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Copa: treinadores estrangeiros ganham espaço e ameaçam quebrar barreira histórica

Aposta em treinadores de fora ganha força entre potências do futebol, que tentam superar crises e romper jejuns de títulos

Copa do Mundo|Da Reuters

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Seleções nacionais, como Inglaterra e Bélgica, estão cada vez mais apostando em treinadores estrangeiros, desafiando a tradição de manter técnicos locais.
  • Thomas Tuchel e Rudi Garcia são exemplos de técnicos estrangeiros que chegaram às quartas de final da Copa do Mundo, mostrando que essa estratégia pode ser bem-sucedida.
  • O Brasil, com Carlo Ancelotti, ainda busca resultados positivos e estabilidade, enquanto enfrenta críticas e tenta superar um jejum de títulos desde 2002.
  • O futebol moderno está se tornando mais globalizado, e países estão buscando inspiração no exterior para superar crises e evoluir suas estratégias de jogo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Alemão Thomas Tuchel tenta levar a Inglaterra ao título da Copa do Mundo
Alemão Thomas Tuchel tenta levar Inglaterra ao título da Copa do Mundo Paul Childs/Reuters - 05.07.2026

Seleções nacionais há muito tempo resistem à contratação de treinadores estrangeiros, especialmente aquelas que encaram a Copa do Mundo como uma expressão da identidade nacional, mas, com a Inglaterra de Thomas Tuchel e a Bélgica de Rudi Garcia chegando às quartas de final este ano, o antigo tabu está sendo posto à prova novamente.

No início do torneio, 27 países tinham treinadores estrangeiros no comando, contra nove há quatro anos, mas apenas o alemão Tuchel e o francês Garcia permanecem na disputa para se tornarem os primeiros treinadores estrangeiros a levantar o troféu.


A última vez que um estrangeiro levou uma seleção à final foi o austríaco Ernst Happel, cuja seleção holandesa perdeu para a Argentina em 1978, mas a Inglaterra pode finalmente ter encontrado a fórmula certa após experiências fracassadas com os técnicos estrangeiros Sven-Göran Eriksson e Fabio Capello.

Outros — principalmente o Brasil, com o italiano Carlo Ancelotti, que foi nomeado há apenas um ano para iniciar uma grande reformulação na seleção — ainda não conseguiram dar o mesmo salto.


Tuchel não foi contratado para fazer uma reformulação completa, mas sim para levar a Inglaterra um passo adiante, depois que Gareth Southgate levou a seleção a duas finais de Eurocopa e a uma semifinal de Copa do Mundo.

O alemão continua no caminho certo após superar a República Democrática do Congo e o México, garantindo um confronto nas quartas de final contra a Noruega, que eliminou o Brasil nas oitavas.


A seleção brasileira, recordista com cinco títulos mundiais, continua abaixo do esperado, já que não chega a uma final desde a conquista de 2002. E, embora a ousada aposta em um técnico estrangeiro não tenha trazido sucesso imediato, Ancelotti terá mais tempo.

O italiano assinou uma renovação de contrato até a próxima Copa do Mundo, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) espera que a estabilidade traga resultados positivos, apesar de Ancelotti ter sido alvo de muitas críticas.


A Bélgica, por sua vez, está acostumada a contratar técnicos estrangeiros, e o espanhol Roberto Martínez levou a seleção do país ao terceiro lugar em 2018. Martínez não conseguiu repetir esse desempenho com Portugal desta vez, já que sua equipe foi eliminada pela Espanha nas oitavas de final.

A Espanha é o adversário de Garcia nas quartas de final, e a Bélgica entrará em campo confiante contra os campeões europeus após sua vitória contundente por 4 x 1 sobre os Estados Unidos, co-anfitriões do torneio.

Futebol sem fronteiras

As federações menores há muito tempo contam com profissionais de fora para modernizar seu futebol, mas há uma mudança nas expectativas entre as grandes nações, cuja relutância em contratar estrangeiros manteve essa estatística estagnada por quase um século.

Essa resistência refletia a forma como as seleções nacionais eram tradicionalmente vistas, segundo Simon Kuper, autor de “World Cup Fever”, “Soccernomics” e “Football Against the Enemy”.

“Acho que, em parte, é orgulho nacional”, disse Kuper à Reuters.

“É a ideia de que, em uma Copa do Mundo, você não está apenas tentando vencer o máximo possível, mas também tentando mostrar a cultura futebolística do seu país, e isso se estende ao técnico.”

“Existe uma forte crença de que é quase uma trapaça e que não é autêntico contratar um técnico estrangeiro.”

Os oito países que já venceram a Copa do Mundo costumavam ter um grande e experiente grupo de treinadores para escolher, e o cargo ainda é visto como o ápice da carreira de um técnico.

“Dar o cargo a um estrangeiro é um insulto aos principais treinadores do próprio país, então isso é politicamente complicado”, disse Kuper.

“E há uma sensação, que era mais forte no passado, de que temos esse jeito único de jogar, próprio do nosso país, e que nenhum técnico estrangeiro poderia entender.”

O futebol moderno e globalizado, no entanto, diluiu muitas das antigas fronteiras táticas.

“Vivemos em uma era em que existe um estilo internacional, que é uma expressão da arquitetura, mas que agora se aplica ao futebol”, disse Kuper.

“Em grande parte, é uma maneira internacional de jogar, que envolve contato físico, mudanças de posição, circulação de bola muito rápida e um jogo coletivo muito organizado.”

É provável que essa mudança faça com que mais países busquem inspiração no exterior, caso seu sistema atual não traga sucesso.

“A razão pela qual o Brasil fez essa mudança é que percebeu, assim como muitos países antes dele, que seu estilo nacional não funciona mais”, disse Kuper.

“É um pouco como o que a Inglaterra fez, ao contratar Eriksson e depois Capello. É uma espécie de aceitação de que se tem um estilo nacional de jogo disfuncional.”

“Mas essa é uma decisão muito importante para uma federação tomar: admitir que perdemos o rumo e precisamos abrir mão dessa essência à qual as pessoas em nosso país são muito apegadas.”

Essa decisão difícil geralmente surge em momentos de crise, afirmou.

“Se você é uma grande federação que vem falhando em relação aos seus padrões há muito tempo — esse foi o caso da Inglaterra e é o caso da Itália agora”, disse Kuper.

“O mesmo vale para o Brasil: eles participam de todos os torneios com o objetivo de vencer; portanto, em um momento de crise, você toma essa decisão.”

“E não é o fim do mundo, como mostra o caso da Inglaterra. Mesmo em uma cultura futebolística muito patriótica, a maioria das pessoas vai aceitar.”

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