Logo R7.com
RecordPlus
R7 Esportes

Figurinhas da Copa nos rótulos da Coca-Cola causam onda de furtos

Especialistas em direito afirmam que empresa criou “fator de risco previsível” ao colocar brinde nas garrafas

Copa do Mundo|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Coca-Cola lançou campanha oferecendo figurinhas da Copa nos rótulos das garrafas para atrair consumidores.
  • A campanha resultou em furtos em supermercados, com consumidores retirando figurinhas sem comprar o produto.
  • A empresa anunciou que irá repor os produtos parcialmente furtados para evitar prejuízos aos pontos de venda.
  • Especialistas em direito consideram a ação um "fator de risco previsível", responsabilizando a Coca-Cola pela situação.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Coca-Cola deveria saber que dar brinde no Brasil não é o bastante? Reprodução/X

A Copa do Mundo chegou e, com ela, as figurinhas voltam a enlouquecer colecionadores. Vendo a oportunidade, eis que a Coca-Cola resolve oferecer cromos nos rótulos das garrafas. Uma estratégia bem simples, diga-se de passagem: oferecer um brinde, atrair mais consumidores para os supermercados e aumentar as vendas. É a típica ação em que todo mundo ganha. Ou pelo menos, seria.

Mas como no Brasil a lógica é uma ciência experimental, tudo pode acontecer (leia-se: tudo que não deveria e nada do que se esperava). A ação de marketing básico foi o estopim para uma onda de furtos em supermercados país afora.


“Consumidores” descobriram que arrancar as figurinhas dos rótulos sem ter de comprar o produto era bem mais fácil. E como produtos sem rótulo não podem ser vendidos, eis que o que era para ser lucro rapidamente se tornou prejuízo.

A Coca-Cola anunciou que fará a reposição dos produtos que foram, digamos, parcialmente furtados para que os pontos de venda não sofram prejuízos. Porém, quem pagará pelo vexame moral coletivo que esse tipo de coisa causa a um país inteiro?


Como conviver com o fato de que, neste país, colocar um brinde ao alcance das mãos do consumidor é, segundo advogados e especialistas em direito, um “fator de risco previsível”? Ou seja, a Coca-Cola é responsável por substituir os produtos, pois deveria saber que isso aconteceria.

Levando em conta esse raciocínio tão sofisticado quanto culpar o termômetro pela febre, chegamos a tristes conclusões: andar com o celular na rua, dirigir com a janela aberta ou usar qualquer objeto de valor é criar um fator de risco previsível.


Ou você acha que pode ficar exibindo coisas que despertem o desejo das pobres vítimas da sociedade capitalista e não ser roubado, furtado ou assaltado – ou, quem sabe, sofrer os três infortúnios, dependendo do mole que você der?

A malfadada campanha da Coca-Cola explica muito mais sobre o Brasil do que sobre vender refrigerante. Infelizmente.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.