Ferrari pode abandonar Fórmula 1, diz presidente da escuderia italiana
Luca de Montezemolo acredita que a modalidade está em baixa entre os torcedores

O presidente da Ferrari, Luca de Montezemolo, afirmou nesta sexta-feira (13) que a escuderia italiana pode abandonar a Fórmula 1 para se concentrar nas corridas de resistência.
A afirmação foi dada em uma entrevista ao jornal econômico The Wall Street Journal. Para Montezemolo, a Fórmula 1 "não funciona mais".
— Está em baixa, já que (a Federação Internacional de Automobilismo) se esqueceu que as pessoas seguem as corridas pelas emoções que elas provocam. Ninguém as acompanha para ver a eficiência (dos carros).
Ainda para o líder da escuderia, os torcedores querem ver mais velocidade nas corridas.
— Ninguém quer ver um piloto economizando gasolina ou pneus. As pessoas querem ver como os pilotos pisam fundo para ir de um ponto a outro. (A F1) é um esporte, sim, mas também é um espetáculo.
Mudanças
Montezemolo se referiu dessa forma à última grande revolução na regulamentação da Fórmula 1 para reduzir custos e tentar se modernizar, o que inclui a introdução de um novo motor V6 turbo híbrido, menos barulhento e menos poluente.
A Ferrari, proprietária do grupo FIAT, que também tem Montezemolo como presidente, conta com 15 títulos do Mundial de pilotos, 16 títulos de construtores e 221 vitórias em Grandes Prêmios.
Participa do mundial desde a sua criação, em 1950. Também disputou provas de resistência, vencendo nas 24 Horas de Le Mans em nove ocasiões. Seu fundador, Enzo Ferrari, decidiu concentrar todos os seus esforços na Fórmula 1 a partir de 1973.
Montezemolo indicou que a Ferrari poderia se dedicar às corridas de resistência a partir de 2020.
— E, é claro, não podemos correr em resistência e na Fórmula 1 ao mesmo tempo, não é possível.
A Ferrari não vem conseguindo competir nesta temporada com suas rivais Mercedes e RBR e está sendo ameaçada inclusive por equipes como a McLaren e Force India.
A escuderia italiana é quarta no mundial de construtores, com 87 pontos. O espanhol Fernando Alonso está em 4º entre os pilotos, com 69 pontos, a metade da pontuação do líder, o alemão Nico Rosberg (Mercedes).
