Futebol Ação de marketing de cartola, Disque-Marcelinho faz 20 anos

Ação de marketing de cartola, Disque-Marcelinho faz 20 anos

Em 1998, federação paulista comprou passe do meia junto ao Valencia e usou ligações 0900 para definir destino do craque e pagar investimento

  • Futebol | Cesar Sacheto, do R7

Camisa especial da promoção da FPF

Camisa especial da promoção da FPF

Reprodução

Há 20 anos, a FPF (Federação Paulista de Futebol) lançou ação de marketing inusitada para definir o futuro do meia Marcelinho Carioca. O passe do jogador havia sido adquirido pela própria entidade junto ao Valencia-ESP por US$ 7 milhões.

O presidente da FPF à época, Eduardo José Farah, decidiu fazer um leilão pelo craque por meio do serviço telefônico Marcelinho havia deixado o Corinthians um ano antes e tinha assinado contrato de cinco anos com a equipe espanhola. Tratava-se de uma estratégia para mexer com a torcida paulista, além de alavancar uma boa quantia para recuperar o investimento e obter lucro.

A ideia era simples: Marcelinho vestiria a camisa do clube que tivesse o maior número de ligações ao final da promoção. Cada telefonema custava, à época, R$ 3,00. O Santos chegou a estar à frente nos primeiros dias, mas o placar virou em favor do Corinthians.

Depois de aproximadamente três semanas, os corintianos venceram o leilão por Marcelinho com 62,5% do total de ligações. São Paulo (20,3%), Santos (9,5%), e Palmeiras (7,7%) vieram na sequência.

Marcelinho lembra com carinho da experiência. “Foi brilhante”.

O ex-jogador riu ao recordar a forma como foi avisado por Eduardo José Farah da chance de retornar ao futebol brasileiro.

“Vou dar você de presente para um time de São Paulo”, contou o sobre a conversa com o dirigente em entrevista ao R7.

Mas foi a possibilidade de vestir a camisa alviverde do rival Palmeiras o que mais afligiu o craque, já batizado de “Pé de Anjo” devido ao sucesso em sua primeira passagem pelo clube de Parque São Jorge, entre 1994 e 1997. Marcelinho deixou a preocupação evidente ao presidente da FPF.

“Fiquei preocupado, porque poderia dar Palmeiras, né? Falei para o Farah: e se der o Palmeiras? ‘Se der, você vai ter que ir’. Mas arrisquei, porque sabia que a torcida do Corinthians é fiel e iria mostrar o carinho que tem pela gente. E deu no que deu”, relembrou Marcelinho.

Telê queria Marcelinho

Até mesmo o design da camisa feita especialmente para a ação continha um significado especial para Marcelinho. “Se você reparar, o Corinthians estava do lado esquerdo, o lado do coração”, contou.

O ex-atleta também destacou o interesse do São Paulo durante o período em que voltou ao Brasil. Mas a torcida do time tricolor não acompanhou o desejo da diretoria.

“O São Paulo sempre quis me levar desde a época do Telê. Ele me lançou no Flamengo, no lugar do Zico. Então, o Telê sabia o jogador que iria leva para São Paulo”, revelou Marcelinho.

Prejuízo com ação

Apesar do grande interesse do público paulista pelo assunto, a FPF teve prejuízo financeiro com o leilão telefônico por Marcelinho, pois arrecadou bem menos que o esperado e teve que cobrir a diferença do valor pago ao time espanhol. Os números não são confirmados, mas estima-se que o leilão rendeu aos cofres da entidade cerca de U$ 2 milhões.

No entanto, o jornalista e historiador Jorge Farah, filho de Eduardo José Farah, defendeu o pioneirismo do pai e ressaltou o impacto da ação no futebol estadual.

“Foi uma jogada de marketing. Meu pai foi o primeiro grande marqueteiro do futebol. Vendo a situação dos clubes, tinha que fazer alguma coisa para levantar o esporte. Não gerou o impacto necessário, mas serviu para mudar as ações no futebol paulista. O saldo foi positivo”, ponderou.

Marcelinho também defende o modelo e acredita que poderia ser utilizado novamente na atualidade.

“Tem espaço. Seria maravilhoso. Está faltando talento e a gente poderia contemplar os quatro grandes (clubes paulistas) com jogadores de nível”, finalizou.

Outros craques da FPF

Eduardo José Farah cedeu outros jogadores para clubes de São Paulo. Também em 1998, o dirigente pagou os salários do atacante Evair para que ele jogasse pela Portuguesa — no mesmo ano, o time lusitano fez a semifinal do Paulistão com o Corinthians.

Além do centroavante, a entidade adquiriu o meio-campista polonês Pierkarsi (Portuguesa), Carlos Miguel (São Paulo) e Valdeir (Internacional de Limeira), entre outros.

Veja grandes momentos da volta de Marcelinho Carioca ao Corinthians:

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