Damiris festeja boa fase no basquete: 'Espero inspirar outras garotas a sonhar'

Cada vez que entra em quadra Damiris lembra da dificuldade que enfrentou para transformar o sonho em realidade. De origem humilde, o trajeto de duas horas de trem de Ferraz de Vasconcelos, onde nasceu, até Santo André, então com 13 anos, para treinar no instituto da ex-jogadora Janeth, era apenas um dos obstáculos diários.

Aos 26 anos, a ala acumula cinco temporadas na WNBA - atua pelo Minnesota Lynx -, já defendeu o Brasil em dois Jogos Olímpicos - Londres-2012 e Rio-2016 - e virou referência na seleção brasileira que, sob o comando do técnico José Neto, está recuperando o espaço que perdeu no cenário do basquete mundial.

Após o bom desempenho na Copa América, em Porto Rico, quando registrou médias de 17,3 pontos, 6,8 rebotes e 2,5 assistências e foi eleita para o quinteto ideal do torneio em que o Brasil conquistou a medalha de bronze no fim de setembro, e antes de embarcar para defender o Busan BNK Sum em mais uma experiência na Coreia do Sul, Damiris concedeu entrevista ao Estado.

Segundo ela, todo o esforço foi recompensado. Assim, espera que outras meninas possam se inspirar em sua história. A ala garante também que estará presente no Pré-Olímpico das Américas, que será em novembro, na Argentina, e concede duas vagas para o Pré-Olímpico Mundial, e elogia o início de trabalho do técnico José Neto.

Aos 26 anos, você atua na maior liga do mundo, é o destaque da seleção e já disputou dois Jogos Olímpicos... Todo o esforço lá no começo, indo de trem de Ferraz de Vasconcelos até Santo André para treinar, muitas vezes sem um tênis adequado, valeu a pena?

Valeu muito. Não foi nada fácil, era uma menina quando iniciei no basquete, mas meus tios, minhas irmãs e a Janeth nunca deixam eu desistir. Sempre me mostravam onde eu poderia chegar.

Você se vê como um símbolo de superação, de sucesso, capaz de alimentar o sonho de jovens carentes?

Minha história não é muito diferente de milhares de outras meninas pelo Brasil. Meninas cheias de sonho e de origem humilde, sem muitas perspectivas. Espero que, de alguma forma, eu possa inspirar, motivar e empoderar outras garotas a continuar a buscarem seus sonhos.

A Janeth ainda te dá conselhos?

Ela é uma mãezona para mim, uma pessoa muito presente em minha vida. Ela está sempre me orientando e compartilhando de sua experiência.

Falando agora da seleção, você ficou fora na conquista do Pan de Lima, neste ano, e voltou à seleção na Copa América. Foi possível observar alguma mudança significativa com o José Neto?

Sim, o Neto está trazendo uma nova filosofia de trabalho e todas estão comprometidas na busca de resultados positivos. A equipe está unida e muito focada. Estou gostando, estou bastante otimista com o trabalho do Neto.

O momento da seleção feminina anterior à chegada dele necessitava de uma ruptura, um fato novo para recuperar o espaço que havia perdido?

Penso que precisávamos de um trabalho mais consistente, um tempo maior de preparação, um trabalho a médio prazo. Espero que possamos ter isso com ele.

Como avalia o desempenho na Copa América, com bons jogos contra Canadá e Estados Unidos e atropelando outros rivais, como Argentina e Porto Rico, que estavam superando o Brasil recentemente?

O time está feliz, unido e principalmente comprometido com o resultado. Sabemos que não existe mais equipe fraca e, por isso, estamos todas trabalhando duro para atingir o mais alto lugar no pódio.

Individualmente você teve um desempenho espetacular, ficou satisfeita?

Eu estou muito feliz por ter ajudado o time e, como consequência, ter sido eleita no quinteto ideal. Antes de estar com o grupo, joguei dois campeonatos fortes, tanto o da Coreia do Sul quanto da WNBA e me sentia preparada para contribuir com a equipe.

O próximo desafio será no Pré-Olímpico das Américas em novembro. Você está indo jogar na Coreia novamente. Estará presente para defender o Brasil?

Com certeza. Já deixei acordado com o time da Coreia a minha participação neste momento tão importante para o basquete feminino.

A seleção está no grupo com EUA, Argentina e Colômbia. É possível superar argentinas e colombianas para garantir vaga no Pré-Olímpico Mundial?

São equipes forte e certamente estão se preparando também. Mas acredito em nossa equipe e sei que é possível. Vamos trabalhar forte para atingir o objetivo principal, que é garantir uma vaga.

Caso se classifique, o Brasil rivais ainda mais fortes no Pré-Olímpico Mundial. A sua terceira olimpíada ainda é uma realidade distante?

Não é distante, não (Risos). Acredito que estaremos lá. Vamos trabalhar para conquistar esta vaga.

Acredita que o basquete feminino foi deixado de lado por muito tempo, principalmente na gestão anterior da CBB, e agora está voltando ao devido lugar?

Acredito que estamos no caminho certo. Há muito o que melhorar, mas estamos no caminho certo. Sou a favor de uma gestão igualitária, onde o principal objetivo é o crescimento do basquete brasileiro como um todo.

Como avalia sua temporada na WNBA pelo Minnesota Lynx, indo aos playoffs?

Estou muito feliz no Lynx. A equipe está renovada e promete uma ótima próxima temporada.

Como vê o atual cenário do basquete jogado no Brasil?

Acredito que estamos em uma evolução e o trabalho que vem sendo realizado em tão pouco tempo já apresentou resultado. Estamos positivamente em uma crescente.