passa pela arquibancada. O jogador se mostrou encantado com a atmosfera da Neo Química Arena e a energia dos torcedores. Chamando-os de “12º homem”, o meia destacou como o apoio da Fiel dá confiança e esperança ao time, prometendo retribuir o esforço dos fãs que viajam e pagam ingressos para ver o Timão. Ele, inclusive, já começou a ensaiar os versos do “Poropopó” para celebrar a conexão com o “Bando de Loucos”.
“Eles nos dão tanta energia, especialmente quando estamos em campo, e você consegue sentir isso. São o 12º homem, como dizemos na Inglaterra. Eles nos ajudam muito, nos dão confiança, nos dão esperança e nós queremos vencer os jogos para eles também, eles comparecem, pagam ingressos, viajam para nos assistir em casa e fora e precisamos jogar o máximo por eles”, afirma o inglês de 33 anos.
A jornada de Jesse Lingard no Brasil ainda está em seus capítulos iniciais, mas a conexão estabelecida entre o “Dinizismo” e o carisma do meia inglês sugere que o Parque São Jorge encontra um ambiente fértil para grandes histórias. O foco agora se volta totalmente para a continuidade da Libertadores, onde o camisa 10 espera transformar a “liberdade de criança” pregada por seu treinador em títulos e mais marcas históricas para sua galeria pessoal.
Com a experiência de quem já conquistou a Europa e o entusiasmo de quem já ensaia os cânticos da Fiel, o jogador parece pronto para assumir o protagonismo que a Fiel Torcida espera. Se a invencibilidade recente ficou pelo caminho, o otimismo de Lingard permanece intacto, selando a conversa com o grito que resume sua nova fase: “Vai, Corinthians!”.














