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BRASILEIRO 2022

Adilson Batista ressurge de período sabático em alta no América-MG

Após alguns insucessos, três anos de afastamento e tempo usado para se reciclar, Adílson retoma a carreira com bons resultados no Brasileirão

Futebol|Cesar Sacheto, do R7

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Adilson Batista retoma carreira no América-MG com boa campanha no Brasileiro
Adilson Batista retoma carreira no América-MG com boa campanha no Brasileiro

Foram três anos de afastamento. Adilson Batista não trabalhava em um clube como treinador desde 2015, quando deixou o Joinville. Naquela época, ele encerrava um ciclo de algumas decepções no futebol, motivadas por demissões tidas como injustas e deslealdade de dirigentes.

Adilson Batista iniciou a trajetória de treinador no Mogi-Mirim, em 2001. Depois, ainda na primeira metade dos anos 2000, ele foi campeão potiguar com o América-RN e teve outras passagens de destaque por Grêmio, Figueirense e Paysandu — conseguiu livrar os três clubes do rebaixamento no Campeonato Brasileiro.


Em 2009, no Cruzeiro, o técnico ganhou o reconhecimento da mídia esportiva e do público com as conquistas de dois títulos do Campeonato Mineiro e chegada à decisão da Copa Libertadores de 2009, competição que o time celeste perdeu para o Estudiantes (ARG).

Fase negativa


Adilson abraça Felipão em dérbi no Brasileiro de 2010
Adilson abraça Felipão em dérbi no Brasileiro de 2010

O declínio de Adilson Batista teve início na ida para o Corinthians, em 2010. Ele chegou para ocupar a vaga de Mano Menezes, que havia deixado o clube para comandar a seleção brasileira. Mas, o Corinthians perdeu a liderança do Brasileirão daquele ano, teve uma sequência de cinco partidas sem vencer e Adilson foi demitido. No lugar dele, o clube contratou Tite, que voltava do futebol árabe.

Em 2011, Adilson foi convidado para dirigir o Santos ainda no começo da temporada. Entretanto, o técnico teve um inicio abaixo da expectativa e foi mandado embora. A diretoria santista chamou Muricy Ramalho, que conquistou a Libertadores. Depois disso, Adilson ainda teve uma experiência no São Paulo e rodou por Atlético Paranaense, Vasco, Figueirense e Joinville, quando decidiu dar um tempo do trabalho em campo.


"Começaram algumas situações que prejudicaram a carreira. Fui demitido do Corinthians e demitido injustamente do Santos. Peguei o Atlético Paranaense e tive dificuldades. Fui para o São Paulo, empatei demais, também não entendi a minha saída. Uma série de coisas", analisou Adilson.

Parada para balanço


No entanto, o treinador decidiu fazer uma pausa. O período sabático serviu para aprimorar os conhecimentos teóricos sobre o esporte, atualizar-se em relação às metodologias de trabalho, fazer intercâmbio, trocar ideias e ouvir experiências de profissionais do mais alto nível.

Adilson Batista obteve as licenças atualizadas da CBF para o exercício da profissão e fez cursos na Universidade de Campinas e na Universidade do Futebol de Viçosa, em Minas Gerais.

O técnico também passou um período na Inglaterra, visitou vários países da América do Sul, como Chile, Uruguai, Argentina e Paraguai. Adilson acompanhou de perto duas edições da Flórida Cup — torneio de pré-temporada que reúne grandes clubes do Brasil e da Europa.

Em 2018, surgiu o convite do América Mineiro, um clube tradicional, mas que tem passado por altos e baixos nos últimos anos — voltou à Série A em 2016, caiu no ano seguinte e retornou para a elite do futebol nesta temporada.

"Tenho a expectativa de aproveitar a chance. Sou grato por isso. Tenho ficado feliz com os objetivos alcançados. Paramos de tomar gols, o time ficou mais equilibrado. Depois, trabalhamos a saída de bola, a transição e o último terço do campo. Mas estou ciente das dificuldades”, ponderou o treinador, de 50 anos.

Retorno com estilo

Sob o comando de Adilson Batista, o América Mineiro se reequilibrou em campo, deixou a zona de rebaixamento, está em uma posição mais confortável na tabela e passou a incomodar alguns dos principais clubes do país. O time já arrancou pontos preciosos no campeonato de Flamengo, Vasco e Santos.

Na rodada passada (27ª) do Brasileirão, o América Mineiro pegou o Corinthians, finalista da Copa do Brasil, em Belo Horizonte, e obteve um empate em 0 a 0 que ajudou a manter o time fora da zona de rebaixamento do Brasileirão.

Antes, a equipe mineira havia enfrentado o então líder São Paulo, em pleno Morumbi, e conquistado um empate por 1 a 1 bastante comemorado pelos americanos. Além disso, o gol marcado pelo meia Matheusinho mostrou o trabalho de Adilson com os jogadores. Foram 65 segundos, 49 toques na bola que passou pelos pés de dez jogadores. Adilson credita à filosofia de jogo.

"Isso não é de hoje. Se você observar os times que treinei, sempre valorizei a posse de bola. É preciso mudar a direção, valorizar a bola, rodar rápido. E sempre no sentido vertical. Às vezes, a defesa está fechada e é preciso ter paciência, trabalhar, seguir rodando. De repente, um cara consegue sair", avaliou Adilson.

Escola

O técnico ressaltou o gosto pelo futebol técnico, com criatividade na armação, meias e atacantes habilidosos. Adilson citou grandes times do passado e treinadores nos quais se inspira para montar suas equipes.

"Sempre gostei do Ajax, da seleção da Holanda, do Barcelona, dos times do Guardiola. Isso o grande Palmeiras fez, o grande Cruzeiro, além de Santos e Flamengo. Sempre tive como modelo os clubes que valorizam a bola".

Ídolo

Zagueiro que unia a raça e a técnica quando atuava, Adilson Batista destacou o aprendizado com cada um dos treinadores que teve durante a carreira: Nelsinho Baptista, Carlos Alberto Silva, Levir Culpi, Felipão, Oswaldo de Oliveira e Paulo Cesar Carpegiani. No entanto, um deles é citado como o grande mentor: Ênio Andrade, de quem Adilson foi jogador por três anos, no Cruzeiro, nos anos 1990.

"Sempre fui fã do Ênio Andrade. Ele era, para a época, quase que completo. Tinha uma visão de trabalho, o intervalo, comando de grupo, seriedade, clima. Era fantástico", enfatizou Adilson.

Adilson (3º da esquerda para a direita, em pé), foi campeão no Cruzeiro
Adilson (3º da esquerda para a direita, em pé), foi campeão no Cruzeiro

Futuro

Com 32 pontos e em 13º na classificação do Brasileiro, o América Mineiro volta a jogar neste sábado (6), diante do Atlético Paranaense, em Curitiba. A partida é uma disputa direta entre clubes que estão no meio da tabela do campeonato e lutam para se manter na elite. Tal desafio é encarado com a principal meta da carreira de Adilson Batista, que evita fazer planos para o futuro dele no futebol.

"É jogo a jogo. Quero terminar com o América na Série A, valorizar a semana. Mostrar para os meus atletas o que acho importante para a gente crescer. Deixar acontecer. A gente já tem vivência. Penso jogo a jogo. E aminha carreira vai fluir naturalmente", projetou.

Confira outros trechos da entrevista de Adilson Batista ao R7:

Parada na carreira

"Na realidade, quase acertei com cinco ou seis times e agradeci outros dois. Tive reunião com diretores. Infelizmente não houve acerto. Gostaria de ter voltado antes. Cometi alguns erros. Tomei decisões e escolhi clubes que acabaram atrapalhando o processo (de evolução da carreira). Você acaba errando, é iludido por clubes que prometem isso ou aquilo, não melhoram e sobra só para nós".

Corinthians

"Acho que errei em carga de trabalho. Dei uma carga a mais. Perdemos o Ralf, o Jorge Henrique. Perdemos alguns jogos que estavam sob controle e erramos. Mas erramos todos nós. E acabou em função do número de partidas sem vencer, aí vieram as cobranças".

Demissões de técnicos

"Faz parte da mentalidade, infelizmente. A gente fica chateado. É reflexo de um monte de coisa errada que a gente vê no futebol brasileiro na parte administrativa".

Valorização da categoria

"Tem que fazer o que o Andrés (Sanchez, presidente do Corinthians) fez com o Tite: perde para o Tolima, manda meio mundo embora e segura o treinador. É importante o dirigente ter essa visão. O técnico sempre paga o pato no final".

Calendário

“Não sou contra o desemprego. Muito pelo contrário. Mas o Brasil é um país continental. É possível ter 30 clubes na Série A, 30 na Série B, 200 na Série C, 400 na Série D. Daí, vira conferência leste, norte, sul, etc. E a CBF ajudaria para todos trabalharem de 10 de fevereiro a 10 de dezembro. Nós temos data para isso. Mas, infelizmente, nós somos reféns de federações que a CBF alimenta, voto de cabresto e a gente não vê o bem do futebol. Estaduais com 5 mil pessoas no campo. Por exemplo, o Cruzeiro, que tem folha salarial de R$ 10 mi, joga com o Guarani de Divinópolis, com renda de R$ 40 mil. Cada um tem o seu campeonato. Tem cada um andar de acordo com as suas pernas, vai crescendo, vai subindo. Cada um com o seu campeonato. Mas quem comanda o futebol precisa ter mais atitude. Eu quero o bem do futebol brasileiro".

Veja o ensaio de lançamento da 3ª camisa do Corinthians:

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