Futebol Clubes menores do Rio brilham e empolgam nostálgicos no Carioca

Clubes menores do Rio brilham e empolgam nostálgicos no Carioca

Se o estadual mais charmoso do país terminasse agora, Voltaço, Portuguesa e Madureira tirariam Flu, Vasco e Botafogo das finais

  • Futebol | Eduardo Marini, do R7

Comemorações divertidas de jogadores da Portuguesa chamam atenção

Comemorações divertidas de jogadores da Portuguesa chamam atenção

Nathan Diniz/Divulgação/AAP

Sete das onze rodadas da Taça Guanabara, a fase de pontos corridos decisiva do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, 63,6% do total, foram jogadas até a manhã deste domingo (4). Se a etapa terminasse neste momento, a competição teria um desfecho surpreendente. Dos quatro grandes clubes do estado – Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco -, apenas o rubro-negro estaria entre os classificados para as finais gerais. Os outros três seriam Volta Redonda, Portuguesa e Madureira, nesta ordem. Fla e Madura se enfrentariam em uma semifinal; Voltaço e Lusa carioca, na outra. Estadual mais charmoso do país, o Cariocão é transmitido com exclusividade pela Record TV para a tevê aberta.

O desempenho desses três times de menor investimento tem gerado euforia entre seus fãs e os amantes nostálgicos do futebol. Em Volta Redonda, na região sul fluminense, a empolgação com vice-liderança do time da cidade é total. O Voltaço chegou à sétima rodada com os mesmos 16 pontos, cinco vitórias, um empate, uma derrota e 76,2% de aproveitamento do líder Flamengo. Roçou com as unhas a ponta da disputa, mas só está nela agora por conta do saldo de gols: tem cinco, contra dez do adversário. A campanha do time do interior do estado inclui vitórias sobre o Vasco (1 a 0) e Fluminense (3 a 2).

O Volta Redonda Futebol Clube (VRFC) é abrigado em um clube organizado. Manda seus jogos no bom Estádio Municipal da Cidadania Raulino de Oliveira, com capacidade para 20.255 espectadores. Construído no final da década de 1940, foi reinaugurado em 2004 após obras profundas de recuperação no gramado, vestiários, arquibancadas e instalações para imprensa. Com o aumento das restrições em função da pandemia, tem abrigado, nos últimos dias, também jogos de times paulistas.

O orçamento de 2021 aprovado pelo Voltaço prevê um gasto de R$ 180 mil por mês com a folha de pagamento de todo o departamento de futebol. Isso resultará no desembolso anual de R$ 2,16 milhões – algo semelhante a dois salários mensais de Gabigol no Flamengo, apenas para exibir um dos fatores a escancarar a disparidade entre os dois clubes. O principal patrocinador do time é a Universidade de Vassouras, cidade histórica vizinha que abriga um dos ramos da família imperial brasileira.

O Voltaço joga num 4-4-2 com dois volantes e uma dupla de meias ofensivos também atenta à marcação. Os destaques do elenco são os atacantes Alef Manga, artilheiro do campeonato com cinco gols, ao lado do rubro-negro Rodrigo Muniz, e João Carlos, segundo colocado na lista, com quatro bolas na rede. E também o volante Bruno Barra, firme mas leal na marcação, dono de bom passe e de recursos para chegar ao ataque. Barra está na seleção da sétima rodada da competição, escolhida pelos internautas nas redes sociais.

Alef  Manga, do Volta Redonda, é um dos artilheiros do estadual, com cinco gols

Alef Manga, do Volta Redonda, é um dos artilheiros do estadual, com cinco gols

André Moreira/VRFC

Na terceira colocação, com 13 pontos, está a Associação Atlética Portuguesa (AAP), fundada em 1924 na Ilha do Governador, uma das ilhas da Baía de Guanabara e também um dos mais tradicionais bairros cariocas. O início da Portuguesa da Ilha na Taça Guanabara foi fulminante: uma vitória sobre o Vasco por 1 a 0 na estreia e um chocolate de 3 a 0 no Fluminense na segunda rodada.

Caso derrote o Botafogo pela oitava rodada, às 17h deste domingo (4), no Estádio Giulite Coutinho, a Lusa carioca quebrará um tabu de 55 anos, pois não vence o alvinegro desde 1966. No 4-3-3 da equipe, o zagueiro Diego Guerra e o rápido Cafu, atacante pela esquerda que tem atuado como meia, tiveram boas jornadas. As alegres e marrentas comemorações de gol dos jogadores da equipe também chamam atenção.

Fechando o G4, com 11 pontos, vem o centenário Madureira Esporte Clube (MEC), o Tricolor Suburbano. Das três equipes, é a mais acostumada a incomodar os grandes cariocas no estadual. Fundado em 1914 no histórico bairro da zona norte da Cidade Maravilhosa, berço das escolas de samba Portela e Império Serrano, chegou ao vice-campeonato em 1936 e 2006. Está na oitava posição entre os clubes com mais pontos na história da competição. Evaristo de Macedo e Marcelinho Carioca estão entre os craques que vestiram a chamativa camisa amarela, vermelha e azul do Madura.

O atacante Luiz Paulo é o destaque da equipe. Único invicto da disputa, O Madureira completará oito partidas sem perder na competição caso não seja derrotado pelo Flamengo na noite de segunda-feira (5). Algo que não ocorre com o clube desde 1936.

O atacante Luiz Paulo (à frente) é um dos destaques do invicto Madureira

O atacante Luiz Paulo (à frente) é um dos destaques do invicto Madureira

Miguel Ferreira/MEC

O G4 do Cariocão continuará exatamente do jeito que está pelo menos até o início da noite de domingo (4), quando terminará o jogo entre Botafogo e Portuguesa pela oitava rodada. Se o alvinegro não vencer, a ordem de classificação sobreviverá por mais um tempo.

A história do futebol da cidade do Rio de Janeiro está marcada, como em nenhuma outra do país, pela tradição dos chamados clubes de bairro ou de subúrbio. Madureira, São Cristóvão, Bangu, Olaria e Portuguesa, entre outros que ficaram pelas curvas da história, lançaram craques que depois brilharam por grandes do estado, de outros pontos do país e até do exterior.

Há quem defenda que alguns desses clubes conseguem períodos de brilho atualmente muito mais pela deficiência técnica dos grandes do que por seus méritos. Pode ser. Mas, para além das razões, há inegável carga de nostalgia e beleza no fato de representantes dessas equipes ocuparem o alto da tabela numa competição tão charmosa como o Estadual do Rio.

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