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De volta, Carille explica saída do Corinthians em 2018: 'Uma ameaça me assustou'

Futebol|Do R7

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O técnico Fábio Carille nunca revelou os detalhes sobre sua saída do Corinthians para o Al Wehda, da Arábia Saudita, em maio do ano passado. Além dos "dois caminhões de dinheiro", ficou no ar uma suposta relação ruim com Andrés Sanchez. Em conversa com o Estado, o treinador negou que tenha qualquer atrito com o atual presidente do clube e disse que "diversos problemas pessoais" tiveram influência na decisão.

O principal, a ameaça de sequestro de sua mãe. "Mexeu muito comigo." Na véspera do primeiro jogo da final do Campeonato Paulista contra o Palmeiras, um vídeo vazou na internet com um membro da organizada alviverde fazendo tal ameaça. "Hoje vejo diferente, como um movimento que não ia dar em nada. Mas na época me assustou."

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Sete meses depois da saída, voltou como salvador da pátria do Corinthians e com a possibilidade de conquistar o tricampeonato paulista consecutivo, algo que o clube não consegue há 80 anos.

O que mudou no Corinthians de quando saiu para agora?

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Falando de CT e de clube, tudo igual. De elenco, algumas mudanças que eram necessárias. Vieram alguns jogadores. Agora precisamos ajustar quem está chegando para que entendam o que é Corinthians, a forma de jogar.

Pesa ter o nome gritado no estádio mais alto do que qualquer jogador?

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Isso é muito legal. Já me senti muito feliz lá na Arábia durante a negociação, por tudo o que aconteceu nas redes sociais. Está sendo um momento mágico. Minha responsabilidade aumenta.

Acha que você voltou com mais voz no clube?

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Depois de ser campeão pela primeira vez, em 2017, começaram a olhar diferente não só dentro do clube, mas fora também: os torcedores, os jornalistas, os adversários. De lá para cá é do mesmo jeito e a gente tem de saber administrar.

O que espera para fechar o elenco para o Paulistão?

Tem a possibilidade da chegada de alguns jogadores. Temos até o dia primeiro de março para inscrever, temos paciência. Espero que venha alguém.

Tem posições específicas?

O clube está de olho em tudo. Está pensando em fazer elenco para vários anos. Não só para seis meses, um ano. Está analisando as possibilidades de mercado e está bem atento.

Quantos jogadores pretende aproveitar da Copa São Paulo?

Não dá para saber ainda. Conheço a maioria há anos. Em 2017, tínhamos 14 jogadores da base na nossa lista. Gosto muito de trabalhar com a base.

Você foi auxiliar do Mano Menezes e do Tite. Se tiver que citar um aprendizado com cada técnico, qual seria?

Muito fácil. Sobre o Mano, o quanto ele já descobre os problemas e consegue ajustar o time. É muito rápido e em vários jogos me surpreendeu. E o Tite é nessa questão de montar um time e repetir, repetir, repetir.

Com qual você se parece mais?

Sou mais a linha do Tite, porém em 2018 fui Mano. Fui mudando muito a forma de o time jogar. Ou seja, todas as formas são vencedoras. Sou mais a linha do Tite, mas também tenho um pouco do Mano.

Como vê esse elenco em comparação com o dos dois últimos Estaduais?

Vejo mais equilibrado, e que vai ter mais disputa. Em 2017 e 2018 já tínhamos o elenco formado e chegaram três, quatro peças que ajudaram. Eram jogadores mais identificados com o clube. Agora está mais equilibrado, porém sem histórico com o clube.

Quem do atual elenco você aponta com futuro promissor?

O Pedrinho é um talento, o Matheus Vital jogou muito comigo, tem 21 anos, muita técnica, tem força. Esses dois jovens irão crescer muito.

O que já conseguiu acertar e o que falta acertar neste time?

O sistema defensivo teve um entendimento bastante legal. Agora mesmo é ajuste de entrosar, de conhecer mais o outro.

Como foi o período na Arábia?

Foi muito legal, fomos muito bem recebidos no país. Vivemos muito bem. Cidade muito boa, no Mar Vermelho. País seguro. São 4,5 milhões de habitantes e há 11 anos aconteceu o último homicídio. A única queixa foi a estrutura. O ministro que nos contratou ficou doente, foi fazer tratamento nos Estados Unidos e tudo mudou.

Tinha planos para treinar a seleção do país?

Lá começaram comentários sobre isso. Foi algo que escutei da imprensa. O trabalho era bom. Saí em quarto, na frente de clubes tradicionais.

Um dos motivos de sua saída seria uma relação ruim com o Andrés Sanchez...

Quando saí, na minha resposta, deixei muita coisa no ar e vai continuar assim porque foi uma decisão pessoal. Disseram que foi por causa do Andrés. Tive problemas pessoais e um deles foi a tentativa de sequestro da minha mãe. Mexeu comigo. Hoje vejo diferente, como um movimento que não ia dar em nada. Mas na época assustou. Foi pessoal, tanto que voltei e minha conversa com o Andrés foi muito boa. Com ele, com meu empresário e com o Ronaldo (Fenômeno), que também me aconselhou a voltar. Foi o Andrés que me trouxe para o Corinthians em 2009.

Como projeta seu futuro?

A gente tem de ter ambições e objetivos. Todos os sonhos te fazem buscar cada vez mais. Existe o sonho, sim, de ir para a Europa, mas sou muito de olhar o amanhã. Meu objetivo agora é dar uma cara para esse time, saber que requer um tempo fazer 30 cabeças pensar do mesmo jeito. Motiva: quero chegar em um grande clube da Europa, em uma seleção. Isso ambiciona e faz ser melhor.

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