Adversário colombiano do São Paulo já teve maiores craques do planeta nos anos 50
Clube de Bogotá viveu auge com Di Stéfano, teve período com traficante como cartola e contou com passagem de Neto
Futebol|Do R7
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O Millonarios, adversário do São Paulo nesta terça-feira (28), em Bogotá, na Colômbia, carrega uma das histórias mais curiosas do futebol do continente. Antes de enfrentar o Tricolor pela Copa Sul-Americana, o clube colombiano chega ao confronto atual com um passado marcado por glórias, craques internacionais, episódios controversos e uma identidade construída em diferentes fases do futebol do país.
Fundado oficialmente em 1946, o Millonarios ganhou força no fim dos anos 1940, em meio ao processo de profissionalização do futebol colombiano. Sob liderança de Alfonso Senior Quevedo, o clube se tornou protagonista da Dimayor, competição que se afastou da estrutura reconhecida pela federação local e pela Fifa. Por isso, o torneio passou a ser chamado de “liga pirata”.
A ruptura permitiu que os clubes colombianos contratassem jogadores estrangeiros sem seguir as regras internacionais de transferências. O contexto coincidiu com uma greve no futebol argentino, entre 1948 e 1949, e abriu caminho para a chegada de grandes nomes a Bogotá.
O Millonarios reuniu craques como Adolfo Pedernera, Néstor Rossi, Julio Cozzi e Alfredo Di Stéfano. A equipe ficou conhecida como “El Ballet Azul” pela qualidade técnica, ofensividade e domínio em campo. Entre 1949 e 1953, conquistou quatro títulos colombianos, uma Copa da Colômbia e a Pequena Copa do Mundo.
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O auge internacional veio em 1952, quando o clube foi convidado para as comemorações dos 50 anos do Real Madrid. Em pleno estádio de Chamartín, derrotou os espanhóis por 4 a 2, com dois gols de Di Stéfano. A atuação ajudou a despertar o interesse do clube merengue pelo argentino, que depois se tornaria um dos maiores nomes da história do Real.
O período conhecido como “El Dorado” acabou perdendo força após a regularização da liga colombiana e a saída dos principais estrangeiros. Ainda assim, aquele Millonarios dos anos 1950 permaneceu como uma das equipes mais lembradas da história do futebol colombiano.
A marca do narcotráfico na década de 1980
Outra fase relevante, mas controversa, ocorreu nos anos 1980. O clube voltou a conquistar o Campeonato Colombiano em 1987 e 1988, período associado à influência financeira de José Gonzalo Rodríguez Gacha, o “El Mexicano”, ligado ao cartel de Medellín e aliado de Pablo Escobar.
Segundo os textos, Gacha era torcedor do Millonarios e teria usado o futebol como parte de seus negócios, em um contexto no qual clubes colombianos foram apontados como instrumentos de lavagem de dinheiro. Após os títulos, o clube passou 24 anos sem vencer o Campeonato Colombiano, até a conquista de 2012.
A ligação com o narcotráfico gerou debates internos. Em 2012, o então presidente Felipe Gaitán chegou a levantar a possibilidade de devolver as taças de 1987 e 1988 caso a Justiça confirmasse o envolvimento financeiro ilegal. A medida não avançou, mas expôs uma ferida histórica para parte da torcida.
Neto teve passagem curta, gol de falta e expulsão
O Millonarios também teve um capítulo brasileiro nos anos 1990. Ídolo do Corinthians, Neto atuou pelo clube colombiano em 1993, depois da derrota corintiana para o Palmeiras na decisão do Paulistão.
A passagem durou cerca de três meses. Segundo o próprio ex-meia, o clube não cumpriu valores prometidos em sua transferência. Em campo, Neto disputou dez jogos e marcou três gols. Um deles foi de falta, sua especialidade, em empate por 1 a 1 contra o Atlético Nacional.
Na mesma partida, porém, o brasileiro acabou expulso após dar um carrinho no goleiro adversário. O período em Bogotá não deixou grande marca esportiva, mas entrou para a lista de episódios curiosos da trajetória internacional do Millonarios.
Agora, diante do São Paulo, o clube colombiano tenta usar a altitude de Bogotá e o fator local como trunfos. O time paulista chega ao jogo na liderança do grupo, com seis pontos e 100% de aproveitamento, enquanto o Millonarios busca encostar na ponta e reacender sua força em competições continentais.
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