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Copa do Mundo ameaçada? Entenda como a guerra entre EUA e Irã impacta o Mundial

Dirigentes da Fifa ficam em alerta com consequências de conflito para maior edição da história do torneio

Copa do Mundo|Carol Malheiro*, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra entre EUA e Irã gera incertezas para a Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá nos EUA, México e Canadá.
  • Dirigentes da Fifa discutem possíveis consequências do conflito na participação das seleções, especialmente a do Irã.
  • Em 2022, as federações internacionais suspenderam a Rússia após o país invadir a Ucrânia.
  • A situação política afeta também o México, que enfrenta violência recente, aumentando as preocupações em torno da competição.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Copa do Mundo pode sofrer consequências com conflito mundial Mateus Bonomi/REUTERS - 26.02.2026

A três meses da maior competição esportiva do mundo, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã provoca um cenário de incerteza e de emergência para a Fifa. No último sábado (28), quando o conflito eclodiu, dirigentes da entidade se reuniram para discutir as consequências que o conflito poderia gerar à Copa do Mundo de 2026, a maior edição da história do torneio, que será disputada nos EUA, México e Canadá.

No momento, o esforço da instituição é garantir a permanência de todas as nações no Mundial, algo que, segundo o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, é “improvável” sob o contexto da tensão político-social. Em entrevista a uma televisão estatal, Taj afirmou que “os ataques não são um bom presságio para a Copa deste ano e que autoridades do governo avaliarão a situação antes de decidir se alguma medida deve ser tomada”.


Segundo o professor de ciências políticas da ESPM, Paulo Niccoli Ramirez, um dos principais impactos que a guerra pode alavancar é uma onda de abandonos da participação no Mundial, pelo menos do Irã.

“Certamente, haverá alguma questão envolvendo a participação do Irã na Copa do Mundo. O que pode gerar, de repente, alguma onda de abandonos da participação no Mundial. Outras seleções, como o Egito, uma nação que, apesar de aliada dos Estados Unidos, não vê com bons olhos ataques contra países islâmicos. Caso a Turquia também avance na repescagem da Copa, é outro país que deve se manifestar. É preciso ver se a guerra vai se alastrar pelo Oriente Médio e atingir grandes potências, outros países podem boicotar a competição, mas só o tempo vai dizer”, explicou.


A seleção do Irã se classificou para disputar o Mundial pelo quarto ano consecutivo, ficando em primeiro lugar no Grupo A das eliminatórias asiáticas. O país está no Grupo G ao lado de Egito, Bélgica e Nova Zelândia e disputará todas as partidas da fase de grupos nos Estados Unidos.

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Irã pode ser excluído da Copa?

Antes da guerra eclodir em 2026, os iranianos já estavam proibidos de viajar aos Estados Unidos desde junho de 2025, quando o país persa também estava em conflito com o país norte-americano e Israel.


O banimento, contudo, tem como exceção “qualquer atleta ou membro de um time esportivo, incluindo treinadores, pessoas que realizam um trabalho de suporte, e imediatos parentes, que estejam viajando para participação de competições como a Copa do Mundo ou outro grande evento esportivo”.

Porém, no último ano, vários membros da delegação do Irã tiveram o visto negado para a participação no sorteio da Copa do Mundo em dezembro. O chefe da força-especial da Casa Branca, Andrew Giuliani, explicou que toda decisão sobre visto é uma medida de segurança.


A alternativa que a Fifa pode recorrer é transferir todos os jogos da seleção iraniana para o Canadá ou México, o que não seria uma medida eficaz, caso o país avançasse na competição e, eventualmente, tivesse que disputar a fase de mata-mata nos EUA.

Para Paulo Ramirez, uma possível exclusão do Irã do torneio ainda está fora de cogitação. Segundo o professor, avaliando casos passados, como o da Rússia em 2022, quem poderia ser alvo de punição são os Estados Unidos.

Copa do Mundo pode mudar de sede?

Após o ataque do último sábado, os Estados Unidos romperam a Trégua Olímpica, período de 52 dias entre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, proposto pela ONU (Organização das Nações Unidas), pela segunda edição seguida. Em 2022, a Rússia atacou a Ucrânia durante esse intervalo e foi suspensa pelas federações internacionais após decisão do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Hoje, a Rússia está proibida de disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo, e atletas não podem representar o país nas Olímpiadas. No estatuto da Fifa, não existe uma norma sobre a mudança de sede em caso de países envolvidos em conflitos.

A entidade afirma que “permanece neutra em assuntos de política e religião”, mas diz que “exceções podem acontecer em relação a assuntos afetados pelos objetivos estatutários”.

Mudar sede da Copa pode gerar prejuízo econômico e político

Segundo o especialista, a situação entre Rússia e Estados Unidos é bem diferente devido à influência e poder econômico e militar norte-americano.

“Suspender hoje um Mundial nos Estados Unidos poderia acarretar numa perda de patrocinadores. E não só isso, como também uma retaliação à instauração do futebol nos Estados Unidos, que cresceu nos últimos anos com um esforço gigantesco de marketing e contratação de jogadores de peso, como, principalmente, Lionel Messi. Outra consequência seria um prejuízo na economia norte-americana, que poderia levar Donald Trump a expandir as taxações a outras nações mundo afora”, explicou.

Vale lembrar que os Estados Unidos não são o único país-sede que vive uma crise político-social no momento. A morte do narcotraficante Nemésio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, no dia 22 de fevereiro, ocasionou uma onda de violência no estado de Jalisco, no México, região que receberá partidas da Copa do Mundo.

Partidas de futebol da liga do país e outros torneios esportivos que seriam disputados nas cidades mexicanas foram cancelados ou adiados, e o clima de instabilidade levantou dúvidas sobre a realização da repescagem da Copa, prevista para março em Guadalajara. O que aumenta a lista de preocupações para a competição esportiva de maior visibilidade do mundo.

*Sob supervisão de Camila Juliotti

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