Empresários acusam clubes de descaso com os jogadores das categorias de base

Empresários que cuidam da carreira de jogadores das categorias de base ouvidos pelo Estadão alegaram que muitos clubes não deram a assistência necessária para os garotos durante o período de paralisação de treinos e jogos, que ainda não acabou. Os times enfrentam crise financeira agravada pela pandemia do coronavírus. Os relatos vão de times do interior dos estados até os que compõem a elite nacional.

Os agentes preferiram não ser identificados nesta reportagem, por temerem represálias aos clientes. O discurso deles foi semelhante: sem apoio dos clubes, sobram para familiares e empresários se preocuparem com a formação dos jovens nos meses de paralisação e da crise.

Jogadores que ainda não têm contrato profissional recebem ajuda de custo. Em muitos casos, esse auxílio financeiro foi deixado de pagar, principalmente em outras modalidades, como futsal, basquete e vôlei.

"O clube para de pagar e o jogador vai fazer o quê? Não tem o que fazer nesses casos. Os principais destaques continuam recebendo, mas os atletas que ainda não estouraram pararam de receber", disse um empresário.

Além dos jogadores, demais funcionários da base também têm sido afetados. Os clubes, amparados na Medida Provisória (MP) 936/20, suspenderam contratos e reduziram salários. As categorias inferiores foram as mais atingidas pelos cortes.

Até mesmo o Flamengo, clube que mais arrecadou no último ano, demitiu funcionários, começando pelas categorias de base. Durante a pandemia, profissionais que cuidavam dos alojamentos dos jogadores da base ficaram sem função. Treinadores, auxiliares e outros funcionários das comissões técnicas das divisões inferiores também foram cortados.