Logo R7.com
RecordPlus

Camisa da Seleção Brasileira com logo de ídolo americano?

A nova camisa II da Seleção Brasileira divide opiniões. Gostar ou não do design é do jogo, porém temos que ter cuidado com a desinformação

Desimpedidos|Gabriela Martins

  • Google News

A nova camisa reserva que a Seleção Brasileira usará na Copa de junho mal saiu do forno e já se tornou o centro de um debate acalorado. O motivo? O logotipo da Jordan Brand estampado no peito. Para muitos, pareceu uma homenagem aleatória ao ídolo do basquete norte-americano, mas a verdade é que o buraco é bem mais embaixo – e estrategicamente mais interessante.

Camisa manteve o tradicional azul, mas variando entre tons claros e escuros Divulgação/Jordan/Nike - 12.03.2026

Aí é que está: embora a marca tenha nascido de Michael Jordan nos anos 80, ela transcendeu as quadras há décadas. Hoje, a Jordan é sinônimo de lifestyle, cultura urbana e relevância global. Ao trazer o “Jumpman” para o futebol nacional, a Nike coloca o Brasil em um patamar de exclusividade: somos a primeira seleção do mundo a ostentar a marca, reforçando nosso peso como os únicos pentacampeões. É um movimento que o PSG iniciou com sucesso em 2018, preenchendo uma lacuna de moda casual e ‘streetwear que, convenhamos, faltava nos produtos da nossa Seleção.


Linha "streetwear" lançada pela parceria entre Jordan e CBF Divulgação/Jordan/Nike

Entendo a estranheza inicial. O design é disruptivo, com um azul mais profundo e detalhes em preto que fogem do óbvio. Até o lema mudou: o icônico “Joga Bonito” deu lugar ao “Joga Sinistro”. Pode parecer um detalhe bobo, mas em um jejum de 24 anos sem títulos mundiais, a narrativa precisava de um choque de realidade. Menos poesia, mais voracidade.

Sobre as críticas de que a camisa seria uma “homenagem ao Michael Jordan”, elas simplesmente não sustentam a realidade do mercado. Não se trata de um tributo a um ex-atleta, mas de uma jogada de mestre de branding para atrair novos públicos e conectar a Seleção com as gerações mais jovens — onde hoje existe um abismo nítido.


Nova camisa azul da Seleção Brasileira para a disputa da Copa do Mundo Divulgação/Jordan/Nike

E para quem questiona: “Por que não o soco no ar do Pelé?”. A resposta é pragmática, embora doa no coração dos românticos: a marca Pelé, hoje gerida pelo grupo NR Sports – do ‘Neymar Pai’ – nunca foi trabalhada com a mesma escala global de licenciamento da Jordan. Além disso, a marca americana é uma ‘divisão’ da própria Nike. Unir as duas é um processo “dentro de casa”, sem o pesadelo burocrático de royalties e contratos externos que uma colaboração com a marca Pelé exigiria neste momento.

Gostar ou não do visual faz parte do jogo. O tradicionalismo sempre terá seu espaço, mas no tribunal do marketing, a inovação é a única forma de permanecer relevante. Se a camisa vai trazer o hexa, ainda não sabemos, mas em termos de posicionamento de mercado, o gol já foi marcado.

Agora, nos resta aguardar os próximos capítulos (e os números de venda).

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.