Figurinhas da Copa nos rótulos da Coca-Cola causam onda de furtos
Especialistas em direito afirmam que empresa criou “fator de risco previsível” ao colocar brinde nas garrafas
Copa do Mundo|Do R7
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A Copa do Mundo chegou e, com ela, as figurinhas voltam a enlouquecer colecionadores. Vendo a oportunidade, eis que a Coca-Cola resolve oferecer cromos nos rótulos das garrafas. Uma estratégia bem simples, diga-se de passagem: oferecer um brinde, atrair mais consumidores para os supermercados e aumentar as vendas. É a típica ação em que todo mundo ganha. Ou pelo menos, seria.
Mas como no Brasil a lógica é uma ciência experimental, tudo pode acontecer (leia-se: tudo que não deveria e nada do que se esperava). A ação de marketing básico foi o estopim para uma onda de furtos em supermercados país afora.
“Consumidores” descobriram que arrancar as figurinhas dos rótulos sem ter de comprar o produto era bem mais fácil. E como produtos sem rótulo não podem ser vendidos, eis que o que era para ser lucro rapidamente se tornou prejuízo.
A Coca-Cola anunciou que fará a reposição dos produtos que foram, digamos, parcialmente furtados para que os pontos de venda não sofram prejuízos. Porém, quem pagará pelo vexame moral coletivo que esse tipo de coisa causa a um país inteiro?
Como conviver com o fato de que, neste país, colocar um brinde ao alcance das mãos do consumidor é, segundo advogados e especialistas em direito, um “fator de risco previsível”? Ou seja, a Coca-Cola é responsável por substituir os produtos, pois deveria saber que isso aconteceria.
Levando em conta esse raciocínio tão sofisticado quanto culpar o termômetro pela febre, chegamos a tristes conclusões: andar com o celular na rua, dirigir com a janela aberta ou usar qualquer objeto de valor é criar um fator de risco previsível.
Ou você acha que pode ficar exibindo coisas que despertem o desejo das pobres vítimas da sociedade capitalista e não ser roubado, furtado ou assaltado – ou, quem sabe, sofrer os três infortúnios, dependendo do mole que você der?
A malfadada campanha da Coca-Cola explica muito mais sobre o Brasil do que sobre vender refrigerante. Infelizmente.
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