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Em São Paulo, árbitros parados reforçam comércio e atuam em hospital

|Do R7

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A paralisação do futebol causada pela pandemia do novo coronavírus levou alguns nomes da arbitragem paulista a se concentrarem nas carreiras longe dos estádios para compensar a falta de jogos. O Campeonato Estadual completa dois meses sem jogos e os cerca de 500 integrantes do quadro de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF) têm buscado manter a rotina de treinos e compensar as perdas financeiras.

Quem tem encarado uma rotina pesada é o árbitro Humberto José Junior, de 35 anos. Ele trabalha no departamento de compras de um hospital em Valinhos. A alta demanda de pacientes e a necessidade de manter o estoque de suprimentos sempre em dia têm feito as jornadas de trabalho dele irem um pouco além do horário comum de expediente.

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"Os profissionais que estão na linha de frente sempre nos cobram pela falta de máscaras e luvas. Eu tenho de correr atrás disso para ajudar o hospital a ficar abastecido", disse. O último jogo dele antes da pandemia foi o encontro entre São Bernardo e Monte Azul, pela Série A-2. Para se distrair, o árbitro se dedica a alguns treinos físicos e tem procurado passar mais tempo com o filho de sete anos.

O maior receio dele é que a pandemia possa prejudicar a evolução da carreira. "O Paulista para os árbitros é o momento de mais trabalho. Nós temos o anseio de mostrar serviço e conseguir crescer. Não ter jogos atrapalha um pouco nossas finanças. Por isso é preciso a gente ter mais planejamento", contou.

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Segundo a FPF, vários dos árbitros e assistentes presentes nas partidas do Estadual atuam em atividades consideradas essenciais nesta pandemia, como membros da Polícia Militar. Quem é da arbitragem paulista e está também no quadro da CBF recebeu socorro financeiro da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf). Os valores foram distribuídos de acordo com a categoria do árbitro.

A falta de verbas de jogos levou o assistente Risser Jarussi, de 41 anos, a ser criativo em seu empreendimento. Junto com a mulher, Samira, ele tem uma loja de moda feminina em Caieiras. Por não ser um serviço considerado essencial, foi preciso achar uma solução capaz de ao mesmo tempo compensar a paralisação do futebol e de ajudar o estabelecimento a se manter de pé.

"As taxas de arbitragem são um reforço na minhas finanças, mas agora conseguimos montar um serviço de delivery de roupas e de vendas por WhatsApp e Instagram. Vamos criar um site também. Assim como todo mundo, quem é árbitro também está precisando se reinventar nessa pandemia de alguma maneira", disse.

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