Cosme Rímoli chama jogadores brasileiros de mimados: ‘Somos uma seleção de segundo escalão’
Em entrevista ao programa ‘Link News’, jornalista não poupou críticas à atuação do Brasil na Copa do Mundo
Copa do Mundo|Do R7, com RECORD NEWS
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Às vésperas da final da Copa do Mundo, que acontece neste domingo (19), o jornalista Cosme Rímoli traz ao Link News uma análise sincera da participação brasileira no torneio. Para ele, se estamos prestes a assistir ao show de Argentina e Espanha, é graças à nossa incompetência, a uma preparação “horrorosa” e a um treinador que “nos enganou”. A seleção foi eliminada por 2 a 1 pela Noruega, nas oitavas de final.
“Eu tenho 40 anos de carreira. Às vezes é muito chato você conseguir enxergar umas coisas que as pessoas não enxergam. O Ancelotti teve 14 partidas para preparar um time. Ele não conhecia a seleção brasileira a fundo. O Scaloni, técnico da seleção da Argentina, está há 7 anos com a seleção. O Luis de la Fuente, técnico da seleção espanhola há 3 anos e meio, mas ele trabalhou na base com a seleção espanhola. Nós fomos iludidos”, diz Cosme.

Na avaliação do jornalista, taticamente o técnico italiano se saiu pior que Tite, que esteve à frente da Amarelinha durante as eliminações de 2018 e 2022. “Nós somos hoje uma seleção de segundo escalão”, avalia. Durante a cobertura da delegação nos Estados Unidos, ficou claro para o jornalista que ele lidava com jogadores muito protegidos, apesar de pouco talentosos.
“Não tinha coragem de encarar o jornalista para falar. Normalmente a gente só queria conversar. O que acontecia era uma coletiva, numa sala de imprensa, a gente espremido, lutando para fazer uma pergunta. Quando você fazia uma pergunta dura, havia uma certa represália. Um clima assim, os jogadores mimados, superprotegidos, sem grande técnica, todos coadjuvantes.”
Ele aponta o contraste de postura entre a atual seleção e o time que trouxe o pentacampeonato. Em 2002, Cosme foi e voltou da Copa no avião do Brasil. “Os jogadores vieram conversar com a gente, mesmo os que fizeram uma péssima campanha nas eliminatórias. Eu trago uma recordação que eu vou levar pra vida toda. Eu não gosto de pedir autógrafo para ninguém, mas tenho um autógrafo do Ronaldo e do Rivaldo” — mesmo ambos sendo alvos de duras críticas do jornalista.
“Ou seja, era a relação humana. A gente tinha isso. Copa de 98, o Brasil perde a Copa na final. Os jogadores todos vêm falar. Copa de 2026, o Brasil perdeu. Nós, da escrita, que gostamos de coisas mais profundas, os jogadores passaram correndo. O Neymar, o principal, sai voando. O Neymar fez com que o Brasil ficasse refém dele por 14 anos”, reflete.
O Brasil mereceu perder, é a conclusão a que ele chega. Segundo ele, temos jogadores fracos, um técnico que fez um péssimo trabalho e a tendência de que o cenário desanimador persista. “A gente pega a Espanha, pega a Argentina, que também tem presidentes corruptos. Mas o trabalho de base é sério. Colocam treinadores de ponta na base. O que o Brasil faz é colocar treinadores politicamente ligados à chefia da CBF”, aponta.
“Isso que é o grande problema no Brasil. [...] A gente não tem jogadores talentosos, não desenvolve. Os que desenvolvem vão para a Europa jogar como os europeus. E a gente perdeu a essência. Nós não temos essência. A seleção brasileira não tem essência”, ressalta.
Mudando de assunto, Cosme não deixou a entrevista sem dar seu palpite para a partida final da Copa. Seu coração é da Argentina, ele diz, por “tudo que o Messi fez e merece”. “Eu acho que vai dar a Argentina”, crava.
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