4 polêmicas que a Copa do Mundo de 2026 teve antes de começar
Ampliação para 48 seleções trouxe desafios no formato dos confrontos, com críticas ao sistema de classificação dos terceiros colocados
Copa do Mundo|Federico Leiva, da CNN Internacional
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A maior Copa do Mundo da história está prestes a começar. A primeira Copa do Mundo a ser organizada por três países diferentes traz a novidade de ter quase cinquenta seleções participantes, garantindo assim maior alcance e interesse.
No entanto, o torneio da Fifa (Federação Internacional de Futebol) raramente esteve isento de polêmicas, e esta edição não tem sido exceção.
De ingressos extremamente caros a um classificado que não se sente muito bem-vindo, há controvérsias que vale a pena registrar antes que a bola comece a rolar e nos faça esquecê-las.
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Há seis meses, Don Riddell, da CNN Internacional, levantou a questão de saber se esta Copa do Mundo seria a do “sanduíche de camarão”, expressão que nasceu nos anos 2000 e que implica a presença nas arquibancadas de espectadores com alto poder aquisitivo e pouco conhecimento (e interesse) pelo jogo em si.
E a realidade é que os preços dos ingressos para o torneio, que começa no dia 11 de junho, não fizeram nada além de lhe dar razão.
Os ingressos para os jogos de abertura (estavam em torno de quase US$ 2.000, cerca de R$ 10 mil, na cotação atual, em dezembro) tiveram valores proibitivos para muitos moradores locais, que amargamente tiveram que desistir de presenciar sua própria Copa do Mundo.
Esse sentimento de amargura (e raiva, claro) esteve particularmente presente em solo mexicano, que recebe pela terceira vez em sua história (recorde absoluto) a Copa do Mundo com a sensação de que “esta Copa do Mundo não é do México”, como disseram moradores locais a Valeria León, da CNN Internacional.
Os preços têm variado, já que a Fifa utiliza um sistema de oferta/demanda, de modo que nem todas as partidas de uma mesma fase têm o mesmo valor.
Um jogo da fase de grupos dos EUA (Estados Unidos) começou sendo vendido por US$ 60 (cerca de R$ 310, na cotação atual) por assento (muito poucos) e, há três semanas, já estava em US$ 1.000 (cerca de R$ 5.000, na cotação atual) cada um, por exemplo. O valor nominal de um ingresso para a grande final do torneio chegou a mais de US$ 32.000 (cerca de R$ 165 mil, na cotação atual), e isso sem falar em revenda…
A entidade máxima do futebol mundial reconheceu o problema de forma indireta quando anunciou mais ingressos acessíveis a US$ 60 (cerca de R$ 318, na cotação atual) em dezembro passado. Foi uma medida que, em vez de pensar no torcedor comum, pareceu destinada a evitar uma imagem que aterroriza a Fifa: a de estádios semivazios.
Apenas para que possamos entender um pouco a desproporção dos preços: um argentino que viajou para o Catar 2022 disse à CNN Internacional que, com o valor que pagou pelas três partidas da fase de grupos contra a Arábia Saudita, México e Polônia há três anos e meio, mal conseguiria pagar um ingresso para a estreia contra a Argélia neste mês de junho.
A presença do Irã na Copa do Mundo de 2026 despertou uma tensão latente. Não porque a seleção persa não tenha conquistado sua participação por direito (de fato, foi uma das primeiras classificadas da Ásia para a Copa do Mundo), mas por toda a carga política que gera sua chegada ao torneio, que é organizado, em sua maior parte, pelos Estados Unidos.
A guerra que o presidente Donald Trump, Israel e o regime iraniano estão protagonizando no Oriente Médio não fez nada além de alimentar o fogo e a troca de declarações entre essas nações, chegando ao ponto de o líder norte-americano deixar claro que os jogadores de futebol seriam bem-vindos no torneio, mas que, por sua “própria vida e segurança”, poderia não ser muito apropriado jogar suas partidas nos Estados Unidos.
Uma declaração que parece ignorar a responsabilidade que qualquer anfitrião tem de garantir a segurança de seus hóspedes durante a Copa do Mundo.
Para piorar, o sorteio determinou que o Irã deve jogar suas três partidas da fase de grupos em solo norte-americano e, apesar de a federação iraniana ter tentado transferir esses jogos para o México, teve que se contentar em mudar seu próprio acampamento para o outro lado da fronteira.
A seleção iraniana ficará hospedada em Tijuana e só entrará nos Estados Unidos com uma delegação reduzida (por meio de restrições de vistos) no dia em que tiver que jogar.
“Impresentáveis”. Foi assim que o treinador da seleção do Uruguai, Marcelo Bielsa, qualificou o estado dos campos de jogo durante a Copa América 2024 que os Estados Unidos organizaram. Sua reclamação encontrou eco em outras seleções e jogadores que evidenciaram o mesmo problema, apesar da defesa que a organização ensaiou naquela oportunidade.
Um ano depois, o teste do Mundial de Clubes da Fifa pareceu bem-sucedido em relação ao gramado, embora também tenha havido críticas, de modo que não são poucos os que duvidam das condições que o verde dos estádios apresentará neste período de junho e julho.
A razão é simples. A maioria dos estádios dos Estados Unidos é utilizada para a prática de futebol americano durante vários meses a cada ano, e isso implica utilizar uma grama mais artificial e menos natural, o que se traduz em uma pisada e até mesmo em um quique de bola diferentes. Isso não é um detalhe menor para um jogador de futebol, já que, se ele não pisar com segurança com suas chuteiras, corre o risco de se lesionar.
O México adiciona sua própria gama de variedades, pois, embora seus estádios sejam pensados para o futebol, utilizam uma grama diferente dependendo da altitude ou das altas temperaturas para favorecer sua manutenção.
A FIFA disse que tomou providências sobre o assunto e que encomendou a criação de um gramado inovador para garantir a qualidade do campo durante a Copa do Mundo, mas teremos que esperar a primeira semana de jogos para conhecer a resposta.
Imagine que sua seleção conseguiu terminar em primeiro lugar no seu grupo com nove pontos em nove possíveis e que, como prêmio, tenha que enfrentar o Brasil ou o Marrocos, ou, talvez pior, a Espanha ou a Argentina, enquanto outra seleção nacional que venceu seu grupo com cinco ou seis pontos termine enfrentando o Catar.
Sem desmerecer a participação catari, que desta vez conquistou sua vaga no mundial à força de suor e lágrimas (em 2022 jogou por ser anfitriã), a equação parece um pouco injusta. Mas assim é a Copa do Mundo de 2026.
A ampliação para 48 seleções participantes trouxe um problema na hora dos confrontos diretos eliminatórios. Até 2022, a matemática era simples: passavam os dois melhores de cada grupo, deixando uma chave de 16 participantes, e os duelos das oitavas de final já estavam predeterminados, sabendo que os primeiros jogavam contra os segundos, sem exceção.
Pois bem, o fato de haver 12 grupos em vez de oito levanta um problema óbvio: se passarem os dois primeiros, restariam 24 equipes, depois 12, 6 e finalmente 3, o que torna impraticável o método de mata-mata que tanto nos apaixona nos grandes torneios. Por isso, a Fifa recuperou do manual das velhas Copas do Mundo a classificação dos oito melhores terceiros colocados.
Isso por si só apresenta uma desvantagem: esportivamente, para ninguém pareceria a mesma coisa terminar em terceiro no grupo onde estão Brasil e Marrocos, ou França e Noruega, ou Inglaterra e Croácia, do que terminar em terceiro no grupo de Canadá, Bósnia, Catar e Suíça, ou no dos Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Tunísia, mas para a Fifa é a mesma coisa.
Os oito terceiros com mais pontos e melhor saldo de gols passarão para a fase de dezesseisavos de final.
Aí se gerou outra polêmica, que o técnico atual campeão do mundo, Lionel Scaloni, não teve problemas em bradar.
Acontece que foi a Fifa que determinou quais primeiros colocados de grupo enfrentarão os terceiros. Não será por mérito esportivo (como na Copa do Mundo Sub-17 de 2025), mas por escolha direta.
E adivinhem só: os líderes dos grupos de México, Canadá e Estados Unidos (os três anfitriões) enfrentarão um terceiro colocado, não importando se houve outros primeiros colocados de grupo com mais pontos.
E tem mais: se as seleções locais terminarem em segundo, não enfrentarão nenhum primeiro, mas sim medirão forças contra outro segundo colocado. Uma escolha bem direcionada essa da Fifa.
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