Érika Miranda foi derrotada pela kosovar Majlinda Kelmendi e acabou ficando com a medalha de prata na final da categoria até 52 kg do Mundial de Judô do Rio de Janeiro, nesta terça-feira no Maracanãzinho, perdendo a oportunidade de se tornar a primeira campeã mundial da história do judô feminino brasileiro.
"Eu queria ser a primeira, mas judô é assim, eu estava bem na luta, mas nessas lutas de alto nível, não dá para prever o que vai acontecer. É claro que queria o ouro, mas agora conheço o caminho e preciso treinar para corrigir os meus erros", declarou a judoca depois da luta.
Sexta colocada do ranking mundial, Érika garantiu a segunda medalha nesta edição do Mundial para o Brasil, que ontem ficou com o bronze de Sarah Menezes na categoria até 48 kg.
Este foi o melhor resultado da carreira da brasiliense de 26 anos, que antes tinha conquistado duas medalhas de prata em Jogos Pan-Americanos e viveu um trauma nas Olimpíadas de Pequim-2008, quando foi cortada por lesão poucos dias antes da competição.
"Já fui quinta colocada em dois Mundiais, lutei bastante e na disputa do bronze não consegui a medalha. Venho batendo na trave sempre então hoje foi uma medalha muito pessoal. A ficha nem caiu ainda", comemorou.
Érika disse ter se inspirado em Luciano Corrêa, campeão Mundial no Rio em 2007, com quem tomou café da manhã nesta terça-feira.
"Ele me disse: 'pense que essa competição é um Grand Slam (torneio mais importante depois do Mundial), e não um Mundial, porque já tem muita pressão pelo fato da competição ser em casa. Foi o que eu fiz e graças a Deus deu certo", revelou Érika, que disse torcer para que Luciano conquiste o bicampeonato no próximo sábado, quando entrará no tatame para lutar na categoria até 100 kg.
Kelmendi, judoca líder do ranking e campeã mundial em 2009, fez valer o favoritismo e pareceu não se importar com a torcida da casa, que compareceu em grande número ao Maracanãzinho, se mostrando mais agressiva que a brasileira desde o início.
Com um minuto de luta, a kosovar, que venceu dois dos três confrontos diretos contra Érika, tentou desestabilizar a brasileira, que acabou levando um shido (punição) por falta de combatividade.
A punição pareceu acordar a judoca, que partiu para cima de Kelmendi e devolveu o shido, empatando o duelo.
A superioridade de Kelmendi, porém, ficou evidente no fim da luta, quando a número 1 do ranking derrubou a brasileira num wazari seguido de imobilização, o que valeu a medalha de ouro inédita para o Kosovo.
"Quando venci a final fiquei muito feliz e mal consegui controlar minhas emoções. Eu ouvia a torcida me vaiando, entendo que eles queriam ver Érika vencer, mas faz parte", comentou a kosovar, que se sentiu muito orgulhosa por ter alcançado um feito histórico para seu país, atingido por conflitos sangrentos na década de 90.
"Queria mostrar ao mundo que tudo é possível, se quiser algumas coisa, é preciso lutar por isso e você consegue. Kosovo é um país pequeno, com muita pobreza, muitas pessoas que não têm o que comer, então me sagrar campeã representando este país é uma sensação incrível", completou.
Para chegar à decisão, Érika Miranda fez quatro lutas bastante disputadas.
Na estreia, precisou se empenhar para superar a holandesa Birgit Ente. A luta foi muita travada, com ambas as judocas levando dois shidos por falta de combatividade. Ela acabou encontrando forças com o incentivo da torcida, que gritava seu nome a plenos pulmões, e aplicou um belo golpe, marcando ippon a 16 segundos do fim da luta.
O segundo confronto foi diante da russa Natalia Kuziutina. Erika dominou o combate, mas encontrou dificuldades para encaixar um golpe e só conseguiu levar a melhor nas penalidades, critério de desempate ao final dos 5 minutos de luta, já que a adversária levou dois shidos, um a mais do que ela.
Nas quartas de final, a brasileira enfrentou a finlandesa Jaana Sundberg, terceira colocada do ranking, mas conseguiu se impor até com mais facilidade do que nas duas primeiras lutas.
Com postura bastante ofensiva, ela conseguiu um yuko e logo em seguida garantiu a vitória com um ippon sensacional, faltando 2 minutos e 8 segundos para o fim do combate.
Na semifinal, ela derrotou a romena Andreea Chiituu, número dois do mundo, com um wazari dando o troco na adversária que a tinha derrotado nas oitavas de final do último Mundial, em Paris-2011.
"A torcida foi nota mil, na semifinal, gritaram tanto que não conseguia nem ouvir o árbitro nem o técnico", lembrou Érika, que se disse ansiosa para lutar novamente na Cidade Maravilhosa nos Jogos Olímpicos de 2016.
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